Enquanto enormes navios cargueiros cruzam os mares do mundo – levando de bananas a equipamentos médicos às populações – existe um grupo de homens e mulheres que raramente são lembrados: os marinheiros.
Estima-se que quase 90% de todos os bens consumidos nos EUA tenham passado pelos mares e, por isso, pelas mãos desses profissionais essenciais.
É para cuidar desses profissionais invisíveis que o Instituto da Igreja dos Marítimos (SCI, sigla em inglês), instituição com quase dois séculos de atuação, tem dedicado sua missão.
Em um episódio recente do podcast Religion Unplugged, seis representantes da organização explicaram como seu trabalho se desdobra entre educação, apoio legal e suporte espiritual voltado a marinheiros e suas famílias.
Desafios de quem vive no mar
A rotina de um marinheiro é marcada por longos períodos isolados, longe da família e da vida em terra.
O impacto psicológico desse estilo de vida é significativo: segundo estudo publicado na revista SAGE Journals, cerca de 30% dos marujos avaliados apresentam sinais de depressão.
Um relatório da World Maritime University aponta que até 7,7% das mortes entre tripulantes são suicídios confirmados.
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A capelã Grace Pardun, supervisora do Ministry on the River, atua no cuidado pastoral a trabalhadores das regiões do Alto Mississippi e do Rio Ohio. (Foto: Seamen’s Church Institute)
Além disso, a vida no mar é perigosa: a Centers for Disease Control and Prevention (CDC) afirma que as indústrias marítimas têm taxas de fatalidade e risco de lesões superiores à média de todos os setores.
Fatores como maquinário pesado, intempéries e acesso limitado a cuidados de saúde tornam o trabalho ainda mais arriscado.
Missão de cuidado integral
Fundado em 1834, o Instituto da Igreja dos Marítimos nasceu para responder a essas necessidades, oferecendo não apenas apoio espiritual, mas também educação continuada, apoio jurídico e cuidado integral ao bem-estar dos marinheiros.
Hoje, a organização atua em diversas frentes: programas como Ministry on the River (Ministério Fluvial, em tradução livre) oferecem aconselhamento pastoral e apoio aos tripulantes que passam meses em barcos-empurradores e rebocadores nas principais vias fluviais dos EUA, em horários muitas vezes impossíveis para conexão com suas comunidades e famílias.
Outras iniciativas incluem centros de educação marítima, defesa dos direitos dos trabalhadores e projetos como Christmas at Sea (Natal no Mar, em tradução livre), que leva presentes e atenção aos marinheiros durante o período de festas, reforçando conexões humanas num ambiente frequentemente solitário.
População invisível
Os representantes do SCI entrevistados no podcast ressaltaram que, embora os marinheiros mantenham em movimento o comércio global – desde alimentos até equipamentos médicos que chegam aos hospitais – muitos são tratados como invisíveis pela sociedade em geral.
A atuação da instituição busca não apenas reconhecer esse trabalho, mas também oferecer cuidado prático e emocional a quem lida com um dos modos de vida mais isolados e desafiadores do mundo contemporâneo.
