O Sanhedrin nascente, grupo de rabinos ortodoxos que busca restaurar a antiga corte judaica de Israel, emitiu nesta semana uma decisão formal pedindo a Deus que remova as forças hostis contra o povo judeu e a Terra de Israel, revele o Mashiach (Messias, na expectativa judaica), reconstrua o Terceiro Templo e restaure a profecia em Israel.
A decisão foi datada de 6 de Menachem Av de 5786, correspondente a 20 de julho de 2026, no calendário judaico. O texto foi aprovado após uma sessão de várias horas, durante a qual dois juízes se posicionaram inicialmente contra a iniciativa, mas acabaram acompanhando a maioria.
Segundo o grupo, o Sinédrio parte do entendimento de que um tribunal rabínico pode emitir decisões haláchicas – interpretações e determinações baseadas na lei judaica – que devem ser consideradas por um tribunal celestial em assuntos ligados ao destino do povo judeu.
Essa interpretação, no entanto, não é compartilhada por todas as autoridades rabínicas. Um dos membros do Sinédrio reconheceu a divergência após a sessão:
“Nem todo mundo aceita isso. Mas o fato é que eles tomaram decisões que tiveram ramificações muito sérias em todo o mundo.”
Três petições
Durante as deliberações, o tribunal afirmou ter considerado os riscos, as oportunidades e os fatores que, segundo seu entendimento, podem retardar ou favorecer o cumprimento do mandamento de reconstruir o Templo.
Ao final, aprovou três petições.
A primeira pede que Deus remova as forças hostis contra o povo judeu e a Terra de Israel, citando grupos e elementos considerados inimigos ou opositores da nação.
A segunda solicita a manifestação da realeza divina, a revelação do Messias, e a remoção de todos os obstáculos para a reconstrução do Beit HaMikdash (Santo Templo).
Na tradição judaica, o Mashiach é o descendente prometido da linhagem do rei Davi que trará a redenção de Israel, reunirá os exilados e estabelecerá uma era de paz e justiça.
Muitos judeus também creem que sua vinda estará ligada à reconstrução do Templo em Jerusalém.
A terceira petição pede que Deus restaure a profecia ao povo judeu e proteja os profetas de Israel daqueles que buscam lhes causar dano
Ato simbólico de fé
A publicação explica que a iniciativa não busca pressionar autoridades políticas nem estabelecer um cronograma para a reconstrução do Templo.
Em vez disso, representa um ato simbólico de fé, no qual o Sanhedrin apresenta um pedido formal a Deus, utilizando uma linguagem inspirada nos procedimentos jurídicos da antiga corte judaica.
Nos últimos anos, grupos ligados ao movimento do Monte do Templo têm intensificado preparativos para uma eventual restauração do culto descrito na Bíblia, incluindo a confecção de utensílios sagrados, o treinamento de sacerdotes e estudos relacionados aos rituais do Templo.
Apesar da repercussão da decisão, o Sanhedrin nascente não possui reconhecimento oficial do Estado de Israel nem representa todo o judaísmo ortodoxo.
Trata-se de uma organização independente criada com o propósito de restaurar a antiga instituição religiosa mencionada nas Escrituras.
Para os cristãos, a expectativa messiânica difere da visão judaica. Enquanto o judaísmo ainda aguarda a vinda do Messias, a fé cristã reconhece Jesus como o Messias prometido nas Escrituras e aguarda sua segunda vinda.
