A Colômbia inaugurou, na quarta-feira (14), sua embaixada em Jerusalém, tornando-se o décimo país a estabelecer uma representação diplomática na cidade considerada a capital de Israel.
A decisão marca uma mudança histórica na política externa colombiana, após o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países durante o governo do ex-presidente Gustavo Petro.
A reaproximação foi promovida pelo novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em agosto deste ano.
Além da abertura da embaixada, o governo restabeleceu o acordo de livre comércio com Israel, encerrando parte das medidas adotadas pela administração anterior.
A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula Escobar, e de seu homólogo israelense, Gideon Sa'ar.
Durante o evento, Sa'ar afixou uma mezuzá na entrada do prédio e destacou o significado político e histórico da decisão colombiana.
“Esta é a décima embaixada a abrir em Jerusalém. Quando assumi o cargo, há menos de dois anos, havia apenas cinco. Este é um marco importante e uma grande conquista diplomática”, disse.
Segundo a Reuters, Sa'ar também declarou que “abrir uma embaixada em Jerusalém não é apenas o reconhecimento do simples fato político de que Jerusalém é a capital de Israel. É também o reconhecimento de uma verdade histórica que nenhuma pessoa honesta pode negar”.
Relações que nunca deveriam ter sido rompidas
O chanceler colombiano afirmou que a abertura da embaixada representa uma nova etapa de cooperação entre os países, especialmente nas áreas de segurança, comércio, tecnologia e investimentos.
“Hoje, estamos dando um passo concreto para restaurar as relações diplomáticas entre nossos países, relações que nunca deveriam ter sido rompidas”, declarou Omar Bula Escobar.
“Israel é um parceiro estratégico. Sempre foi e, a partir de agora, será um parceiro ainda mais forte”, acrescentou.
O governo colombiano também destacou que a nova representação diplomática, liderada pela embaixadora Tania Gilinski, deverá ampliar a cooperação em inteligência artificial, inovação, segurança e transferência de tecnologia.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, os dois países mantêm uma parceria histórica de quase sete décadas, que agora deverá ser fortalecida com novos projetos bilaterais.
Governo anterior rompeu relações com Israel
Em maio de 2024, o então presidente Gustavo Petro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Israel em protesto contra as operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Na ocasião, Petro criticou duramente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, determinou o fechamento da embaixada colombiana em Tel Aviv e convocou o retorno do embaixador.
O governo israelense condenou a decisão, classificando-a como antissemita e afirmando que representava uma recompensa ao Hamas.
Com a chegada de De la Espriella à Presidência, em agosto de 2026, a Colômbia iniciou a retomada das relações diplomáticas.
Na terça-feira (13), um dia antes da inauguração da embaixada, os dois governos formalizaram o restabelecimento do acordo de livre comércio, por meio de uma troca de notas diplomáticas.
O chanceler israelense comemorou a rapidez da reaproximação.
“Em apenas dois meses, revertemos as consequências negativas da administração Petro nas relações entre Israel e Colômbia e até abrimos novos caminhos”, afirmou Sa'ar, em comunicado oficial.
Ele também agradeceu ao presidente colombiano por sua determinação em elevar as relações bilaterais a um novo patamar.
Jerusalém ganha mais uma embaixada estrangeira
Com a decisão, a Colômbia passa a integrar o grupo de países que mantêm suas embaixadas em Jerusalém, em vez de Tel Aviv, onde permanece a maioria das representações diplomáticas estrangeiras.
A transferência de embaixadas para Jerusalém ganhou impulso em 2018, quando os EUA, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, inauguraram sua representação diplomática na cidade.
Desde então, países como Guatemala, Honduras e Paraguai também estabeleceram embaixadas em Jerusalém.
Israel considera Jerusalém sua capital, enquanto os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como capital de um futuro Estado palestino. Por isso, seu status diplomático permanece entre as questões mais controversas do conflito israelense-palestino.
A decisão colombiana também provocou críticas da liderança palestina, que considera a medida incompatível com o status jurídico internacional da cidade.
Para o governo de Israel, a inauguração representa mais um avanço no reconhecimento internacional de Jerusalém como capital do Estado judeu.
