Eleições em Israel: Apuração concluída deixa Netanyahu à frente, mas sem maioria

Com a contagem concluída, Netanyahu lidera as eleições em Israel, mas seu bloco fica com 53 cadeiras, abaixo da maioria de 61. Oposição de Eisenkot conquista 48 e partidos árabes somam 19.

Fonte: Guiame, com informações do Times of Israel e ReutersAtualizado: quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 16:56
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, cujo partido, o Likud, conquistou 27 cadeiras no Parlamento israelense. (Foto: Shalev Cohen/Unsplash)
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, cujo partido, o Likud, conquistou 27 cadeiras no Parlamento israelense. (Foto: Shalev Cohen/Unsplash)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, liderou as eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27), mas seu bloco político não conquistou a maioria necessária para formar um novo governo.

Apesar do resultado, Netanyahu permanecerá no cargo de primeiro-ministro durante as negociações para a formação de uma nova coalizão, até que um novo governo seja constituído.

Com a contagem dos votos concluída nesta quinta-feira (29), o bloco de Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Já os partidos de oposição liderados por Gadi Eisenkot conquistaram 48 cadeiras, enquanto as legendas árabes somaram 19.

Bloco de Netanyahu conquista 53 das 120 cadeiras do Parlamento israelense, mas fica sem maioria. (Fonte: Times of Israel)

Os números foram divulgados após o encerramento da contagem dos votos pela Comissão Eleitoral Central de Israel, incluindo os chamados envelopes duplos, utilizados principalmente por militares e outros eleitores autorizados a votar fora de suas seções habituais.

Embora a contagem tenha sido concluída, os resultados ainda passarão por verificações adicionais. A oficialização está prevista para quarta-feira, 4 de novembro.

Para garantir maioria absoluta no Knesset, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 parlamentares. Com 53 cadeiras, Netanyahu ficou oito abaixo desse número.

O resultado deixa em aberto a formação do próximo governo israelense, que dependerá das negociações entre os partidos.

Partidos religiosos e ultraortodoxos continuam exercendo influência

O Likud, partido de Netanyahu, conquistou 27 cadeiras, permanecendo como a maior legenda do Parlamento israelense. O Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, ficou em segundo lugar, com 21 parlamentares.

Entre os aliados de Netanyahu, os partidos religiosos e ultraortodoxos continuam exercendo influência na composição do bloco governista.

O Shas, representante principalmente de judeus ultraortodoxos de origem sefardita, conquistou seis cadeiras, enquanto o Judaísmo Unido da Torá, ligado a setores ultraortodoxos predominantemente asquenazes, obteve sete.

Outros aliados incluem o Otzma Yehudit (Poder Judaico), liderado por Itamar Ben-Gvir, com sete cadeiras, e a aliança Sionismo Religioso/Zehut, associada a Bezalel Smotrich, com seis.

Durante a etapa final da apuração, o Likud ganhou uma cadeira em relação às projeções anteriores, enquanto o Shas perdeu uma. A alteração, entretanto, não modificou o total de parlamentares do bloco de Netanyahu.

O desempenho dessas legendas será importante nas negociações para a formação do governo, especialmente diante de divergências sobre o serviço militar obrigatório para judeus ultraortodoxos e outras questões relacionadas à religião e ao Estado.

Partidos árabes conquistam 19 cadeiras

Os partidos árabes alcançaram juntos 19 cadeiras, ampliando sua representação no Parlamento israelense.

A Lista Conjunta conquistou 11 parlamentares, enquanto o Ra'am, liderado por Mansour Abbas, ficou com oito.

O resultado coloca essas legendas no centro das discussões sobre a possibilidade de formação de uma coalizão alternativa à de Netanyahu.

Yair Golan, líder dos Democratas, defendeu a participação do Ra'am em um futuro governo e admitiu a possibilidade de apoio externo da Lista Conjunta.

Entretanto, outros líderes da oposição manifestaram resistência a alianças com partidos árabes, o que dificulta a construção de uma maioria parlamentar.

Netanyahu, por sua vez, já se posicionou contra a formação de um governo dependente dessas legendas.

Até a conclusão da contagem, não havia sido anunciado um acordo de coalizão.

Como funcionam as eleições em Israel

Diferentemente do Brasil, onde os eleitores escolhem diretamente o presidente da República, Israel adota um sistema parlamentarista.

A população vota em listas partidárias para preencher as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Seus integrantes são chamados de deputados ou membros do Knesset (MKs, na sigla em inglês).

O país possui um Parlamento unicameral, ou seja, não há Senado. A distribuição das cadeiras segue o sistema de representação proporcional, com uma cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos.

Após a oficialização dos resultados, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consulta os partidos e escolhe o parlamentar que considera ter melhores condições de formar um governo.

O escolhido deverá negociar alianças para conquistar o apoio parlamentar necessário. Por isso, o partido mais votado não garante automaticamente o cargo de primeiro-ministro.

O processo pode levar semanas e, caso não seja possível formar uma coalizão, Israel poderá enfrentar um novo impasse político.

Formação do governo será próximo desafio

A eleição ocorreu em um cenário de intensas disputas políticas e debates sobre segurança nacional, economia e as consequências dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, além das guerras que envolveram Israel nos últimos anos.

As primeiras pesquisas de boca de urna, divulgadas pelos canais israelenses Kan 11, Canal 12 e Canal 13 na noite de terça-feira, já indicavam dificuldades para que os principais blocos alcançassem a maioria parlamentar.

O presidente Isaac Herzog pediu aos líderes políticos disposição para o diálogo, a fim de evitar a realização de novas eleições.

Entre as possibilidades discutidas está a formação de um governo de unidade nacional, que reuniria partidos de diferentes campos políticos. Entretanto, divergências entre Netanyahu, Eisenkot e outras lideranças dificultam essa alternativa.

Com a contagem encerrada, as atenções se voltam agora às negociações para a formação do próximo governo.

Até que uma nova administração seja constituída, Netanyahu permanece no cargo de primeiro-ministro.

A definição dependerá da capacidade dos partidos de construir alianças e assegurar apoio suficiente no Knesset.

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