Um adolescente de 16 anos, filho de um pastor, foi preso em Cuba, em meio à repressão do governo comunista contra cristãos.
Segundo a Christian Solidarity Worldwide, organização que apoia cristãos perseguidos, Jonathan Muir Burgos e seu pai Elier Muir Ávila foram intimados pela polícia e presos, na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, na segunda-feira (16).
O pastor Elier foi libertado no mesmo dia, porém Jonathan permanece detido no Departamento de Investigação Técnica após ser acusado de participar dos protestos que aconteceram em Morón, na sexta-feira (13) e no sábado (14).
Mesmo sendo menor de idade, o adolescente passou por interrogatório sobre sua presença no protesto e sobre o que ele falou na manifestação, incluindo se ele pediu por liberdade.
Jonathan ainda não foi acusado formalmente, mas as autoridades informaram que ele pode enfrentar processos nos próximos dias.
Familiares e ativistas de direitos humanos expressaram preocupação com o adolescente, que possui um problema de saúde grave.
A detenção do filho do pastor ocorre em meio ao aumento da agitação social em Cuba após quedas de energia constantes, e escassez de alimentos e remédios.
Moradores protestaram em diversas áreas do país, incluindo Morón. Durante os protestos, manifestantes saquearam e incendiaram escritórios do Partido Comunista Cubano na cidade. Em meio a agitação, o governo bloqueou o acesso à internet em Morón e áreas vizinhas.
De acordo com o jornal cubano Ciber Cuba, policiais realizaram intimações, batidas e prisões contra muitos jovens e menores de idade depois dos protestos.
Família perseguida
Ativistas pela liberdade religiosa relataram que a família do pastor Elier Ávila já tem enfrentado pressão do governo por suas atividades religiosas. Ele lidera a igreja Tiempo de Cosecha, uma congregação independente não registrada.
Em 2024, o pastor recebeu diversas visitas de autoridades locais, enviados pelo Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que o alertaram que somente igrejas autorizadas pelo governo podiam funcionar e apenas líderes reconhecidos pelo Estado poderiam ministrar.
O Reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, afirmou que o caso recente se assemelha com a prisão do pastor Lorenzo Rosales Fajardo e seu filho adolescente após protestos em julho de 2021, em Cuba.
“O governo cubano tem um longo histórico de mirar os filhos de líderes da igreja como uma tática de pressão”, afirmou a Christian Solidarity Worldwide (CSW).
A Diretora de Advocacia da CSW, Anna Lee Stangl, declarou: “Exigimos que o governo cubano libere imediatamente Jonathan Muir Burgos sob a custódia de seus pais. A detenção de uma criança de 16 anos, com uma condição médica grave, simplesmente porque tentou exercer sua liberdade de expressão, é inconcebível”.
“Apesar da gravidade da situação na ilha – com fome desenfreada, escassez de medicamentos, surtos de doenças e a falha da rede elétrica –, a resposta do presidente Miguel Canel Díaz e do Partido Comunista Cubano é prender aqueles que ousam clamar por mudanças”.
Igrejas independentes e líderes cristãos que usam plataformas digitais para compartilhar o Evangelho têm enfrentado repressão do governo cubano.
Na última sexta-feira (13), o pastor Rolando Pérez Lora foi detido após pregar em uma live no YouTube no país.
Perseguição em Cuba
Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% dos cubanos se identificam como cristãos. A maioria é católica e cerca de 11% são evangélicos.
No país, os cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Participar de cultos é permitido, mas novas igrejas não podem ser abertas.
Diante da repressão, milhares de seguidores de Jesus têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas.
Mesmo sob vigilância constante, essas pequenas comunidades continuam a se multiplicar e se tornam fundamentais para manter viva a fé na ilha.
As igrejas domésticas são grupos cristãos que se reúnem para realizar cultos dentro das casas de pastores ou de membros da comunidade.
De acordo com dados da associação ASCE Cuba, há entre 20 mil e 30 mil dessas igrejas ativas no país. Elas funcionam sem placas, sem autorização oficial e, muitas vezes, enfrentam o constante risco de repressão governamental.
Cuba ocupa o 24° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.
