No último fim de semana, ataques recentes a sinagogas na Holanda geraram preocupação entre autoridades sobre o aumento da violência antissemita contra comunidades judaicas na Europa.
Na madrugada de sexta-feira (13), um incêndio atingiu uma sinagoga em Roterdã. Segundo a polícia local, o fogo começou por volta das 3h40 e foi rapidamente controlado. Apesar dos danos materiais, ninguém ficou ferido.
Após o episódio, a polícia holandesa passou a monitorar outras sinagogas por precaução e prendeu quatro jovens, com idades entre 17 e 19 anos, suspeitos de provocar a explosão. Eles foram encontrados dirigindo em atitude considerada incomum nas proximidades de outra sinagoga na região.
“Ainda não está claro se os suspeitos planejavam detonar um explosivo ou incendiar outra sinagoga”, informou a polícia em um comunicado.
As autoridades afirmam estar iniciando uma "investigação em larga escala sobre este grave incidente" e apelaram para que testemunhas se apresentem.
‘Não toleraremos antissemitismo’
Sobre o ataque, o ministro da Justiça da Holanda, David van Weel, compartilhou no X: “Não toleraremos antissemitismo, intimidação e violência. As autoridades locais estão garantindo a segurança das sinagogas”.
Em seguida, ele expressou solidariedade à comunidade judaica holandesa: "Eles precisam se sentir seguros na Holanda".
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A prefeita de Roterdã, Carola Schouten, disse que o ataque causou "muita ansiedade entre os concidadãos judeus".
“Não há lugar para antissemitismo, intimidação, violência ou ódio contra comunidades religiosas”, disse Carola.
Chris den Hoedt, presidente da sinagoga, contou que a explosão causou danos à fachada do prédio.
“O dano emocional que nossa comunidade sente é maior e mais duradouro. Podemos consertar isso (a porta), mas não o resto”, disse ele à emissora pública holandesa NOS.
Ataque em escola judaica
No dia seguinte, outro caso reforçou as preocupações. Uma explosão danificou uma escola judaica em Amsterdã, no que o prefeito da cidade classificou como um “ataque deliberado contra a comunidade judaica”.
Conforme o professor André Lajst, presidente-executivo da organização sem fins lucrativos StandWithUs Brasil, a explosão causou danos limitados e não houve registro de feridos. Imagens de câmeras de segurança mostram uma pessoa colocando o artefato explosivo no local.
“A segurança em sinagogas e instituições judaicas em toda a Holanda foi reforçada após os ataques”, informou André.
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Segundo ele, os episódios fazem parte de uma “preocupante onda de violência contra comunidades judaicas na Europa” na última semana, incluindo outros incidentes na Holanda, Bélgica e Noruega.
“Em apenas dois dias, três sinagogas na Europa e uma nos EUA foram atacadas, no que parece ser uma ação coordenada para intimidar a comunidade judaica internacional”, disse ele.
E continuou: “Casos recentes também foram registrados em países como Canadá, Bélgica, Estados Unidos e Holanda. Quando lugares de culto e comunidades judaicas se tornam alvo de violência ao redor do mundo, fica claro: isso não é ‘crítica a Israel’. É antissemitismo”.
André destacou que os ataques ocorreram durante o Shabat — dia sagrado semanal do judaísmo, celebrado do pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado — e alertou para o crescimento de ataques contra comunidades judaicas ao redor do mundo.
“Neste Shabat, mais do que nunca, lembramos que nenhuma comunidade deveria precisar se reunir atrás de portas reforçadas e escolta policial para se sentir segura”, concluiu.
