Instituto em SP resgata história bíblica e raízes da civilização ocidental

O IBArq, em São Paulo, aproxima o público da arqueologia bíblica e das civilizações antigas por meio de acervo, pesquisas e atividades educativas.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: terça-feira, 23 de junho de 2026 às 17:49
Thiago Minc Cinato, um dos fundadores e curador do acervo do IBArq. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)
Thiago Minc Cinato, um dos fundadores e curador do acervo do IBArq. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)

Em um tempo marcado por debates sobre identidade, cultura e memória histórica, cresce o interesse por compreender as origens da civilização ocidental e o contexto em que surgiram os textos bíblicos que influenciaram gerações ao longo de milênios.

É nesse cenário que atua o Instituto Bíblico de Arqueologia (IBArq), em São Paulo. A instituição é dedicada ao estudo da arqueologia bíblica, da história antiga e das culturas que habitaram o Oriente Médio e o Mediterrâneo, contribuindo para aproximar o público dos contextos históricos, culturais e geográficos dos diversos povos da região.

Thiago Minc Cinato ao lado do pastor e hebraísta Luiz Sayão. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)

O acervo do instituto reúne, em seu museu, mais de 600 peças entre originais e réplicas arqueológicas, representando civilizações como judeus, egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos e romanos. Entre os itens expostos estão artefatos relacionados ao cotidiano, à religião, à política e à vida social dos povos da Antiguidade, além de mapas, maquetes e outros recursos pedagógicos, permitindo aos visitantes uma experiência concreta de aproximação com a história.

Entre os destaques do acervo estão reproduções dos jarros de Qumran, associados à descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, da Estela de Tel Dan – considerada uma das principais evidências arqueológicas relacionadas ao rei Davi e à sua dinastia –, além de lamparinas, moedas, utensílios e outros artefatos que ajudam a reconstruir o cotidiano dos povos bíblicos.

O instituto promove visitas guiadas ao acervo, palestras, exposições temáticas e itinerantes, viagens de estudo com foco histórico e arqueológico, além de outras atividades educativas voltadas a escolas, universidades, igrejas, sinagogas e ao público em geral.

Acervo IBArq. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)

À frente do projeto está Thiago Minc Cinato, um dos fundadores e curador do acervo. Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, possui especialização em Direito Internacional e é licenciando em História pela mesma instituição. Também possui pós-graduação em História, Geografia e Arqueologia Bíblica, com certificação da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Ao ser questionado sobre a importância da Bíblia para a sociedade contemporânea, Thiago destaca:

“A Bíblia é um dos documentos mais influentes da história da humanidade. Independentemente da fé de cada pessoa, ela ajudou a moldar valores, instituições e conceitos que impactam nossa sociedade até hoje.

Podemos citar, por exemplo, a noção de que todo ser humano possui dignidade intrínseca por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26-27), conceito que exerceu profunda influência na formação de princípios éticos e jurídicos posteriormente incorporados aos direitos humanos modernos.

Acervo IBArq. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)

Por isso, a Bíblia merece ser estudada, preservada e compreendida dentro de seu contexto histórico.”

Segundo ele, um dos objetivos do IBArq é justamente promover uma compreensão mais profunda da história bíblica por meio da arqueologia, da pesquisa histórica e das evidências materiais deixadas pelos povos antigos.

Além da preservação e do estudo do passado, o IBArq também busca incentivar reflexões sobre desafios contemporâneos. Entre os temas abordados está o crescimento do antissemitismo em diversas partes do mundo.

“Após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, observamos um aumento significativo do antissemitismo e uma crescente confusão entre o povo judeu, o Estado de Israel e as decisões políticas de governos específicos, fenômeno que frequentemente alimenta preconceitos e generalizações. Nosso objetivo é contribuir para uma compreensão histórica mais equilibrada, combatendo a desinformação e promovendo o diálogo.”

Acervo IBArq. (Foto: César Cinato / Thiago Minc Cinato)

Para isso, o IBArq tem ampliado suas exposições e conteúdos relacionados à história moderna da Terra de Israel, ao surgimento do Estado israelense e às complexidades do conflito no Oriente Médio, sempre buscando apresentar diferentes perspectivas e estimular o pensamento crítico.

Mais do que preservar artefatos antigos, o Instituto Bíblico de Arqueologia se propõe a conectar passado e presente, oferecendo ao público uma oportunidade de compreender melhor as civilizações que moldaram parte significativa da história humana e continuam influenciando o mundo atual.

 

Silas Anastácio (@silasas15) é referência na promoção das relações Brasil-Israel. Escritor, palestrante e articulador, fortalece o diálogo entre lideranças, defende a liberdade religiosa e combate o antissemitismo, conectando universos cultural, diplomático e social.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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