“Sem o contexto judaico, a leitura da Bíblia fica incompleta”, diz historiador israelense

Em entrevista ao Guiame, Ariel Horovitz falou sobre a importância do conhecimento histórico e arqueológico do povo judeu no estudo da Palavra de Deus.

Fonte: Guiame, Marcos Corrêa e Cássia KiefferAtualizado: terça-feira, 23 de junho de 2026 às 20:03
Ariel Horovitz. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa).
Ariel Horovitz. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa).

O historiador e antropólogo israelense, Ariel Horovitz, afirmou que muitos cristãos perdem por não estudar a história de Israel para ter uma compreensão mais profunda da Bíblia.

Em entrevista ao Guiame, Ariel falou sobre a importância do conhecimento histórico e arqueológico do povo judeu no estudo da Palavra de Deus.

“É uma área que poucas pessoas no mundo conhecem. Eu já conheci pastores e teólogos que sabiam muito da Bíblia, mas não sabiam cronologia, não sabiam a geografia, não sabiam os achados arqueológicos que estão abrindo novos horizontes no conhecimento bíblico”, comentou ele.

Raízes judaicas do cristianismo

Horovitz, que é diretor da Moriah International Center, explicou que os leitores não entendem a totalidade do relato bíblico se não conhecem as raízes judaicas do cristianismo.

“Por exemplo, muitas pessoas conhecem a história da viúva que dá uma moeda [de oferta no templo]. Ontem mesmo eu tive nas minhas mãos a moeda original, chamada de prutá em hebraico, que é um centavo. Você já não precisa imaginar as histórias bíblicas. Você pode ver, pode tocar, pode ver inscrições. Você já não precisa imaginar reis, não precisa imaginar sinagogas. Você vê isso com seus próprios olhos. Então isso dá uma dimensão bem mais profunda da compreensão do texto bíblico”, afirmou.

Segundo o antropólogo, cristãos e não cristãos precisam compreender a Bíblia dentro do contexto onde foi escrita.

“Muitas pessoas leem a Bíblia com os olhos do século 21, você está tendo uma leitura muito superficial", ponderou.

“Por exemplo, por que Jesus converte água em vinho no milagre de Caná? Por que não suco de laranja? Porque no judaísmo, você não pode se casar se não tem vinho. É como se você estivesse indo fazer um trâmite no banco sem documento. Você não pode fazer o trâmite”.

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Mitos sobre o povo judeu

O israelense também falou que muitos mitos foram espalhados sobre o povo de Israel. “Muitos acreditam que Jesus, por exemplo, criou uma nova religião ou que abandonou o judaísmo, ou falam: ‘Por que os judeus não seguiram Jesus?’. Os judeus seguiram Jesus. Pedro era o quê? Muçulmano? Budista? Paulo era o quê? Paulo não era cristão. Nunca se converteu ao cristianismo, porque o cristianismo não existia nessa época”, defendeu Ariel.

“O cristianismo é uma evolução posterior, que claro, a base vem de Jesus, de Paulo”.

O historiador ainda rejeitou a ideia de que o povo judeu condenou Jesus. “É um mito. O povo não entregou Jesus. Quem entregou Jesus foram alguns membros do Sinédrio, que era formado por sacerdotes”, argumentou.

“Agora, levar essa culpabilidade para todo um povo, eu acho que é uma das calúnias mais terríveis que aconteceu na história da humanidade, que levou a matanças, massacres, é, ao próprio Holocausto. Até hoje vemos antissemitismo por uma culpabilidade que não está nas Escrituras”.

E enfatizou: “Por isso é importante entender a história, entender os detalhes. Uma leitura rasa te leva a conclusões erradas. Se o cristão não entende esse contexto judaico, está perdendo a metade da história ou mais. Fica uma leitura bem rasa”.

Descobertas arqueológicas

Em relação às descobertas arqueológicas sobre a Bíblia, Ariel disse que um dos achados que mais lhe impressionaram foi uma cerâmica de 2.200 anos atrás, que tem um versículo bíblico que o olho humano não consegue ver, apenas com infravermelho.

“Então isso é emocionante, é sentir que você faz parte de um elo de uma cadeia muito maior ao longo dos séculos e a arqueologia nos permite ter essas revelações”, declarou.

Há 15 anos, a Moriah International Center foi fundada em Jerusalém com o propósito de levar conhecimento histórico, sociológico, arqueológico, científico sobre a Bíblia através de viagens para Israel.

“Uma viagem com a Moriá é estar com historiadores e arqueólogos que vão explicar de forma mais profunda, é, o contexto bíblico, de Davi até Jesus”, explicou Ariel.

“Vamos ao santuário do livro onde estão os famosos manuscritos do Mar Morto. Você pode ir com um guia ou pode ir com curador dos manuscritos do Mar Morto, a pessoa que durante 30 anos cuidou desse tesouro. São duas explicações diferentes. E é emocionante”, finalizou.

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