Moisés Abelho, de 60 anos, frequentou a Cracolândia no seu início nos anos 1990, na cidade de São Paulo.
Em entrevista ao canal do YouTube “Poder de Deus”, ele testemunhou como foi resgatado do vício por Jesus após passar décadas escravizado pelas drogas.
Moisés cresceu com uma mãe ocultista. Logo cedo, ele começou a ajudar ela em uma casa espírita.
“Com 7 anos de idade eu já ajudava nas suas sessões. Ali eu via muitas coisas absurdas Aqueles espíritos que se incorporavam nela diziam que eu ia bater a atabaque (tambor usado em rituais)”, contou ele.
Na mesma época, o menino acabou bebendo 1 litro de álcool enquanto limpava sua casa. “Ali começou a nascer um desejo no meu organismo de usar drogas”, observou Moisés.
Depois desse episódio, o garoto passou a usar gasolina, éter, benzina, tíner e cola de sapateiro nas ruas.
“Eu praticamente ficava mais tempo fora de casa, porque quando eu voltava para casa, apanhava. Então eu fugia de casa, passava o tempo todo andando de ônibus, por isso que eu conhecia muito as quebradas”, afirmou.
“Muitas vezes eu ia pro meio dos matos. Às vezes, eu não tinha nada para comer. Chegava momentos em que eu a fome era tanta que eu comia mato”.
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Internado na Febem
Com 9 anos, Moisés foi detido pela polícia e foi levado para a Febem. Ele passou cinco anos internado e sofreu violência por parte dos agentes.
“Lá tinha tinha chicote de couro, tinha uma uma palmatória que a gente chamava de ‘mãe doce’. Ela tinha uns buracos que na hora que pegasse na mão, ela sugava. Era terrível”, lembrou.
Aos 15 anos, o adolescente foi tirado da Febem pela mãe e passou a frequentar a escola no bairro Paraíso. Porém, ele se envolveu com más companhias no colégio, experimentou maconha e se tornou viciado.
Moisés chegava a ficar debaixo de viadutos para consumir drogas. “Eu não conseguia ficar sem. Havia um grande vazio na minha alma, no meu coração. Creio também que havia anjos ao meu redor para me livrar, porque se não, provavelmente eu não estaria aqui”, declarou.
Mais tarde, o jovem ingressou em uma gangue de rua e cometeu pequenos furtos. Com o tempo, Moisés passou a usar drogas mais pesadas, como cocaína.
“Fiquei viciado a ponto de quando eu não tinha [droga], eu raspava naftalina, colocava anestesial para dar aquele efeito de dormência. Ali não era o fim do poço, ali era um poço que não tinha fim”, comentou.
Vício em crack
Na década de 1990, Moisés trabalhava como músico tocando em festas e a dependência química continuava controlando sua vida. Nessa época, o crack chegou em São Paulo e o jovem foi um dos primeiros frequentadores da Cracolândia.
“Teve noites de eu usar tanta droga que quando acordava, estava em leitos de hospitais”, revelou.
Certa vez, após usar muita droga e beber, o jovem chegou em casa alterado, quase esfaqueou a própria mãe e pensou em cometer suicídio.
Moisés não aguentava mais viver aprisionado pelo vício, mas não conseguia mudar de vida. Até que, certa noite, ele sonhou que estava em um culto.
“Eu sonhei que vinha para a igreja e quando eu ia passando ali numa esquina, tinha uma uma briga de bêbados, um esfaqueando o outro. E eu chegava dentro do templo, quando o pastor ia fazer o apelo, começava também uma uma briga generalizada e as luzes se apagavam”, disse.
Tomado pelo temor de Deus
Ele acordou do sonho e foi tomado de temor de Deus. Moisés percebeu que o inimigo queria sua alma e teve medo de morrer.
“Eu acordei num profundo desespero e clamava pelo nome de Jesus: ‘Se tu existe, venha me tirar dessa vida, venha me dar um objetivo para viver’”, relatou. “Eu entendo que ali fui resgatado das terras para a maravilhosa luz”.
Após a experiência, o jovem decidiu que no próximo domingo iria à igreja e que não sairia de casa até lá para não correr risco de morrer e ser condenado.
No domingo, Moisés foi até uma igreja com seu cunhado. No caminho, eles passaram por uma briga entre bêbados, assim como o jovem havia sonhado.
“A gente chegou, se sentou atrás. Passou 5 minutos, a luz apagou. Aí ele [o cunhado] me deu um toque e falou: ‘O sonho que você me contou aí, ó’”, afirmou.
Quando o pregador fez o apelo para aceitar Jesus, Moisés levantou sua mão rapidamente e foi até o altar em lágrimas.
“Eu senti aquele bálsamo, aquele refrigério, aquela leveza assim no corpo. Foi no dia 17 de agosto de 1997”, testemunhou ele.
Livre
Após entregar sua vida a Cristo, Moisés foi liberto do vício sobrenaturalmente e experimentou a verdadeira liberdade.
“Parecia que eu nunca tinha usado droga. Geralmente quem é dependente químico tem um processo. Já no meu caso não houve nem abstinência. A partir do momento que Jesus Cristo tirou aquele fardo da minha alma, tudo foi jogado ao léu”, destacou.
Mais tarde, Moisés se casou, teve filhos e passou a evangelizar presídios e comunidades carentes, levando muitas vidas a Jesus, incluindo traficantes.
“Quando Deus tem um propósito na vida de uma pessoa, o diabo pode tentar o que quiser. Mas aqueles que Deus escolheu, o diabo jamais vai conseguir arrematar essa alma que já foi comprada pelo precioso sangue de Cristo na cruz do Calvário”, ressaltou.
