Ministro cristão no Curdistão faz juramento sobre Bíblia queimada pelo Estado Islâmico

O novo ministro do Transporte e Comunicações do Curdistão iraquiano, Ano Jawhar Abdulmasih Abdoka, apontou os cristãos como parte essencial do governo.

Fonte: Guiame, com informações do RudawAtualizado: sexta-feira, 12 de julho de 2019 às 19:52
Ano Jawhar Abdulmasih Abdoka prestou juramento sobre Bíblia queimada pelo Estado Islâmico no Parlamento da Região do Curdistão. (Foto: Reprodução/Rudaw)
Ano Jawhar Abdulmasih Abdoka prestou juramento sobre Bíblia queimada pelo Estado Islâmico no Parlamento da Região do Curdistão. (Foto: Reprodução/Rudaw)

Um novo funcionário do governo do Curdistão iraquiano, região afetada pelo Estado Islâmico, fez um juramento para o cargo na quarta-feira (10) segurando uma Bíblia queimada pelo grupo terrorista.

Ano Jawhar Abdulmasih Abdoka foi empossado como ministro do Transporte e Comunicações do Governo Regional do Curdistão (GRC) usando uma Bíblia que foi queimada por militantes do Estado Islâmico nas planícies de Nínive, apontando os cristãos como um componente essencial na Região do Curdistão.

Abdoka é o único ministro cristão no novo gabinete do primeiro-ministro do GRC, Masrour Barzani.

“Para mim, como o único ministro cristão no novo gabinete do Governo Regional do Curdistão, eu decidi jurar sobre um manuscrito bíblico, parte do qual foi queimado por membros do Estado Islâmico nas planícies de Nínive”, disse Abdoka ao canal de notícias curdo Rudaw.

“É um desafio para nós, cristãos, caldeus, assírios e siríacos, permanecermos na terra de nossos ancestrais. As planícies de Nínive, o Iraque, a Mesopotâmia e o Curdistão são nossas terras, e estamos aqui com a ajuda de nossos amigos na Região do Curdistão”, acrescentou Abdoka.

O novo ministro explicou que testemunhou as “horríveis atrocidades” cometidas pelo Estado Islâmico, especialmente contra grupos minoritários como os cristãos, yazidis e kakais, particularmente em Nínive, no Iraque. Todos foram “afetados” pelo EI, reconheceu Abdoka. 


Ano Jawhar Abdulmasih Abdoka prestou juramento sobre Bíblia queimada pelo Estado Islâmico. (Foto: Reprodução/Rudaw)

As minorias cristãs, yazidis e turcomanas estarão representadas no novo gabinete após as eleições parlamentares realizadas em setembro do ano passado na Região do Curdistão. Grupos minoritários receberam 11 assentos na legislatura composta por 111 membros. 

O cristianismo é uma das religiões reconhecidas no Iraque, mas desacordos internos entre seitas ortodoxas e católicas deixaram os grupos politicamente fragmentados, em um país onde a religião frequentemente se alinha com a política. 

Segundo o último censo no Iraque, feito em 1987, foram contabilizados 1,5 milhões de cristãos no país. Antes da ascensão do Estado Islâmico em 2014, grupos locais estimam que a população cristã estava entre 400 mil e 600 mil. Pelo menos metade deixou o Iraque desde 2014, e cerca de 130 mil procuraram abrigo na Região do Curdistão. 

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