Foi assim. No domingo de páscoa, no sítio, de manhã, esperava que ele trouxesse a nós uma encenação da ressurreição, ou falasse do mistério da salvação. Após ler Apocalípse 7.9 onde '' ...grande multidão, de todas as tribos, línguas, nações, em pé, diante do trono do cordeiro, com vestes brancas segurando palmas '' e clamavam adoração e louvor.
Fiquei revoltado. Falar de tolerância no domingo de páscoa? Mas era Deus fazendo o que faz. E foi tão importante! No domingo que inauguramos um tempo de falar de comunhão como um dos propósitos de uma igreja que aguarda a volta do Senhor Jesus. Minha revolta mostrou minha intolerância.
Foi muito especial ver (imaginar) aquele quadro lindo, em volta do trono do Cordeiro, povos de todas as origens e culturas, cultuando, adorando, reconhecendo o Cordeiro como Senhor a quem pertence a salvação; junto com os anciãos, anjos e os quatro seres viventes. O que o tinham em comum? pergunta o pregador, e ele mesmo responde: vestes brancas.
Vestes brancas que são resultado do sangue do cordeiro sobre eles. Vestes iguais são resultado do exercício da comunhão. Grande quantidade de pessoas é o resultado da ação do Espírito na vida da igreja que leva discípulos a formar discípulos. Segurando palmas que fala da alegria que há de ser (e que já pode ser experimentada) diante do trono do cordeiro.
A questão é que temos que nos arrepender de tanta irritação com os outros: Somos tentados a ser intolerante com quem não se parece conosco, somos impacientes com quem pensa e age de um modo muito diferente e, nossas diferenças , associadas aos nossos pecados criam atritos irremediáveis, comparações e auto-comparações errôneas, injustas, demoníacas.
Passeando pelos textos bíblicos fomos confrontados a exercer tolerância uns com os outros, como prática dos mandamentos recíprocos. Sujeita-vos uns aos outros, suportai-vos uns aos outros, orai uns pelos outros, levai as cargas uns dos outros, entre tantos uns aos outros, com desenvolvimento contínuo do fruto do Espírito - amor, paz, alegria, bondade, fidelidade, temperança, domínio próprio, longanimidade, como prenuncio do grande dia com o Senhor, que será um dia tão importante e significativo quanto a ressurreição.
Cleydemir Santos é pastor, psicólogo, escritor e teólogo em Minas Gerais. Trabalha com uma abordagem sistêmica, psicodramática, no atendimento de adultos e crianças.
