Adolescente filho de pastor é libertado após meses de prisão em Cuba

Com 16 anos na época, Jonathan Muir Burgos foi preso após participar de protestos por melhores condições de vida no país.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: terça-feira, 7 de julho de 2026 às 15:34
Jonathan Muir Burgos e seus pais. (Foto: Portas Abertas Brasil).
Jonathan Muir Burgos e seus pais. (Foto: Portas Abertas Brasil).

O adolescente cristão Jonathan Muir Burgos, preso durante protestos em Cuba, foi libertado da prisão.

Segundo a Missão Portas Abertas, Jonathan, filho do pastor Elier Muir Ávila, foi solto no dia 24 de junho após passar quatro meses no presídio de Canaleta, em Ciego de Ávila.

O adolescente, na época com 16 anos, e seu pai foram detidos pela polícia em março, na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, em meio à repressão do governo comunista contra cristãos.

Eles foram presos por participarem de protestos contra o governo que aconteceram em Morón, após quedas de energia constantes, e escassez de alimentos e remédios no país.

Mesmo sendo menor de idade, Jonathan passou por interrogatório sobre sua presença no protesto e sobre o que ele falou na manifestação, incluindo se ele pediu por liberdade.

O pastor Elier foi libertado no mesmo dia, porém seu filho permaneceu detido em uma penitenciária de segurança máxima destinada a adultos.

Jonathan foi acusado formalmente de “sabotagem”, um crime que pode resultar em até dez anos de prisão no país, no dia 2 de abril.

Os advogados do adolescente entraram com um pedido de habeas corpus, mas a solicitação foi negada poucos dias depois.

Sem cuidados médicos na prisão

Na prisão, ele enfrentou problemas de saúde, incluindo infecções, parasitas intestinais e desmaios. As condições precárias na prisão, incluindo uma infestação de percevejos, pioraram seu estado de saúde.

Jonathan, que sofre de uma doença dermatológica chamada disidrose, foi impedido de receber cuidados médicos enquanto estava detido.

Além disso, o cristão passou o seu aniversário dentro da prisão, sendo libertado com 17 anos.

Ainda não há informações se as acusações contra Jonathan foram retiradas após sua libertação. Seus pais pediram que a Igreja continue orando pela saúde física e emocional do jovem.

O caso de Jonathan ganhou repercussão internacional. Organizações de direitos humanos, como a Inter-American Commission on Human Right, e representantes governamentais expressaram preocupação com a situação do adolescente e de sua saúde.

Entidades internacionais classificaram o cristão como prisioneiro de consciência e pediram sua soltura.

Família pastoral perseguida

Ativistas pela liberdade religiosa relataram que a família do pastor Elier Ávila já tem enfrentado pressão do governo por suas atividades religiosas. Ele lidera a igreja Tiempo de Cosecha, uma congregação independente não registrada.

Em 2024, o pastor recebeu diversas visitas de autoridades locais, enviados pelo Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que o alertaram que somente igrejas autorizadas pelo governo podiam funcionar e apenas líderes reconhecidos pelo Estado poderiam ministrar.

O Reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, afirmou que o caso recente se assemelha com a prisão do pastor Lorenzo Rosales Fajardo e seu filho adolescente após protestos em julho de 2021, em Cuba.

“O governo cubano tem um longo histórico de mirar os filhos de líderes da igreja como uma tática de pressão”, afirmou a Christian Solidarity Worldwide (CSW).

Perseguição em Cuba

Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% dos cubanos se identificam como cristãos. A maioria é católica e cerca de 11% são evangélicos.

No país, os cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Participar de cultos é permitido, mas novas igrejas não podem ser abertas.

Diante da repressão, milhares de seguidores de Jesus têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas.

Mesmo sob vigilância constante, essas pequenas comunidades continuam a se multiplicar e se tornam fundamentais para manter viva a fé na ilha.

As igrejas domésticas são grupos cristãos que se reúnem para realizar cultos dentro das casas de pastores ou de membros da comunidade.

De acordo com dados da associação ASCE Cuba, há entre 20 mil e 30 mil dessas igrejas ativas no país. Elas funcionam sem placas, sem autorização oficial e, muitas vezes, enfrentam o constante risco de repressão governamental.

Cuba ocupa o 24° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.

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