A onda de protestos contra o aumento do custo de vida e os problemas no sistema educacional da França, registrada no último fim de semana, foi marcada por episódios de violência, saques e vandalismo em diversas cidades do país. Entre os locais atingidos estão uma sinagoga em Paris e estabelecimentos comerciais de proprietários judeus em Marselha.
Segundo o Times of Israel, que reproduziu informações da agência Jewish Telegraphic Agency (JTA), a sinagoga Ohalei Yaakov, localizada no 19º distrito de Paris, foi invadida e vandalizada durante a noite de sábado (17) para domingo (18).
No interior do espaço religioso, livros de oração, tefilin — objetos utilizados nas orações judaicas — e outros materiais foram encontrados espalhados pelo chão. O escritório do rabino também foi revirado. Apesar dos danos, os rolos da Torá permaneceram intactos.
Um integrante do comitê da sinagoga afirmou que o episódio apresenta características de uma tentativa de roubo. Segundo ele, os invasores possivelmente procuravam dinheiro, embora não tenha sido constatado o desaparecimento de objetos de valor.
Em Marselha, estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus foram incendiados durante os distúrbios que atingiram a cidade.
Protestos e violência
As manifestações começaram com mobilizações estudantis contra as condições de ensino e ganharam dimensão nacional, incorporando reivindicações relacionadas ao aumento do custo de vida e à situação econômica do país.
Segundo estimativas divulgadas pela imprensa, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram dos protestos em diversas cidades francesas.
Os episódios de violência resultaram em saques, vandalismo, incêndios em prédios públicos, feridos e milhares de detenções. Relatos divulgados pelo Times of Israel apontaram aproximadamente 2 mil estabelecimentos comerciais saqueados ou vandalizados.
Comunidade judaica e preocupação com a segurança
Bandeiras palestinas e keffiyehs, lenços tradicionalmente associados à identidade palestina, foram vistos em manifestações realizadas durante os protestos.
Entretanto, o Serviço de Proteção da Comunidade Judaica (SPCJ), organização francesa responsável pelo acompanhamento de questões de segurança da comunidade, informou que não havia evidências de que os estabelecimentos e instituições judaicas tivessem sido deliberadamente escolhidos como alvos.
Embora não esteja comprovada uma motivação antissemita nesses episódios, os danos registrados em locais ligados à comunidade judaica reacendem preocupações com a segurança de instituições religiosas e de minorias em períodos de instabilidade social.
Silas Anastácio (@silasas15) é uma figura de destaque no fomento das relações entre o Brasil e Israel. Autor, articulador, palestrante e estrategista institucional, trabalha para fortalecer o diálogo entre líderes, defender a liberdade religiosa e combater o antissemitismo. Suas iniciativas interligam as esferas cultural, diplomática e social, reforçando a cooperação entre comunidades e instituições.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: Vereadora homenageia major Rafael Rozenszajn em solenidade na Câmara Municipal de SP
