Pouco mais de dois anos após sobreviver à síndrome de Stevens-Johnson, uma doença rara e potencialmente fatal, Raquel Soares Folly está vivendo o propósito de Deus na Ásia.
Atualmente, a filha de pastores que emocionou milhares de pessoas ao testemunhar sua cura em 2023, serve como missionária no Timor-Leste, no Sudeste Asiático.
Em entrevista ao Guiame, ela contou que, apesar das limitações causadas pela doença, tudo o que viveu fortaleceu sua fé e confirmou o chamado missionário que Deus havia colocado em seu coração.
"Muito antes de adoecer, eu já havia recebido palavras proféticas de que Deus me enviaria para as nações. Esse chamado sempre esteve no meu coração, mas foi amadurecendo com o tempo. Depois de tudo o que vivi, entendi que Deus estava me preparando para cumprir esse propósito", disse ela.
'Deus me levaria diretamente para a Ásia'
Após receber alta, em dezembro de 2023, Raquel dedicou todo o ano de 2024 à recuperação.
“A principal sequela ficou nos meus olhos. Tenho dificuldade para produzir lágrimas, então não consigo chorar normalmente. Isso causa secreção, sensibilidade à claridade, desconforto e, às vezes, ardência. Hoje não faço mais o tratamento intenso do início, mas ainda preciso de cuidados contínuos”, explicou a jovem.
Ela também precisou reaprender atividades simples como andar, regular o sono, fortalecer a mão e recuperar a saúde.
"Eu imaginava que, quando estivesse totalmente recuperada, voltaria a trabalhar e seguiria minha vida no Brasil", contou Raquel.
No entanto, em outubro de 2024, ela afirmou ter recebido uma direção clara do Senhor: "Deus falou claramente comigo que meu chamado era para as nações e que Ele me levaria diretamente para a Ásia".
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Raquel com algumas adolescentes locais. (Foto: Arquivo pessoal concedido ao Guiame)
Em janeiro de 2025, ela sentiu Deus lhe dar uma orientação específica: "Senti Deus dizer apenas: 'Tire o passaporte'. Eu obedeci".
Em seguida, Raquel entrou na Escola de Treinamento e Discipulado (ETED) da JOCUM Carioca.
Ao concluir a fase teórica, os alunos puderam escolher entre cinco países para o estágio missionário. Raquel foi enviada justamente ao Timor-Leste.
"No dia 4 de junho de 2025, cheguei ao país e vi Deus cumprir exatamente o que havia me prometido. Ele realmente me levou diretamente para a Ásia", testemunhou ela.
Servindo adolescentes no Timor-Leste
Sobre a escolha do local, Raquel afirmou: "Foi Deus quem escolheu esse continente para mim. Aos poucos, Ele foi colocando um amor muito profundo pela Ásia no meu coração. Hoje, entendo que esse amor nasceu Dele e não de um desejo pessoal".
Hoje, ela serve na base da JOCUM Timor-Leste, onde trabalha com adolescentes acolhidos pela missão.
"Atualmente trabalho no abrigo da base da JOCUM, que hoje acolhe 23 adolescentes da região de Bahareduk. Eles vêm para a cidade para estudar e moram conosco durante o período letivo. Nas férias, retornam para suas famílias", disse Raquel.
E continuou: "Nossa rotina inclui buscá-los na escola, realizar devocionais, ajudar nas tarefas escolares, levá-los ao mercado e à igreja, brincar com eles e, principalmente, investir tempo em discipulado, cuidado e relacionamento. É um privilégio participar da formação espiritual e do desenvolvimento desses adolescentes".
Os desafios de evangelizar no continente
Segundo Raquel, pregar o Evangelho no Timor-Leste é um desafio. O país é de maioria católica e apenas cerca de 2,5% da população é evangélica.
“Em alguns lugares, quem decide seguir Jesus fora da tradição católica enfrenta resistência. Além disso, ainda existem muitas práticas ligadas às crenças tradicionais e ao culto aos ancestrais. O desafio é anunciar o Evangelho com amor, respeito e perseverança", relatou a jovem.
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Raquel com algumas adolescentes locais. (Foto: Arquivo pessoal concedido ao Guiame)
Por ser um dos países mais pobres da Ásia, o trabalho missionário também envolve assistência à muitas famílias que vivem em situação de vulnerabilidade.
"Buscamos anunciar o Evangelho não apenas com palavras, mas também por meio do cuidado, do discipulado e do serviço ao próximo", contou Raquel.
‘O Timor-Leste é apenas a porta de entrada’
Durante esse período, Raquel já testemunhou muitos frutos do trabalho missionário na região. Um dos que mais marcaram sua vida foi a conversão de um jovem católico.
"Um testemunho que marcou meu coração foi o de um jovem timorense que era católico. Durante o tempo em que caminhamos, ele decidiu entregar sua vida a Jesus e foi batizado. Foi emocionante acompanhar a transformação dele e seu crescimento na fé", relembrou ela.
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Raquel e a equipe assistiram aos jogos do Brasil na base da JOCUM. (Foto: Arquivo pessoal concedido ao Guiame)
Hoje, Raquel acredita que o Timor-Leste é apenas o início daquilo que Deus preparou para sua vida:
"Creio que o Timor-Leste é a porta de entrada para aquilo que Deus tem para mim na Ásia. Ele já falou ao meu coração sobre servir também em outras nações asiáticas. Ainda não sei quando isso acontecerá, mas sigo um passo de cada vez, conforme a direção Dele”.
Enquanto aguarda os próximos passos, Raquel afirma que a experiência de quase perder a vida mudou completamente sua perspectiva sobre Deus.
"Aprendi que Deus nunca desiste de nós e que todo processo tem um propósito. Hoje, confio muito mais Nele e sei que vale a pena dizer 'sim' ao seu chamado", declarou ela.
"Hoje, conheço Jesus de forma muito mais profunda. Depois de tudo o que vivi, tenho certeza de que Ele continua fazendo milagres, cumprindo suas promessas e cuidando de nós em cada etapa da caminhada", concluiu.
