Seis em cada dez judeus nos EUA relatam maior insegurança após ataque do Hamas

Pesquisa aponta que seis em cada dez judeus americanos se sentem menos seguros desde os ataques do Hamas em 7 de outubro e relatam aumento do antissemitismo nos EUA.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: terça-feira, 14 de julho de 2026 às 17:49
A presidente do Conselho Municipal de Nova York, Julie Menin (ao centro, à esquerda), visita uma sinagoga que foi pichada com uma suástica, no Queens, cidade de Nova York, em 4 de maio de 2026. (Cortesia/Gabinete da Presidente do Conselho Municipal de Nov
A presidente do Conselho Municipal de Nova York, Julie Menin (ao centro, à esquerda), visita uma sinagoga que foi pichada com uma suástica, no Queens, cidade de Nova York, em 4 de maio de 2026. (Cortesia/Gabinete da Presidente do Conselho Municipal de Nov

Uma pesquisa conduzida pelo Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research e divulgada pelo Times of Israel, mostra que seis em cada dez judeus americanos afirmam sentir-se menos seguros desde os ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.

O estudo destaca como as atitudes em relação à própria segurança mudaram em um curto período, em meio ao aumento do antissemitismo e às crescentes críticas à aliança dos Estados Unidos com Israel.

O estudo ressalta que a guerra em Gaza desencadeou protestos nos Estados Unidos contra as ações militares de Israel, além de manifestações pedindo a destruição do Estado judeu. Esse cenário coincidiu com o aumento de ataques violentos contra comunidades judaicas no país, intensificando a sensação de vulnerabilidade.

Sensação de insegurança cresce

Segundo o levantamento, cerca de 60% dos judeus nos Estados Unidos relatam que sua percepção de segurança diminuiu desde os ataques. A pesquisa também mostra que 30% sofreram ou conhecem familiares que foram vítimas de agressão física, insultos, assédio online ou tiveram propriedades vandalizadas por serem judeus.

Preocupação generalizada

Cerca de seis em cada dez judeus adultos dizem que o preconceito contra judeus é um problema “extremamente sério” ou “muito sério” nos Estados Unidos hoje. Esse sentimento é ainda mais forte entre aqueles que afirmam ter uma ligação emocional intensa com Israel. Além disso, uma parcela significativa relata estar menos propensa a usar símbolos religiosos ou culturais que os identifiquem como judeus em público, por receio de hostilidade.

Judeus divididos sobre protestos anti-Israel

O estudo revela uma divisão significativa dentro da comunidade judaica americana:

- Metade dos entrevistados acredita que protestos contra Israel não configuram antissemitismo.

- Quatro em cada dez consideram que sim.

- Dois terços afirmam que criticar ações militares de Israel não é antissemitismo, embora judeus com maior ligação emocional ao país tendam a interpretar essas críticas como preconceito.

Essa divisão mostra como o tema se tornou um ponto sensível, especialmente diante dos protestos nos EUA contra as ações militares de Israel em Gaza, alguns deles acompanhados de discursos pedindo a destruição do Estado judeu.

Tipos de ataques relatados

Entre os incidentes mais comuns estão:

- Agressões físicas (10%).

- Vandalismo contra propriedades judaicas.

- Insultos e assédio online (20%).

- Ataques mais frequentes contra judeus que frequentam sinagogas regularmente.

Consenso sobre o que é antissemitismo

Apesar das divergências, há consenso em alguns pontos. A maioria dos judeus americanos considera antissemitismo:

- Vandalizar sinagogas ou negócios judaicos.

- Negar o Holocausto.

- Responsabilizar judeus nos EUA pelas ações de Israel.

- Afirmar que Israel não deveria existir como Estado judeu.

- Dizer que judeus americanos são mais leais a Israel do que ao próprio país.

Contexto militar

Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), desde o início da guerra em Gaza foram mortos mais de 23.000 combatentes no território e outros 1.600 terroristas dentro de Israel durante o ataque de 7 de outubro.

 

Silas Anastácio (@silasas15) é referência na promoção das relações Brasil-Israel. Escritor, palestrante e articulador, fortalece o diálogo entre lideranças, defende a liberdade religiosa e combate o antissemitismo, conectando universos cultural, diplomático e social.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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