Jornalista cristão é preso na Nigéria enquanto ajudava familiares feridos em ataque

Lawrence Zongo foi detido enquanto visitava familiares feridos em um ataque em Plateau e permanece sem acesso à família ou a advogados.

Fonte: Guiame, com informações de Morning Star NewsAtualizado: sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 15:47
O jornalista Lawrence Zongo. (Foto: Reprodução/Facebook/Equipping The Persecuted)
O jornalista Lawrence Zongo. (Foto: Reprodução/Facebook/Equipping The Persecuted)

Um jornalista cristão foi preso por soldados nigerianos enquanto ajudava familiares feridos em um ataque de terroristas Fulani. Detido sem acusações formais, ele está incomunicável e não pode entrar em contato com parentes ou advogados.

Lawrence Zongo trabalha no portal Truth Nigeria e é voluntário da Anistia Internacional. Ele foi preso na última segunda-feira (5), em um hospital militar no quartel Maxwell Khobe, em Jos, onde seus primos recebiam atendimento após serem atacados em suas casas, na noite anterior.

“Uma das vítimas – um primo de primeiro grau – já havia falecido quando Zongo chegou no final da manhã de segunda-feira”, relatou o Truth Nigeria. 

“Fontes dizem que, enquanto ele ainda assimilava a perda, soldados o prenderam e o mantiveram incomunicável. Seu único ‘crime’ foi ser um ativista de direitos humanos que visitou o quartel usando óculos Ray-Ban”, acrescentou.

O portal informou que as autoridades não permitiram que Zongo tivesse acesso à família ou a advogados. Ele é membro da Igreja Evangélica Vencedora de Todas as Coisas (ECWA) e atua na defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos.

Os familiares do jornalista foram atacados no último domingo (4), na região de Miango, no município de Bassa, no estado de Plateau. Após o ataque, militares levaram os feridos ao hospital, onde Zongo estava antes de ser preso.

Jornalista já havia sido preso

Esta não é a primeira vez que Zongo é detido por militares. Anos atrás, ele foi preso após denunciar violações de direitos humanos. Na ocasião, o jornalista foi espancado e sofreu outros maus-tratos, sendo libertado depois que sua detenção provocou indignação pública.

Judd Saul, fundador do Truth Nigeria, pediu a libertação de Zongo e criticou a atuação dos militares:

“Esperamos que Lawrence Zongo seja libertado imediatamente. Gostaria que os militares usassem esses recursos para prender as milícias étnicas Fulani que estão cometendo os crimes reais”.

De acordo com o jornal nigeriano Premium Times, o Exército ainda não confirmou a prisão nem respondeu às perguntas da imprensa sobre o caso. O veículo informou que Zongo documenta há anos a insegurança e as violações de direitos humanos no estado de Plateau.

Nas redes sociais, outros cristãos também pediram a libertação do jornalista: “Libertem Lawrence Zongo. Ele não é um criminoso. Ele é um ativista dos direitos humanos com um coração de ouro, comprometido em lutar por justiça e dar voz aos que não têm”, compartilhou Grace Gye, no Facebook.

A Nigéria continua entre os países mais perigosos para os cristãos. Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, 3.490 cristãos foram mortos por causa da fé no país entre outubro de 2024 e setembro de 2025. O número representa cerca de 72% dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo no período.

A Nigéria ocupa o 7º lugar na Lista Mundial de Vigilância dos 50 países onde é mais difícil ser cristão.

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