Uma nova etapa das pesquisas na formação de Durupınar, na Turquia, trouxe um achado que pode ser importante para as investigações sobre a possível localização da Arca de Noé.
Durante uma perfuração realizada no interior da formação em formato de barco, uma broca atingiu, entre 4 e 5 metros abaixo da superfície, uma camada extremamente resistente e acabou se quebrando.
Segundo o GlobeNewswire, a equipe considera que o material possa ser madeira petrificada ou altamente mineralizada, hipótese que agora deverá ser investigada por meio de análises laboratoriais independentes.
“Qualquer que seja o material atingido pela perfuração, era mais duro que calcário – duro o suficiente para quebrar a broca”, afirmou Andrew Jones, fundador da Noah’s Ark Scans e vice-presidente do projeto de pesquisa.
A descoberta ocorreu durante a nova campanha de perfurações profundas na formação de Durupınar, localizada na província de Ağrı, no leste da Turquia, próximo ao Monte Ararat.
O local, com aproximadamente 157 metros de comprimento, possui uma forma semelhante ao casco de uma embarcação e há décadas é investigado por pesquisadores que levantam a hipótese de que possa preservar vestígios da Arca descrita no livro de Gênesis.
A formação foi identificada em fotografias aéreas em 1959 pelo capitão do Exército turco İlhan Durupınar.
Material mais duro que calcário
Segundo a equipe, o sistema de perfuração já havia atravessado as camadas superiores quando encontrou uma resistência incomum.
A perfuração utilizada nesta etapa é realizada a seco, sem fluidos, por meio de impacto mecânico. Esse tipo de equipamento consegue atravessar diferentes materiais, incluindo calcário e outros tipos de rocha.
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Comparação mostra que a madeira petrificada pode apresentar dureza superior à do calcário na escala de Mohs. (Captura de tela/ YouTube/Noah’s Ark Scans)
No entanto, ao atingir a camada encontrada entre 4 e 5 metros de profundidade, a broca não conseguiu avançar e acabou se quebrando.
“Madeira petrificada ou altamente mineralizada são possibilidades que queremos investigar por meio de testes laboratoriais independentes”, explicou Jones.
A equipe ressalta que a natureza do material ainda não foi determinada. Portanto, somente as análises poderão revelar se a camada está relacionada a madeira mineralizada ou se possui outra origem geológica.
A possibilidade despertou atenção porque a madeira petrificada passa por um processo no qual o material orgânico é gradualmente substituído por minerais, podendo adquirir elevada dureza.
Material orgânico encontrado
As perfurações também permitiram retirar amostras de diferentes profundidades para análise.
De acordo com os pesquisadores, foram recuperadas sequências de solo e sedimentos, além de camadas ricas em material orgânico e cavidades subterrâneas. Algumas perfurações chegaram a aproximadamente 18 metros de profundidade.
Jones afirmou que a equipe acredita que parte do material orgânico encontrado possa estar relacionada a restos de madeira deteriorada.
“Até agora recuperamos camadas de material orgânico rico que acreditamos que possam ser restos deteriorados da parte superior da Arca”, declarou.
Essa interpretação, porém, ainda precisa ser comprovada cientificamente.
Segundo os pesquisadores, as perfurações realizadas dentro da formação até agora também não teriam encontrado uma camada contínua de calcário sólido ou rocha-mãe, algo que a equipe considera relevante para avaliar a hipótese de que Durupınar seja apenas uma formação geológica natural.
Cavidades abaixo da formação
Outro resultado relatado durante os trabalhos foi a identificação de diversas cavidades subterrâneas. Uma delas estaria preenchida por lama e água.
Esses espaços chamam atenção porque levantamentos anteriores realizados com radar de penetração no solo (GPR) indicaram anomalias lineares, interseções em ângulos e áreas alongadas vazias abaixo da superfície.
O projeto pretende aprofundar a investigação dessas estruturas.
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Broca utilizada nas perfurações na formação de Durupınar, na Turquia, durante as investigações sobre o possível local da Arca de Noé. (Captura de tela: YouTube/Noah’s Ark Scans)
As pesquisas anteriores utilizaram tecnologias como GPR, tomografia de resistividade elétrica (ERT) e LiDAR, além de análises químicas e modelagem tridimensional do terreno.
Em estudos anteriores, amostras de solo coletadas dentro da formação também apresentaram, segundo a Noah’s Ark Scans, quase três vezes mais material orgânico do que amostras obtidas fora dela.
Pesquisa autorizada na Turquia
A atual investigação é dirigida pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Universidade Sivas Cumhuriyet, em cooperação com a Noah’s Ark Scans.
O projeto recebeu autorização oficial de autoridades turcas para realizar investigações geológicas e arqueológicas na região.
A campanha de 2026 reúne arqueólogos, geólogos, cientistas do solo e especialistas técnicos de diferentes países.
Para Andrew Jones, as novas perfurações representam uma mudança importante na investigação porque permitem passar das imagens obtidas por sensoriamento para a coleta de material físico.
“Este é um grande avanço em nossa capacidade de investigar o que existe sob este local extraordinário”, afirmou. Segundo ele, amostras estão sendo reunidas para análises laboratoriais e novos trabalhos de campo estão previstos para o próximo ano.
Arca de Noé?
Apesar dos resultados considerados promissores pela equipe, não há comprovação científica de que a formação de Durupınar seja a Arca de Noé.
A origem da estrutura permanece objeto de debate, e geólogos já defenderam que suas características podem ser explicadas por processos naturais.
Os resultados mais recentes divulgados pela Noah’s Ark Scans são preliminares, ainda não foram publicados em periódico científico nem submetidos a revisão por pares.
Os pesquisadores aguardam agora os testes laboratoriais das amostras retiradas durante as perfurações. Essas análises poderão determinar a composição do material orgânico e, principalmente, esclarecer o que existe na camada extremamente resistente que provocou a quebra da broca.
Para a equipe, descobrir se esse material é realmente madeira petrificada ou altamente mineralizada poderá representar uma das respostas mais importantes obtidas até agora na investigação da formação de Durupınar.
