Assassinados por sermos judeus!

Em cerimônia em São Paulo, sobrevivente do ataque do Hamas relembra a morte de amigos e líderes judaicos alertam para o avanço do antissemitismo.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: quinta-feira, 8 de outubro de 2026 às 17:25
Cerimônia no Cemitério Israelita do Embu, em São Paulo, homenageia as vítimas do massacre de 7 de Outubro em Israel. (Foto: Silas Anastácio)
Cerimônia no Cemitério Israelita do Embu, em São Paulo, homenageia as vítimas do massacre de 7 de Outubro em Israel. (Foto: Silas Anastácio)

No dia 07 de outubro, o sobrevivente Rafael Zimerman emocionou a todos durante seu discurso no Cemitério Israelita do Embu. Ao recordar os acontecimentos de 7 de Outubro, perdeu as palavras ao reviver sua história marcada pela dor.

Cerimônia no Cemitério Israelita do Embu, em São Paulo, homenageia as vítimas do massacre de 7 de Outubro em Israel. (Foto: Silas Anastácio)

Em suas lembranças, descreveu a morte de amigos durante o ataque terrorista que invadiu a festa em que estavam – havia sangue e corpos espalhados por todos os lados.

Em sua fala, Zimerman destacou a importância de expressarmos nosso amor às pessoas e de buscarmos sempre a paz, sem desperdiçar tempo com conflitos fúteis.

Nesse cenário de memória e reflexão havia uma placa em homenagem às vítimas, para que jamais seja esquecida aquela que é considerada a maior tragédia para os judeus desde o Holocausto.

Cerimônia no Cemitério Israelita do Embu, em São Paulo, homenageia as vítimas do massacre de 7 de Outubro em Israel. (Foto: Silas Anastácio)

Zimerman enfatizou que as pessoas assassinadas em 7 de outubro foram mortas simplesmente por serem judias — e, de fato, sua afirmação ecoa como verdade incontestável.

Evento no Cemitério Israelita

O encontro trouxe uma profunda reflexão sobre o significado de ser judeu nos dias atuais — e, na verdade, em qualquer momento da história.

Entre os presentes estavam:

Célia Parnes (Presidente da Federação Israelita)

Ricardo Berkiensztat (Presidente Executivo da Federação Israelita)

Gili Vilian (Cônsul de Israel em São Paulo)

Rav Shmuel Besser e Rav Guershi Goldsztajn além de outros importantes líderes da comunidade judaica.

O evento contou também com a participação dos brasileiros Rafael Zimerman, 30 anos, sobrevivente do ataque em Israel, e Maurício Wenick, 23 anos, soldado israelense que atuou durante a ofensiva.

Um coral de adolescentes da Unibes emocionou os presentes ao interpretar uma canção com harmonia impecável.

 

Manifestação violenta em São Paulo

Na véspera, 6 de outubro, durante uma homenagem ao Major da reserva da IDF Rafael Rozenszajn na Câmara Municipal de São Paulo, promovida pela vereadora Cris Monteiro, cinco pessoas infiltradas pró-Palestina interromperam o discurso do Major, levantando-se para gritar e tentar erguer bandeiras da Palestina. O ato gerou pânico entre os presentes da comunidade judaica.

Homenagem ao major da reserva das Forças de Defesa de Israel, Rafael Rozenszajn, na Câmara Municipal de São Paulo. (Foto: Silas Anastácio)

No local também estavam católicos e evangélicos em homenagem ao Major. A ação rápida da polícia e dos seguranças conteve a manifestação violenta, que colocou em risco judeus, católicos e evangélicos e repercutiu nos jornais de todo o país.

 

Mensagens Marcantes

Maurício Wenick (sobrevivente):

“Quero deixar registrado que a nossa vontade de viver seja maior que a nossa dor. Que possamos honrar as vítimas e rezar por um futuro melhor. Que esse dia seja um marco para toda a comunidade judaica, em Israel e no mundo. Espero que, ao longo dos anos, se torne um marco positivo, porque é isso que as vítimas desejariam: que tivéssemos um futuro melhor.”

Célia Parnes (Presidente da Fisesp):

“A mensagem é para as novas gerações, nesse memorial, nesse espaço, com a presença das escolas, e um alerta para toda a sociedade — não apenas para a comunidade judaica, mas para toda a sociedade brasileira — sobre o risco da discriminação, do crescente antissemitismo, do radicalismo e do extremismo, e o impacto que isso tem causado no mundo.”

Gili Vilian (Cônsul de Israel em São Paulo):

“7 de outubro para nós ainda é uma ferida aberta. Nunca cicatrizou. Não somos mais os mesmos — nem como povo judeu, nem como povo israelense. Ainda temos pessoas que lutam por nós todos os dias, deixando famílias para trás para nos manter vivos. Muitos seguem feridos, física e mentalmente, lutando por suas vidas. Mas o que queremos é que o mundo saiba a verdade: que Israel e o povo judeu buscam o amor e acreditam que a vida é o bem mais precioso. Queremos apenas que a verdade seja conhecida e que as mentiras não sejam acreditadas.”

Rabino Guershi Goldsztajn:

“Hoje é um dia que devemos sempre lembrar e jamais esquecer. Assim como o Holocausto, infelizmente vivemos um novo episódio trágico: o 7 de outubro.

Recordamos nossos heróis e refletimos: se o Holocausto foi o preço que pagamos por não termos ainda a nossa terra de Israel, talvez o 7 de outubro tenha sido o preço que pagamos por já a termos conquistado.

Nossa história nunca foi fácil. Quanto mais tentam nos atingir, mais nos erguemos. Precisamos sempre lembrar, homenagear e seguir em frente, porque a nossa história ninguém jamais conseguirá apagar.”

 

Silas Anastácio (@silasas15) é uma figura de destaque no fomento das relações entre o Brasil e Israel. Autor, articulador, palestrante e estrategista institucional, trabalha para fortalecer o diálogo entre líderes, defender a liberdade religiosa e combater o antissemitismo. Suas iniciativas interligam as esferas cultural, diplomática e social, reforçando a cooperação entre comunidades e instituições.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Instituto Weizmann oferece bolsa de pós-doutorado para brasileiros em Israel

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições