Uso de pornografia é uma realidade abafada nas igrejas, segundo pesquisador

O pesquisador Samuel L. Perry observa que muitos cristãos assistem pornografia, mas não conseguem abrir o problema em seus igrejas.

Fonte: Guiame, com informações do Religion News Service e Christian PostAtualizado: quarta-feira, 7 de agosto de 2019 às 14:21
Cristãos que lutam contra a pornografia estão menos inclinados a procurar ajuda. (Foto: Getty Images)
Cristãos que lutam contra a pornografia estão menos inclinados a procurar ajuda. (Foto: Getty Images)

O fácil acesso à pornografia na internet está afetando os cristãos, seus casamentos e sua saúde mental, de acordo com o pesquisador Samuel L. Perry, que reuniu dados de pesquisa sobre o tema no livro Viciado em Luxúria: Pornografia na Vida dos Protestantes Conservadores (em tradução livre).

Os evangélicos americanos estão assistindo pornografia quase na mesma proporção que os homens em geral, segundo uma análise de Perry do General Social Survey, que abrange dados de 1984 a 2016.

Perry, que é pesquisador da Universidade de Oklahoma, observou que 40% dos homens protestantes com menos de 40 anos viram pornografia no ano passado. Cristãos que usam pornografia são mais propensos a reduzir seu envolvimento com a igreja, ou até mesmo a deixar a religião. 

“Eles se sentem presos e se sentem julgados; eles sentem que precisam esconder e mentir sobre isso”, disse Perry ao site The Christian Post. “A saúde mental é afetada quando eles fingem que não estão fazendo isso ou se sentem mal consigo mesmos. Também prejudica seus casamentos e relacionamentos íntimos, porque eles definitivamente sentem que precisam esconder isso”.

O estudo também indica a pornografia como fator de divórcio entre casais cristãos. As mulheres evangélicas têm duas vezes mais chances de se divorciar de seus maridos do que as mulheres em geral.

Falta de diálogo

Um dos principais problemas das igrejas, segundo Perry, é que expor o problema com a pornografia pode ser “vergonhoso”. Como resultado, aqueles que lutam contra a pornografia estão menos inclinados a procurar ajuda.  

“Os líderes das igrejas apenas deveriam dizer: ‘Vamos falar sobre isso. Vamos ter uma reunião todos os anos em que saímos e falamos sobre a importância da prestação de contas’”, opinou Perry.

O pesquisador disse que as igrejas precisam fazer mais para discutir abertamente como os fiéis podem se ajudar a viver uma vida sexualmente pura. “Eu não acho que isso está acontecendo na grande maioria das igrejas”, lamenta.

Perry brincou que as igrejas protestantes poderiam se inspirar em uma página do manual da Igreja Católica, onde os paroquianos podem confessar seus pecados e procurar conselhos de um padre.

“Muitas comunidades evangélicas instituíram pequenos grupos. Em muitos desses grupos, você tem um monte de caras que talvez comecem motivados a ser transparentes um com o outro. E então, ao longo do mês, isso se transforma em: ‘Vamos falar sobre família. Vamos falar de esportes. Vamos falar sobre a leitura da Bíblia. Mas não vamos confiar um ao outro com que frequência vimos pornografia na semana passada”, analisa.

Perry acredita que as igrejas precisam desenvolver ferramentas para “cortar a fonte” do acesso do crente à pornografia. Ele incentiva as igrejas a encorajarem os cristãos a fazer mudanças reais em suas vidas, como trocar o smartphone por modelo antigo, por exemplo.

“Quando você tem algo como o uso de pornografia e masturbação, que é tão fisiológica quanto espiritual, na minha opinião, acho que as pessoas não estão sendo práticas o suficiente”, opinou.

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