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Colômbia deixa processo movido pela África do Sul que acusa Israel de genocídio

Decisão do governo de Abelardo de la Espriella faz parte de uma mudança na política externa colombiana, que restabeleceu as relações diplomáticas com Israel.

Fonte: Guiame, com informações da EFEAtualizado: quinta-feira, 24 de setembro de 2026 às 14:53
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, cujo governo promove uma mudança na política externa do país. (Foto: Reprodução/YouTube/DE LA ESPRIELLA STYLE)
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, cujo governo promove uma mudança na política externa do país. (Foto: Reprodução/YouTube/DE LA ESPRIELLA STYLE)

O governo da Colômbia retirou oficialmente sua declaração de intervenção no processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em mais uma mudança na política externa do país após a posse do presidente Abelardo de la Espriella.

A decisão foi comunicada à Corte em 18 de setembro e confirmada pelo tribunal internacional no dia 22, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

“O Governo da Colômbia comunicou ao Secretário da Corte Internacional de Justiça a retirada de sua Declaração de Intervenção apresentada em 5 de abril de 2024”, informou a chancelaria colombiana.

Segundo o governo, a decisão foi tomada dentro da atribuição constitucional do presidente da República de conduzir as relações internacionais do país.

A declaração havia sido apresentada durante o governo do ex-presidente Gustavo Petro, que adotou uma postura fortemente crítica a Israel durante a guerra na Faixa de Gaza e rompeu as relações diplomáticas com o país em maio de 2024.

Mudança na relação com Israel

A retirada ocorre pouco mais de um mês depois da posse de Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto. O novo presidente iniciou uma ampla reaproximação diplomática com Israel, revertendo medidas adotadas pela administração anterior.

Antes mesmo da posse, representantes dos dois governos acertaram uma série de medidas para reconstruir as relações bilaterais, incluindo o restabelecimento pleno dos laços diplomáticos, a nomeação de embaixadores e a retomada da isenção de vistos para turistas dos dois países.

Também foram discutidas a retomada das exportações colombianas de carvão para Israel e a ampliação da cooperação nas áreas econômica e de segurança.

Durante encontro com De la Espriella em agosto, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou que os dois países discutiram medidas práticas para fortalecer as relações diplomáticas, econômicas e de segurança.

Entre os compromissos negociados pelos dois governos já estava justamente a retirada da participação colombiana no processo apresentado pela África do Sul contra Israel na CIJ.

O que significa a retirada

A Colômbia não era autora da ação contra Israel. O processo foi apresentado pela África do Sul em dezembro de 2023, sob a alegação de que Israel teria violado obrigações previstas na Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio durante a guerra em Gaza. Israel rejeita a acusação.

Em abril de 2024, a Colômbia apresentou uma declaração de intervenção com base no artigo 63 do Estatuto da CIJ. Esse mecanismo permite que países signatários de uma convenção internacional intervenham em processos que envolvam a interpretação daquele tratado.

Portanto, a retirada colombiana significa que Bogotá deixa de participar dessa forma do processo, mas não encerra nem retira a ação apresentada pela África do Sul, que continua tramitando na Corte.

A própria chancelaria colombiana ressaltou que a decisão também não retira o país da Convenção contra o Genocídio.

“A retirada da Declaração de Intervenção não modifica a condição da Colômbia como Estado Parte da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, nem afeta a vigência, o alcance ou a força vinculante das obrigações internacionais assumidas”, informou o governo.

Reaproximação com Israel

A decisão representa uma mudança significativa em relação à política adotada por Gustavo Petro.

Após assumir o governo, De la Espriella restabeleceu os vínculos diplomáticos com Israel e avançou em medidas de aproximação entre os dois países. Desde 1º de setembro, cidadãos colombianos e israelenses voltaram a contar com isenção recíproca de visto para viagens de turismo.

Antes de assumir a Presidência, De la Espriella já havia declarado que pretendia restaurar a relação histórica entre os países.

“Colômbia restaurará e fortalecerá sua relação com o Estado de Israel como nunca antes. Israel pode contar com a Colômbia como um amigo leal e um aliado firme”, afirmou ele em junho.

A retirada da intervenção na CIJ concretiza mais um dos compromissos anunciados pelo novo governo dentro dessa reorientação diplomática.

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