1ª fase da pesquisa sobre a Arca de Noé está concluída com 360 amostras de solo para análise

Autoridades turcas divulgaram primeiro balanço após três meses de pesquisas em Durupınar, e 360 amostras de solo coletadas serão submetidas a análises laboratoriais.

Fonte: Guiame, com informações do Haberler e Amed TVAtualizado: sexta-feira, 2 de outubro de 2026 às 16:20
Formação de Durupınar, investigada como possível local da Arca de Noé; em destaque, materiais exibidos durante a cobertura das pesquisas. (Captura de imagem: Haberler)
Formação de Durupınar, investigada como possível local da Arca de Noé; em destaque, materiais exibidos durante a cobertura das pesquisas. (Captura de imagem: Haberler)

A primeira etapa das novas investigações científicas na formação de Durupınar, apontada como possível local da Arca de Noé, foi concluída na Turquia. Agora, cerca de 360 amostras de solo coletadas durante os trabalhos serão submetidas a análises laboratoriais.

Na Bíblia, após o Dilúvio, é relatado que “a arca repousou sobre os montes de Ararate” (Gênesis 8:4).

O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (2) pelo governador da província de Ağrı, Önder Bozkurt, após uma visita ao local das pesquisas, no distrito de Doğubayazıt, no leste do país.

Os trabalhos de campo foram realizados entre 28 de junho e 30 de setembro e reuniram aproximadamente 20 pesquisadores de cinco países, incluindo especialistas em arqueologia, geologia e geofísica.

A investigação é realizada na formação de Durupınar, uma estrutura geológica em formato semelhante ao casco de uma embarcação, localizada nas proximidades do Monte Ararat e investigada há décadas por pesquisadores que buscam evidências relacionadas ao relato bíblico da Arca de Noé.

360 amostras serão analisadas

Segundo o primeiro balanço apresentado pelas autoridades locais, cerca de 360 amostras de solo foram retiradas da área e serão examinadas no laboratório da Ankara Yıldırım Beyazıt University.

A etapa laboratorial sucede três meses de trabalhos no terreno, nos quais a equipe utilizou diferentes tecnologias para investigar o que existe abaixo da superfície.

Materiais exibidos em reportagem sobre as pesquisas realizadas na formação de Durupınar, na Turquia. (Foto: Doğubayazıt Gazetesi)

Bozkurt explicou que o projeto reúne os avanços tecnológicos disponíveis atualmente com conhecimentos de arqueologia, geologia e geofísica.

Além da coleta das amostras, foram utilizados equipamentos de observação subterrânea e outros instrumentos tecnológicos. Os dados obtidos durante essas análises também deverão ser processados e estudados pelos pesquisadores durante o inverno.

A expectativa é que a combinação entre os resultados laboratoriais e os dados geofísicos ajude os cientistas a compreender melhor a composição e a estrutura da formação.

Governo pede cautela

Apesar da expectativa em torno das pesquisas sobre a Arca de Noé, cujo relato está presente nas tradições do judaísmo, cristianismo e islamismo, o governador destacou que ainda não existe uma conclusão científica que permita afirmar que seus vestígios estejam em Durupınar.

Segundo Bozkurt, as informações recebidas dos pesquisadores mostram que o trabalho permanece em andamento.

“Não há uma certeza científica clara neste momento”, afirmou o governador, ressaltando que será necessário aguardar a análise dos materiais e dos dados obtidos durante os trabalhos de campo.

A declaração ganha relevância após recentes anúncios da própria equipe de pesquisa sobre resultados considerados promissores nas investigações subterrâneas.

Na quinta-feira (1º), o especialista em radar Khosrow Bakhtar afirmou que imagens processadas durante a campanha revelariam padrões organizados sob a formação, incluindo o que ele interpreta como possíveis corredores, câmaras e passagens.

Segundo Bakhtar, os sinais encontrados não seriam compatíveis com uma massa geológica sólida e apresentariam características estruturais.

Essas conclusões, porém, correspondem à interpretação preliminar do pesquisador e ainda não passaram por validação científica independente ou revisão por pares.

Perfurações e material orgânico

A temporada de 2026 também incluiu uma nova etapa de perfurações em Durupınar.

Os pesquisadores retiraram amostras de diferentes profundidades e relataram a presença de camadas ricas em material orgânico e cavidades subterrâneas.

Um dos episódios que mais chamou a atenção ocorreu quando uma broca atingiu, entre aproximadamente 4 e 5 metros de profundidade, um material extremamente resistente e se quebrou.

A equipe considera entre as possibilidades que o material possa ser madeira petrificada ou altamente mineralizada, mas sua composição ainda não foi determinada. Os pesquisadores também reconhecem que pode se tratar de uma formação rochosa.

Por isso, os testes laboratoriais representam uma das etapas mais importantes da atual investigação.

Próxima fase da pesquisa

Com o encerramento dos trabalhos de campo, a investigação entra agora na fase de análise dos materiais e dos dados obtidos durante os últimos três meses.

O projeto, liderado pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Sivas Cumhuriyet University, recebeu autorização das autoridades turcas para realizar as pesquisas na região.

Segundo o balanço divulgado pelo governo local, os resultados obtidos durante o inverno deverão orientar as próximas etapas da investigação.

A formação de Durupınar está localizada na região de Ağrı, próxima ao Monte Ararat, e sua aparência semelhante à de um barco tem despertado interesse de pesquisadores há décadas.

As novas análises poderão fornecer dados para determinar se as características encontradas no subsolo têm origem exclusivamente geológica ou se existem evidências que justifiquem novas investigações arqueológicas.

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