Silas Anastácio

Silas Anastácio

Fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico atuante há mais de 10 anos em temas sobre Israel e a comunidade judaica. Também tem papel estratégico na mídia evangélica, fortalecendo os valores da fé cristã.

Hebraica reúne 500 pessoas para debate sobre Israel, Gaza e guerra de narrativas

Cerca de 500 pessoas acompanharam discussão sobre a guerra em Gaza, a crise humanitária e a disputa de narrativas, com destaque para o papel do jornalismo.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: terça-feira, 27 de outubro de 2026 às 16:51
Major Rafael Rozenszajn autografa seu livro durante encontro na Hebraica, em São Paulo. (Foto: Nathalie Zveibil Coifman/Nathi.Photos)
Major Rafael Rozenszajn autografa seu livro durante encontro na Hebraica, em São Paulo. (Foto: Nathalie Zveibil Coifman/Nathi.Photos)

Cerca de 500 pessoas participaram de um encontro realizado na Hebraica, em São Paulo, que reuniu o major da reserva das Forças de Defesa de Israel (IDF), Rafael Rozenszajn, e a jornalista Danuza Mattiazzi para uma discussão aprofundada sobre a guerra entre Israel e o Hamas, a influência da informação em tempos de conflito e os desafios geopolíticos do Oriente Médio.

Conduzido em formato de entrevista, o encontro abordou temas como terrorismo, segurança, ajuda humanitária, democracia, jornalismo e a intensa disputa de narrativas que se consolidou após os ataques de 7 de outubro de 2023.

O auditório recebeu um público diversificado, formado por judeus, evangélicos, católicos e representantes de diferentes segmentos da sociedade. A ampla participação demonstrou o crescente interesse do público brasileiro pelos acontecimentos no Oriente Médio e pelas questões que impactam diretamente o debate político e social contemporâneo. O evento ocorreu em um momento particularmente relevante para o Brasil, às vésperas de um novo ciclo eleitoral que ajudará a definir os rumos do país nos próximos anos.

Ao lado de Rafael Rozenszajn, destacou-se o trabalho de Marcia Kelner Polisuk, psicóloga, sionista e defensora do fortalecimento das relações entre Brasil e Israel. Responsável por idealizar e coordenar a vinda do porta-voz israelense ao país, Marcia desempenhou papel fundamental na realização do evento, liderando os esforços de organização em conjunto com sua equipe e com o time de comunicação da agência Digital Trix, responsável pela assessoria de imprensa e divulgação da iniciativa.

A iniciativa liderada por Marcia tem contribuído para ampliar o acesso do público brasileiro a debates sobre Israel, segurança internacional, comunicação estratégica e geopolítica, promovendo encontros que reúnem especialistas, jornalistas e representantes de diferentes setores da sociedade.

Rafael Rozenszajn é o primeiro porta-voz da história das Forças de Defesa de Israel em língua portuguesa, major da reserva da IDF e autor dos livros "A Guerra de Narrativas", best-seller voltado à análise da batalha pela opinião pública, e "As 10 Leis da Comunicação Estratégica", lançado recentemente. Com trajetória consolidada como advogado militar, promotor militar e assessor jurídico em diferentes unidades das Forças de Defesa de Israel, tornou-se uma das principais vozes israelenses voltadas ao público lusófono.

Major Rafael Rozenszajn e a jornalista Danuza Mattiazzi durante encontro na Hebraica, em São Paulo. (Foto: Nathalie Zveibil Coifman/Nathi.Photos)

Já Danuza Mattiazzi atua como repórter internacional da Globo e da GloboNews em Israel, tendo participado da cobertura da guerra entre Israel e Irã. Também é enviada especial da SIC TV Portugal para o Oriente Médio. Durante o evento, compartilhou experiências acumuladas em campo, relatando observações feitas em Israel, na Cisjordânia e em áreas próximas à Faixa de Gaza, enriquecendo o debate com a perspectiva de quem acompanha de perto os desdobramentos dos conflitos na região.

Narrativas, números e a disputa pela verdade

Um dos principais temas da noite foi a discussão sobre os números de vítimas da guerra em Gaza.

Segundo Rozenszajn, parte significativa das estatísticas reproduzidas internacionalmente tem origem em órgãos controlados ou influenciados pelo Hamas, o que, em sua avaliação, exige cautela na interpretação dos dados.

O porta-voz argumentou que os relatórios frequentemente divulgados não distinguem adequadamente civis, combatentes, mortes naturais ou vítimas de foguetes palestinos que falharam e atingiram áreas da própria Faixa de Gaza.

Durante sua exposição, defendeu que qualquer análise séria do conflito precisa considerar esses fatores para permitir uma compreensão mais precisa do impacto humano da guerra.

"O nosso compromisso precisa ser com os fatos", afirmou ao longo da apresentação.

Proporcionalidade e guerra urbana

Rozenszajn também abordou a questão da proporcionalidade militar, tema recorrente nas críticas internacionais contra Israel.

Segundo ele, aproximadamente 25 mil integrantes de grupos terroristas teriam sido eliminados pelas forças israelenses desde o início da guerra. Com base nesse cálculo, afirmou que a relação entre mortes de civis e combatentes seria significativamente inferior à observada em outros conflitos urbanos contemporâneos.

Para sustentar sua argumentação, citou estudos e relatórios internacionais sobre guerras travadas em áreas densamente povoadas e destacou medidas adotadas por Israel para reduzir danos à população civil.

Entre elas, mencionou a criação de corredores humanitários, a delimitação de zonas de evacuação, o envio de milhões de mensagens e ligações telefônicas em árabe orientando deslocamentos de civis e o cancelamento de operações militares quando a presença inesperada de civis é identificada.

