
O número de cristãos perseguidos ao redor do mundo por sua fé aumentou para mais de 388 milhões, revelam dados da Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP26), lançada nesta terça-feira (13) pela missão Portas Abertas.
A pesquisa, que analisou o período entre 1 de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, mostra um agravamento da perseguição extrema, que agora atinge 15 países — dois a mais que no ano anterior.
Síria e Mali passaram a integrar o grupo das nações com perseguição considerada extrema. O Nepal voltou à Lista Mundial da Perseguição (LMP) em 2026, ocupando a 46ª posição. A última vez que o país havia aparecido no ranking foi em 2022. O retorno reflete o aumento da violência, com mais cristãos sendo presos, sofrendo abusos físicos e psicológicos e um número maior de igrejas atacadas.
O Guiame teve acesso à publicação, que apontou que, dos 50 países que compõem o ranking, 34 apresentaram aumento na pressão contra cristãos.
A Coreia do Norte continua no topo da lista. A Síria saltou da 18ª para a 6ª posição, impulsionada por um forte crescimento da violência, incluindo ataques a igrejas, fechamento de escolas cristãs e assassinatos de cristãos. Já o Mali ocupa o 15º lugar, mesmo após cair uma posição em relação a 2025.
A queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, abriu espaço para milícias locais e grupos armados, tornando os cristãos sírios ainda mais vulneráveis à intimidação, extorsão e ataques.
“O ataque de junho em Damasco, que matou 22 cristãos, destruiu qualquer ilusão de segurança. Essa realidade exige atenção urgente: quando a proteção estatal colapsa e a ideologia extremista ocupa o vazio, minorias religiosas pagam o preço. O mundo não pode virar as costas novamente”, explica Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil.
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Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil. (Foto: Portas Abertas Brasil)
Perseguição sem precedentes na África Subsaariana
A África Subsaariana concentra hoje 14 países na Lista Mundial da Perseguição. Sudão, Nigéria e Mali atingiram a pontuação máxima possível em violência – as únicas três nações com essa pontuação no mundo.
Há 10 anos, os países da região somavam 49% da pontuação máxima de violência. Em 2026, esse número saltou para 88%, evidenciando uma escalada dramática.
A Nigéria permanece como o país mais letal para cristãos e atraiu atenção internacional após uma série de ataques mortais contra comunidades cristãs e o sequestro em massa de 303 crianças em idade escolar, o que levou à intervenção dos Estados Unidos.
Dos 4.849 cristãos mortos no mundo por causa da fé no período analisado, 3.490 eram nigerianos — um aumento em relação aos 3.100 do ano anterior e 72% do total.
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Aumento de 72% de cristãos mortos, faz da Nigéria o país mais mortal para os seguidores de Cristo. (Foto: Portas Abertas)
O aumento da violência contra cristãos em 2026
A Lista Mundial da Perseguição 2026 revela que, mesmo com a redução de ataques a igrejas e propriedades, os índices de violência física e sexual aumentaram de forma significativa.
Dentre os principais dados do relatório deste ano, estão:
- Cristãos mortos por causa da fé: aumentou de 4.476 (2025) para 4.849 (2026);
- Cristãos abusados física ou mentalmente: subiu de 54.780 para 67.843 casos;
- Casos de estupro ou assédio sexual: cresceram de 3.123 para 4.055;
- Casamentos forçados com não cristãos: aumentaram de 821 para 1.147;
- Cristãos condenados por causa da fé: subiram de 1.140 para 1.298;
- Cristãos forçados a fugir ou se esconder dentro do país: saltaram para 201.427;
Por outro lado, o número de cristãos sequestrados caiu para 3.302, mas permanece em níveis críticos. Já o total de cristãos obrigados a deixar o país diminuiu para 22.702, mas ainda representa milhares de vidas desarraigadas.
Segundo a Portas Abertas, embora os ataques a igrejas e propriedades tenham caído de 7.679 para 3.632, a África Subsaariana e a Ásia continuam sendo os epicentros da perseguição a comunidades cristãs, impulsionados por grupos extremistas e governos autoritários.
Sinais de esperança em meio à perseguição
A missão também destacou que, apesar do cenário global grave, alguns países apresentaram avanços.
Em Bangladesh, houve uma redução de 20% na violência após a queda da presidente Sheikh Hasina em agosto de 2024. O líder do governo interino, Muhammad Yunus, fez declarações públicas sobre a importância das liberdades religiosas, embora as próximas eleições possam testar esse compromisso.
Na Malásia, a Justiça ordenou a reabertura do caso do pastor Raymond Koh, sequestrado em 2017. Um tribunal determinou que policiais malaios haviam forjado o sequestro e ordenaram uma indenização de US$ 7,4 milhões à família. Continua sendo um caso raro em que o Estado foi responsabilizado por sua perseguição.
Na América Latina, houve um reconhecimento crescente dos riscos enfrentados por líderes religiosos no México e na Colômbia devido ao crime organizado, além de um monitoramento internacional intensificado na Nicarágua e em Cuba. No ranking, México (30º), Nicarágua (32º) e Colômbia (47º) caíram uma ou duas posições. Já Cuba passou do 26º lugar em 2025 para o 24º nesta edição.
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Imagem mapa top 50 — Em cada 7 cristãos, um é perseguido no mundo. (Foto: Portas Abertas)
Anualmente, a Portas Abertas realiza uma pesquisa que avalia os níveis de pressão e violência enfrentados por cristãos pelo simples fato de seguirem a Jesus, a fim de levar ajuda de maneira estratégica e eficaz.
Desta pesquisa nasce a Lista Mundial da Perseguição e o Mapa com os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos. Neste link, você tem acesso ao mapa e a informações sobre os países da LMP26.
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