Um pastor chinês que vive nos Estados Unidos tem se dedicado a alcançar imigrantes chineses que ainda não ouviram o Evangelho.
Antes de se mudar para o país, o pastor Jack Tai acreditava que a maioria dos imigrantes já havia sido alcançada pela presença de inúmeras igrejas nos EUA. No entanto, a realidade encontrada foi diferente.
“Para minha surpresa, no estado do Texas, a população chinesa ainda não foi alcançada pelo cristianismo”, disse Jack à Baptist Press.
Segundo ele, cerca de 100 mil chineses vivem na região metropolitana de Dallas-Fort Worth, no Texas, e aproximadamente 90% não são cristãos.
“Na China, os corações anseiam por esperança, fazendo com que as pessoas busquem desesperadamente o Evangelho. Mas nos EUA, muitos imigrantes chineses são ricos e seu foco está no sonho americano. Quando se convertem aqui, é difícil para eles se comprometerem a viver para Deus. Definitivamente, o desafio é uma vida confortável”, acrescentou.
Estratégias de evangelização
Jack cresceu no nordeste da China e estudou inglês em uma universidade, onde fez amizade com um casal missionário que o levou a Jesus. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos para estudar Teologia.
Após concluir o mestrado, retornou à China em 2012, onde atuou como plantador de igrejas. Em 2023, voltou aos EUA com a família e fundou a Igreja Joy, na cidade de Plano, no Texas.
“Nossa estratégia é a hospitalidade bíblica. Conhecemos novos amigos e os convidamos para nossa casa para uma refeição”, explicou o pastor.
A igreja também aproveita as datas tradicionais chinesas como estratégia evangelística. Em uma celebração do Ano Novo Chinês, por exemplo, a congregação reuniu cerca de 200 pessoas.
“Tivemos um grande jantar chinês, e as crianças e famílias cantaram músicas. Houve jogos e um sorteio com prêmios, além da pregação do Evangelho. Foi uma noite divertida, mas também proporcionou novas conexões”, relembrou ele.
Atualmente, a Igreja Joy reúne cerca de 20 pessoas semanalmente na casa do pastor. Às sextas-feiras, são realizados estudos sobre os fundamentos do Evangelho, voltados a não cristãos, enquanto aos sábados acontecem os cultos. Em dois anos, 10 pessoas declararam fé em Cristo, e oito foram batizadas.
Alcançando asiáticos na América
Outra estratégia de se conectar com a comunidade tem sido o ambiente escolar: “Tenho quatro filhos, e todos frequentam escolas públicas. Isso nos permite conhecer pais, amigos e colegas de classe”.
E continuou: “Minha esposa lidera um clube de leitura. Ela reuniu um grupo de mulheres chinesas, e todas têm filhos de diferentes idades. Elas leem juntas um livro cristão sobre criação de filhos. A maioria do grupo não é religiosa, mas elas sentem essa necessidade, e assim conseguimos criar uma conexão”.
Conforme o pastor, a solidão e a dificuldade com o idioma local contribuem para o isolamento dos imigrantes. Por isso, ele destacou que as aulas de inglês nas igrejas são “uma excelente forma de integrá-los à comunidade”.
Recentemente, a igreja iniciou um projeto evangelístico voltado para jovens, alugando o ginásio de uma escola local para encontros semanais com estudantes do ensino fundamental e médio.
"A maioria deles não é crente e teve pouco contato com o Evangelho. Alguns são de origem hindu, até mesmo muçulmanos", contou Jack.
Jack explicou que a população vietnamita em Dallas-Fort Worth é maior que a chinesa, principalmente por causa de pessoas que foram para os Estados Unidos após a Guerra do Vietnã. Já a comunidade coreana é mais alcançada pelo Evangelho, por causa da grande quantidade de igrejas coreanas na região. Além dos chineses, outra comunidade asiática ainda pouco alcançada é a indiana.
“Embora alcançar o povo chinês na China continue sendo de importância crucial para nós, visto que adotamos um grupo étnico chinês [não alcançado], também reconhecemos que Deus, em sua soberania, trouxe muitos de outras nações para as nossas comunidades. Acreditamos que temos a responsabilidade de compartilhar o Evangelho com elas”, disse o pastor Mack Roller, amigo de Jack.
