Uma influenciadora cristã, de 21 anos, e sua mãe foram condenadas à prisão domiciliar após gravarem um agente do governo na casa da família, em Cuba.
Na última quinta-feira (1), Anna Sofía Benítez Silvente, e sua mãe, Caridad Silvent, foram julgadas no tribunal municipal do Leste de Havana.
Conhecida nas redes sociais como Anna Bensi, a criadora de conteúdo costuma fazer críticas contra o governo comunista cubano.
A juíza Zamira Marrero Morgado condenou as mulheres a dois anos de prisão domiciliar, sob a acusação de "atos contra a privacidade pessoal e familiar".
Anna foi proibida de viajar ao exterior. A filha e a mãe também não podem mudar de residência sem permissão e enfrentam limites para viagens fora de sua província.
O caso começou em 10 de março deste ano, quando um agente do Departamento de Segurança do Estado de Cuba foi à casa da família em Havana entregar uma intimação.
Ele vestia roupas civis e foi gravado por Anna e Caridad e a influenciadora cristã compartilhou o vídeo nas redes sociais.
Duas semanas depois, o agente, chamado Yoel Leodán Rabaza Ramos, registrou uma queixa e pediu um pedido de desculpas em vídeo de Anna após "se sentir deprimido" quando o vídeo viralizou na web.
Os promotores se basearam no Artigo 393 do Código Penal de Cuba, que protege a imagem, voz e dados pessoais de uma pessoa, para condenar a filha e a mãe.
O advogado da influenciadora, Roberto Ortega, informou que planeja recorrer na Justiça.
Antes de entrar no julgamento na semana passada, Anna declarou: "Não concordamos com o sistema político do nosso país; isso não é crime. Cuba é uma ditadura, não podemos pensar diferente”.
🚨 "Nunca va a ser justo el juicio cuando estamos gobernados por un Estado de injusticia" 👉 Esto dijo la creadora de contenido @_annabensi antes de entrar al juicio que se celebra hoy contra ella y su madre, Caridad Silvente. 💬 “No somos criminales, estamos expresando lo que pensamos” 👉 La joven afirmó abiertamente que no está de acuerdo con el sistema político cubano ni con la manera en que se manejan los asuntos internos del país. 👉 Preguntada por dónde veía la solución, respondió sin rodeos: “Que Cuba sea libre. En el cambio”.
— Cubanet 🇨🇺 (@CubanetNoticias) October 1, 2026
Ela ainda relatou que o pastor Rolando Pérez Lora, que lhe acompanhava a caminho do julgamento, foi preso sem justificativa por policiais à paisana.
David Espinosa, pastor de jovens da Convenção Batista do Oeste de Cuba, e sua esposa também foram detidos naquele dia. A polícia libertou os líderes após o término do julgamento.
🚨 El Pregonero De Cristo fue detenido violentamente cuando acompañaba a Anna Bensi y su madre al juicio. Aunque Anna y su madre podían asistir al juicio con hasta tres personas, las autoridades no permitieron que el Pregonero las acompañara al Tribunal Municipal Popular de La Habana del Este. "Se lo llevaron esposado, como si fuera un criminal, y no le dieron ninguna justificación", denunció minutos más tarde Anna Bensi.
— Cubanet 🇨🇺 (@CubanetNoticias) October 1, 2026
As jornalistas independentes Yoani Sánchez e Camila Acosta também denunciaram que a polícia as impediu de sair de casa para cobrir o julgamento da influenciadora cristã.
Segundo o Observatório Cubano de Direitos Humanos, as ações policiais fazem parte de uma operação para manter ativistas, repórteres e líderes cristãos afastados do tribunal.
Multidão orou do lado de fora do tribunal
Durante o julgamento, uma multidão louvou e orou do lado de fora do tribunal. Cerca de 30 representantes de comunidades religiosas participaram do ato.
Na última terça-feira (29), quatro das maiores igrejas evangélicas registradas de Cuba emitiram notas declarando apoio às mulheres: a Assembleia de Deus, a Convenção Batista do Oeste de Cuba, a Liga Evangélica de Cuba e a Igreja Metodista de Cuba.
A Convenção Batista de Cuba Ocidental afirmou que a filha e a mãe fazem parte da igreja e "possuem um testemunho poderoso da vida cristã”.
"Elas não são delinquentes, atacantes, traficantes de drogas, terroristas ou mercenárias. Por um senso básico de justiça, não podemos, não queremos e não vamos deixá-las sozinhas", afirmou a denominação.
"Em uma ilha que está se desmoronando, caracterizada por fome, doença, escassez de água, eletricidade e remédios, apatia e falta de proteção da polícia, a prisão dessas duas mulheres inocentes e justas será a gota que fará o cálice transbordar”.
