Boate LGBT instalada em antiga igreja cancela eventos após protestos de cristãos

A casa noturna funciona em um templo histórico de aproximadamente 150 anos, localizado na região central de Sydney.

Fonte: Guiame, com informações do The Guardian e News Corp AustraliaAtualizado: quarta-feira, 15 de julho de 2026 às 17:50
A antiga igreja que abriga o Divine Playhouse, em Sydney. Nos destaques, cristãos realizam vigília de oração do lado de fora e imagens de apresentações promovidas pelo local. (Google Maps/Instagram)
A antiga igreja que abriga o Divine Playhouse, em Sydney. Nos destaques, cristãos realizam vigília de oração do lado de fora e imagens de apresentações promovidas pelo local. (Google Maps/Instagram)

Uma casa noturna LGBT instalada em uma antiga igreja em Sydney, na Austrália, cancelou sua programação após protestos de grupos cristãos, que acusaram o espaço de utilizar símbolos e referências cristãs de forma ofensiva.

A boate, chamada Divine Playhouse (“Teatro Divino”, em tradução livre), funciona em um templo histórico de aproximadamente 150 anos, localizado na região central da cidade.

O prédio havia sido desconsagrado na década de 1930 e, desde então, vinha sendo utilizado para atividades culturais e teatrais.

A controvérsia começou após a inauguração do espaço, que inicialmente seria chamado de “Unholy Playhouse” (“Teatro Profano”, em tradução livre).

Após críticas de líderes cristãos, os organizadores mudaram o nome para Divine Playhouse, mas a reação negativa continuou devido ao conteúdo de algumas apresentações e materiais promocionais.

Entre as atrações criticadas estavam performances com drag queens vestidas como freiras, paródias de exorcismos e o uso de símbolos cristãos em contextos considerados ofensivos pelos manifestantes.

“Ridicularizando nossa fé”

Além dos protestos, uma petição com mais de 3.700 assinaturas pediu que o governo de Nova Gales do Sul se desculpe publicamente com a comunidade cristã e retire o apoio estatal ao projeto.

O organizador da petição, Chris Nave, afirmou que o atual inquilino do local está “ridicularizando nossa fé”.

“Isto não é simplesmente uma discoteca. A sua marca utiliza deliberadamente símbolos, linguagem e temas cristãos de uma forma que muitos cristãos consideram, com razão, como uma zombaria de Jesus Cristo, da Cruz e da nossa fé”, escreveu ele na plataforma Change.org.

“O que é sagrado para bilhões de pessoas em todo o mundo foi transformado em entretenimento e marketing comercial”, acrescentou.

Nave também criticou o envolvimento do governo estadual com o projeto.

“Seja por meio de financiamento, patrocínio, parceria ou outra forma de apoio governamental, acredito que essa associação seja completamente inadequada. O Governo de Nova Gales do Sul não deve ter qualquer ligação com um local que muitos cristãos consideram uma forma de ridicularizar sua fé”, afirmou.

Vigília de oração

Grupos cristãos afirmaram que as apresentações ultrapassavam os limites da liberdade artística e configuravam um desrespeito deliberado aos símbolos da fé cristã.

Na noite de abertura, cerca de 70 cristãos participaram de uma vigília de oração em frente ao local, cantando hinos e orando.

Os protestos foram organizados por movimentos como Fit for the Kingdom e The Prodigal Sons, que anunciaram a intenção de continuar as manifestações caso os eventos prosseguissem.

Poucos dias depois, segundo a imprensa australiana, o proprietário do imóvel notificou os responsáveis pelo empreendimento, alegando possível violação contratual por “atividade ofensiva” e exigindo a interrupção das atividades consideradas incompatíveis com o contrato de locação.

Após a notificação, os organizadores anunciaram o cancelamento dos eventos e removeram conteúdos das redes sociais relacionados à programação do espaço.

O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona que o projeto havia recebido cerca de 100 mil dólares australianos em recursos da agência estadual de artes Create NSW, o que ampliou as críticas de grupos cristãos e parlamentares ao apoio público concedido ao empreendimento.

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições