Ato de Yom HaShoá reúne gerações e emociona público no Memorial do Holocausto de São Paulo

Evento marcou a abertura de exposição sobre os “bebês de Dachau”.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: terça-feira, 14 de abril de 2026 às 16:30
Sarita Mucinic Sarue, coordenadora educacional do Memorial do Holocausto. (Foto: Felipe Araújo)
Sarita Mucinic Sarue, coordenadora educacional do Memorial do Holocausto. (Foto: Felipe Araújo)

No último dia 13 de abril, o Memorial do Holocausto e da Imigração Judaica de São Paulo foi palco de uma cerimônia profundamente comovente e significativa: o Ato de Yom HaShoá. Realizado pela comunidade judaica paulista, o evento reuniu centenas de pessoas.

 

Entre os presentes, destacaram-se a expressiva participação de jovens, além de sobreviventes do Holocausto, lideranças comunitárias, autoridades e representantes da sociedade civil.

 

A abertura foi marcada por falas institucionais que ressaltaram a importância da memória como instrumento ativo de conscientização. O presidente da CONIB, Claudio Lottenberg, destacou que lembrar o Holocausto também significa assumir um compromisso com o presente: “O Yom HaShoá não pode ser apenas memória, ele tem que ser sempre um sinal de alerta”.

 

Em sua fala, enfatizou que tragédias como essa começam muito antes dos atos extremos — nas palavras, na indiferença e na naturalização do preconceito.

 

Na sequência, a presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Célia Parnes, trouxe uma reflexão sobre o peso simbólico do local e da história construída naquele território. Ao mencionar o bairro do Bom Retiro como espaço de reconstrução de vidas após a guerra, reforçou o papel do Memorial como guardião da verdade em tempos de distorção dos fatos.

“Lembrar é uma escolha e um exercício constante”, afirmou, destacando a importância de preservar a memória como um compromisso coletivo.

O momento mais marcante da noite foi o depoimento do sobrevivente George Legmann, que emocionou o público ao compartilhar sua trajetória. Nascido no campo de concentração de Dachau Concentration Camp, em 1944, ele integra o grupo conhecido como os “bebês de Dachau”, crianças que sobreviveram após nascerem em campos nazistas.

O sobrevivente do Holocausto, George Legmann. (Foto: Felipe Araújo)

Seu testemunho ecoou como símbolo de resistência e continuidade: “Sou prova viva de que a vida pode florescer mesmo em meio ao horror mais absoluto. Estou aqui porque alguém acreditou que um bebê podia sobreviver, e isso me deu o dever de contar essa história.”

A cerimônia foi conduzida por Sarita Mucinic Sarue e contou ainda com falas do cônsul de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich; do rabino Toive Weitman; de André Lajst; e de jovens do Conselho Juvenil Sionista.

Rabino Toive Weitman. (Foto: Felipe Araújo)

Em comum, todos reforçaram a importância da educação e da construção de um olhar crítico sobre a Shoá como forma de combater o negacionismo, o antissemitismo e todas as formas de intolerância.

Também houve consenso entre as lideranças quanto à importância da existência de Israel como lar nacional do povo judeu — símbolo de continuidade, segurança e autodeterminação.

O encerramento foi marcado por um momento de intensa emoção: seis velas foram acesas em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas, em um ritual conduzido por sobreviventes, acompanhados por jovens.

A cena simbolizou, de forma tocante, a transmissão do legado da memória às novas gerações.

Após a cerimônia solene, o público presente teve a oportunidade de participar da inauguração da exposição “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaufering 1, Dachau”, apresentada pelo sobrevivente George Legmann.

Exposição “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaufering 1, Dachau”, inaugurada após a cerimônia. (Foto: Felipe Araújo)

Idealizada pelo Dachau Memorial Site, na Alemanha, a mostra apresenta um dos episódios mais singulares da história do Holocausto: o nascimento e a sobrevivência de sete bebês em um sistema criado para a morte.

Composta por 37 painéis com documentos e registros históricos, a exposição convida o público a refletir sobre vida, resistência e humanidade em meio à barbárie.

O Ato de Yom HaShoá reafirmou o compromisso da comunidade judaica paulista com a preservação da memória do Holocausto e com a luta permanente contra o ódio e a intolerância — mostrando, mais uma vez, que lembrar também é resistir.

 

Silas Anastácio é fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico com sólida atuação há mais de uma década em temas relacionados ao Estado de Israel e à comunidade judaica. Também desempenha papel estratégico nos bastidores da mídia evangélica, contribuindo para a articulação e divulgação de conteúdos que fortalecem os valores da fé cristã.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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