O jornalista que foi preso por noticiar a perseguição contra cristãos na Nigéria foi absolvido de acusações de cibercrime.
A ADF International, um grupo de advocacia que defende a liberdade religiosa, informou o resultado do julgamento de Luka Binniyat na última quinta-feira (27).
Em um artigo publicado em 29 de outubro de 2021, no jornal Epoch Times, o repórter cristão Luka criticou a falta de atitude das autoridades nigerianas para proteger os cristãos usando o título: “Na Nigéria, a polícia condena os massacres como 'perversos', mas não fazem prisões”.
No texto, o jornalista relatou os assassinatos em massa de cristãos em duas aldeias do sul de Kaduna, de autoria de pastores muçulmanos Fulani.
Ele também fez uma crítica ao Comissário de Segurança Interna e Assuntos Internos do Estado de Kaduna, Samuel Aruwan, que não reconheceu que há uma perseguição religiosa e caracterizou o massacre de cristãos desarmados como um “conflito” entre moradores de aldeias e pastores (agricultores).
Por causa da matéria, Luka Binniyat foi preso em novembro de 2021, sob a acusação de “cyberstalking” — ou seja, por usar a tecnologia para perseguir ou ameaçar as autoridades.
Após mais de dois meses detido, o jornalista foi libertado em janeiro de 2022, porém seu julgamento continuou na Justiça.
Até que, quatro anos depois, o Tribunal Federal Superior de Kaduna divulgou sua decisão em maio de 2026.
O tribunal afirmou que “nenhuma prova para provar os elementos essenciais da suposta infração" e classificou as provas contra Binniyat de "manifestamente pouco confiáveis”.
Liberdade de imprensa
"Sou grato por ter sido liberado e as acusações contra mim terem sido arquivadas", declarou Luka.
"No entanto, minha experiência mostra que há muito trabalho a ser feito na Nigéria para proteger a liberdade de expressão, especialmente quando se trata de falar sobre a liberdade religiosa e reportar honestamente o que realmente está acontecendo com os cristãos no país”.
Luka ressaltou que é preocupante que ele tenha sido preso por seu trabalho como jornalista.
“É essencial que, à medida que os cristãos enfrentam perseguição generalizada em toda a Nigéria, a imprensa esteja livre para citar o que as figuras públicas estão dizendo e fazendo sobre essa crise", defendeu”.
Sean Nelson, conselheiro sênior da ADF International, destacou que Luka Binniyat não fez nada além de "citar com precisão as próprias palavras de um legislador nigeriano”.
“Essa decisão é uma justificação para Luka, mas também deveria ser um alerta: reportagens precisas sobre atrocidades não são crime, e jornalistas que cobrem perseguição religiosa merecem proteção, não processo", disse Nelson.
E acrescentou: "Por toda a Nigéria, cristãos estão sendo massacrados por causa de sua fé. Os jornalistas têm tanto o dever quanto o direito de reportar sobre esses ataques violentos e motivados por motivos religiosos. Sem as reportagens deles, o sofrimento que enfrentam passaria em grande parte despercebido”.
A Nigéria ocupa o 7° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas de lugares mais difíceis para ser cristão.