O desafio de investigar erros em tempos de guerra

Durante a conversa, Danuza Mattiazzi levantou uma questão frequentemente presente nos debates internacionais: os erros militares cometidos durante operações de combate.

A jornalista citou episódios amplamente noticiados envolvendo equipes médicas, ambulâncias e trabalhadores humanitários, questionando como Israel lida com casos em que versões iniciais divulgadas pelas autoridades são posteriormente revisadas.

Em resposta, Rozenszajn reconheceu que erros ocorrem em qualquer conflito armado.

"Não existem guerras sem erros porque guerras são conduzidas por seres humanos", afirmou.

Segundo ele, a principal diferença entre um Estado democrático e organizações terroristas está na forma como os erros são tratados. O porta-voz defendeu que alegações fundamentadas são investigadas por mecanismos independentes e que militares israelenses já foram responsabilizados em situações em que irregularidades foram constatadas.

A crise humanitária e os alimentos em Gaza

A questão humanitária ocupou parte significativa do debate.

Mattiazzi relembrou visitas realizadas a centros logísticos próximos à Faixa de Gaza e relatou ter observado grandes quantidades de ajuda humanitária aguardando distribuição.

Rozenszajn sustentou que Israel cumpre suas obrigações internacionais ao permitir a entrada de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais no território palestino.

Segundo ele, o principal obstáculo está na distribuição interna dos suprimentos.

Em sua avaliação, parte dos alimentos seria desviada pelo Hamas, que utilizaria esse controle para manter sua influência sobre a população e financiar suas atividades.

"Há pessoas passando fome em Gaza. Isso é um fato. Mas o problema não é a entrada dos alimentos. O problema é a distribuição", afirmou.

Ao mesmo tempo, reconheceu a gravidade da situação enfrentada por milhares de civis palestinos em meio ao conflito.

Democracia, convivência e acusações de apartheid

As acusações de apartheid dirigidas a Israel também entraram em pauta.

Rozenszajn apresentou dados demográficos para defender que a população árabe israelense cresceu significativamente desde a independência do país, argumentando que essa realidade seria incompatível com a definição clássica de apartheid.

Mattiazzi compartilhou experiências de reportagens realizadas em cidades árabes israelenses e projetos educacionais que promovem a convivência entre judeus e muçulmanos.

A jornalista destacou iniciativas de integração e escolas bilíngues que buscam fortalecer a coexistência em uma sociedade profundamente impactada pelos acontecimentos recentes.

Major Rafael Rozenszajn (à esquerda), acompanhado de um convidado e de Marcia Kelner Polisuk, durante evento na Hebraica, em São Paulo. (Foto: Nathalie Zveibil Coifman/Nathi.Photos)

"Não é uma realidade de preto e branco", observou, ressaltando as inúmeras nuances presentes na sociedade israelense.

Histórias pessoais e a dimensão humana do conflito

Nos momentos finais do encontro, o debate ganhou um caráter mais pessoal.

Rozenszajn apresentou ao público a tradução de um documento encontrado com um integrante do Hamas durante a guerra e utilizou o exemplo para ilustrar a visão israelense sobre o caráter ideológico da organização.

Em seguida, leu trechos da carta deixada por um jovem reservista israelense morto em combate na Faixa de Gaza.

A mensagem falava sobre dever, família, amizade e sacrifício, emocionando parte da plateia.

O major também compartilhou aspectos de sua vida pessoal, mencionando o orgulho de ver seu filho ingressar recentemente em uma unidade de elite das Forças de Defesa de Israel após anos de preparação.

Para ele, a principal força de Israel continua sendo a união de sua sociedade diante dos desafios existenciais enfrentados pelo país.

O papel do jornalismo e da informação

A jornalista destacou as dificuldades de se obter informações independentes em zonas de conflito, onde o acesso de repórteres internacionais muitas vezes é limitado e a checagem das versões apresentadas por governos, exércitos e grupos armados exige rigor redobrado. Sua experiência em campo contribuiu para ampliar a discussão sobre o papel do jornalismo na busca por informações verificadas em um ambiente marcado pela velocidade das redes sociais e pela intensa disputa de narrativas.

Para Rafael Rozenszajn, o grande desafio atual não é apenas responder às críticas direcionadas a Israel, mas garantir espaço para apresentar dados, contextualizações e a visão israelense sobre os acontecimentos.

Ao final do encontro, ficou evidente que a guerra entre Israel e o Hamas ultrapassa o campo militar. Trata-se também de uma disputa travada no terreno da informação, da opinião pública e da legitimidade perante a comunidade internacional, onde narrativas, percepções e fatos desempenham papel decisivo.

O evento foi encerrado sob aplausos de um público de aproximadamente 500 pessoas, refletindo o crescente interesse dos brasileiros pelos desdobramentos do conflito e por temas como segurança, democracia, terrorismo, direitos humanos e comunicação estratégica em um dos cenários mais complexos da geopolítica contemporânea.

Para enriquecer esta cobertura, recebemos uma seleção exclusiva de imagens registradas pela fotógrafa Nathalie Zveibil Coifman, da Nathi.Photos, que documentou os principais momentos do encontro. Os registros capturam a atmosfera do debate e a expressiva participação do público presente na Hebraica.

 

Silas Anastácio (@silasas15) é uma figura de destaque no fomento das relações entre o Brasil e Israel. Autor, articulador, palestrante e estrategista institucional, trabalha para fortalecer o diálogo entre líderes, defender a liberdade religiosa e combater o antissemitismo. Suas iniciativas interligam as esferas cultural, diplomática e social, reforçando a cooperação entre comunidades e instituições.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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