“Preparas um banquete diante de mim…” (Salmos 23.5)
Em nossa jornada de Jejum e Oração, temos conversado profunda e intencionalmente sobre o cuidado com o templo e o realinhamento sagrado entre corpo, alma e espírito. Agora, precisamos fazer uma parada obrigatória em um dos lugares mais sagrados da nossa casa e da nossa história: a mesa.
Vivemos numa época em que o ato de comer perdeu o seu sentido pedagógico e relacional. Abandonamos a mesa. Ou, pior, nos sentamos à mesa de corpo presente, mas com a alma dispersa e os olhos presos à tirania de uma tela.
Há momentos em que comemos em pé...
Comemos com pressa...
Comemos no piloto automático, engolindo a comida sem saborear a vida...
A fuga emocional acabou por substituir a comunhão. O alimento, que deveria ser sustento, virou refúgio rápido para o tédio, para a ansiedade e para as dores que evitamos encarar.
Mas e se mudarmos o foco?
E se a mesa deixar de ser o palco da correria para se tornar o altar da cura?
Quando ressignificamos a mesa, o corpo finalmente encontra o seu prumo natural. O peso ideal deixa de ser uma obsessão estética torturante e passa a ser consequência lógica de uma mente curada, que parou de mendigar na comida o alento que só o Espírito Santo pode suprir.
Comer deixa de ser um ato mecânico de consumo e volta a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: um sagrado ato de adoração.
Mesa real e mesa espiritual
A mesa de casa é o lugar onde a vida de fato acontece. É onde sentamos com nossos filhos, cônjuges e amigos para compartilhar não apenas o sustento da matéria, mas o calor genuíno de um olhar. É o espaço onde as máscaras caem e as conversas ganham profundidade.
Mas as Escrituras nos levam ainda mais longe. Na mesa espiritual, é o próprio Deus quem nos serve, nos nutrindo com elementos que carregam a marca da transformação. Na mesa do Mestre, três símbolos fundamentais contam a narrativa da nossa própria redenção:
Trigo.
Uva.
Azeitona.
Nos ensinamentos de Jesus, eles eram muito mais do que itens de subsistência; eram o retrato vivo do crescimento espiritual.
Trigo e pão: Jesus declarou: "Eu sou o pão da vida". Para virar pão, o trigo precisa ser ceifado, moído e profundamente triturado
Uva e vinho: símbolo da alegria transbordante e do sangue vertido na cruz. A uva jamais se tornará vinho se recusar o lagar; ela precisa ser esmagada para liberar o seu melhor sumo
Azeitona e azeite: símbolo do Espírito Santo, da cura e da consagração. Para que o azeite precioso flua, a azeitona precisa submeter-se ao peso implacável da prensa.
Dor do processo e a beleza da essência
Aqui está o grande segredo da maturidade cristã. Para sermos completos como Jesus, para que nossa vida exale a fragrância do Céu, nós também precisamos passar por estações de esmagamento.
Ninguém deseja a dor...
Ninguém aplaude a prensa, o moinho ou o lagar...
Queremos o pão, mas resistimos à moagem.
Queremos o vinho, mas evitamos o peso.
Queremos a unção, mas fugimos do azeite que exige renúncia.
Contudo, é justamente nos apertos da vida que a nossa verdadeira identidade é provada.
Dizem que, quando esmagamos uma rosa, ela não revida com espinhos; ela responde exalando o seu perfume mais puro.
E nós?
Quando a vida nos aperta...
Quando os planos desmoronam...
Quando somos triturados pelas cobranças, esmagados pelas crises ou prensados pelas lutas do cotidiano...
O que sai de dentro de nós?
O que transborda quando o cálice é chacoalhado? É amargura, reclamação e impaciência? Ou é a mansidão, a fé inabalável e a doçura do Espírito?
Convite para hoje
A mudança de nível começa quando entendemos que Deus não está desperdiçando o Seu tempo nas nossas lutas; Ele está refinando a nossa essência.
Hoje, ao sentar-se à mesa com os seus queridos, desligue as telas. Olhe nos olhos de quem você ama. Agradeça pelo pão que alimenta o seu corpo e lembre-se do Pão vivo que desceu do céu para saciar a sua alma para sempre.
Aceite o processo
Permita que o Mestre cure suas pressas, acalme suas urgências e transforme as feridas da sua história em um testemunho vivo de graça.
Quem passa pelo lagar com Deus descobre que o choro pode durar uma noite, mas a alegria — e o perfume do Seu amor — renovam-se a cada manhã.
No próximo artigo, vamos refletir sobre “como o jejum muda até as rotas do seu pensamento”. A Neurociência tem muito a nos revelar.
E essa foi a nossa reflexão de hoje, caminhando juntos na Série Jejum e Oração. Espero que estas palavras alcancem o seu coração e tragam um novo fôlego para sua vida. Um beijo carinhoso no seu coração e até a próxima, se Deus quiser!
Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.
*O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: Você sabe o que é se oferecer a Deus como sacrifício vivo?
