Organização pró-vida é ameaçada de processo por chamar aborto de assassinato

Live Action recebeu notificação para retirar conteúdos e pedir desculpas após classificar o aborto como ato de matar uma criança ainda não nascida.

Fonte: Guiame, com informações da Church LeadersAtualizado: quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 16:31
Lila Rose, fundadora da Live Action, na Marcha pela Vida da Califórnia. (Foto: Live Action)
Lila Rose, fundadora da Live Action, na Marcha pela Vida da Califórnia. (Foto: Live Action)

A organização pró-vida americana Live Action está enfrentando uma ameaça de ação judicial após classificar o aborto como o ato de matar uma criança ainda não nascida.

A fundadora e presidente do grupo, Lila Rose, afirmou que não pretende mudar a linguagem usada pela entidade diante das pressões legais.

No mês passado, a Live Action recebeu uma notificação extrajudicial da Amplify Legal, ligada à organização Abortion in America.

O documento exigia que o grupo interrompesse o que chamou de uma “campanha maliciosa de desinformação” e retirasse declarações consideradas difamatórias contra 13 clientes representadas pela organização.

Segundo a Amplify Legal, conteúdos publicados pela Live Action em artigos, vídeos e redes sociais teriam retratado mulheres que passaram por abortos como “assassinas”.

A entidade afirma ainda que algumas delas teriam recebido ameaças de morte após a divulgação dos conteúdos.

A notificação estabeleceu prazo até 28 de julho para que a Live Action removesse o material questionado e publicasse um pedido de desculpas. A organização pró-vida, porém, rejeitou as exigências.

“Aborto é um ato de matar. Ele encerra deliberadamente a vida de uma criança humana viva”, declarou Lila Rose.

Para a ativista, a disputa também envolve a maneira como o aborto é apresentado à sociedade. Segundo ela, ativistas favoráveis ao procedimento procuram controlar a linguagem empregada no debate.

“Eles querem colocar o aborto além do julgamento moral, mesmo quando a criança visada é deficiente ou recebeu um diagnóstico difícil. Eles sabem que controlar a linguagem é essencial para tornar o aborto mais fácil de aceitar, porque as pessoas entendem intuitivamente que o aborto mata uma criança e que todo bebê merece uma chance de viver”, afirmou.

‘Não vamos ser pressionados’

Lila também declarou que a Live Action continuará defendendo crianças ainda não nascidas e não aceitará substituir os termos que considera adequados para descrever o aborto.

“Não seremos pressionados a usar uma linguagem que esconda o que o aborto faz ou que torne mais fácil aceitar a morte de uma criança ainda não nascida”, afirmou.

A líder pró-vida acrescentou que as ameaças legais não alterarão a missão da organização.

“As ameaças não nos impedirão de chamar o aborto pelo que ele é ou de lutar pelo direito de toda criança viver. Continuaremos lutando e venceremos”, declarou.

Segundo Lila, os americanos têm o direito de expressar publicamente suas convicções sobre o aborto sem receio de serem levados aos tribunais por isso.

“Essas crianças são seres humanos. Suas vidas têm dignidade e elas têm o direito de viver. Os americanos têm todo o direito de dizer isso aberta e enfaticamente, sem medo de serem arrastados para o tribunal por se recusarem a adotar a linguagem enganosa preferida pelos ativistas do aborto”, disse.

Liberdade de expressão

A Live Action está sendo representada juridicamente pela Thomas More Society, organização jurídica que atua em causas relacionadas à vida, família e liberdade religiosa.

Em comunicado divulgado na segunda-feira (17), os advogados afirmaram que a Live Action não interromperá sua cobertura sobre o aborto, não excluirá seu arquivo nem retirará aquilo que considera opinião protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

“Live Action não deixará de noticiar sobre o aborto. Não deixará de expressar a opinião – compartilhada por dezenas de milhões de americanos e pelo movimento pró-vida – de que o aborto tira a vida de um ser humano vivo e pode ser descrito corretamente como ‘matar’”, afirmou a defesa.

Peter Breen, vice-presidente executivo e chefe de litígios da Thomas More Society, classificou a notificação como uma tentativa de silenciar o discurso pró-vida.

Segundo o advogado, a Amplify Legal não apresentou decisões judiciais que sustentem uma proibição de que defensores da vida utilizem o termo “matar” ao se referirem ao aborto.

Breen também destacou que a própria Suprema Corte americana já empregou o termo em decisões relacionadas ao tema.

“Estamos orgulhosos de defender o trabalho jornalístico da Live Action e seu direito de falar livre e claramente sobre a questão social mais controversa do nosso tempo”, afirmou.

A Live Action declarou que continuará produzindo conteúdos sobre aborto e defendendo o direito à vida de crianças nascidas e ainda não nascidas.

 

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