Trump presidirá ‘Conselho da Paz’ para Gaza; órgão pode atuar como alternativa à ONU

O novo órgão foi apresentado por Trump como peça-chave para a fase de reconstrução, desarmamento e governança pós-guerra em Gaza.

Fonte: Guiame, com informações da Reuters e i24newsAtualizado: segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 às 17:03
Donald Trump, presidente dos EUA. (Foto: The White House)
Donald Trump, presidente dos EUA. (Foto: The White House)

Em um movimento diplomático de grande repercussão global, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no domingo (18) a criação de um novo “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza.

A iniciativa visa estabelecer uma entidade internacional responsável por supervisionar a transição do território, após mais de dois anos de conflito e uma trégua frágil entre Israel e grupos militantes palestinos.

Segundo o anúncio, o Conselho terá como objetivo coordenar esforços humanitários, garantir segurança e promover negociações para uma solução duradoura na região.

A proposta marca um passo significativo na tentativa de estabilizar o Oriente Médio e reforça a posição dos EUA e do próprio Trump, que se autodenominou presidente do órgão, como mediador em processos de paz internacionais.

Reações internacionais

A iniciativa tem provocado reações mistas entre aliados, questionamentos sobre sua relação com a Organização das Nações Unidas (ONU) e uma resposta especialmente crítica por parte de Israel.

O novo órgão, também chamado internacionalmente de “Board of Peace”, foi apresentado por Trump como uma peça-chave para a fase de reconstrução, desarmamento e governança pós-guerra em Gaza, com sua estrutura inicial voltada a coordenar esforços multilaterais e atrair financiamentos para a reconstrução da região devastada.

Segundo o rascunho do estatuto circulado entre governos, o conselho reuniria líderes e representantes de cerca de 60 países convidados por Trump, incluindo nações como Índia, Austrália, Jordânia, Paquistão e Hungria, entre outras, e teria Trump como presidente inaugural.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, aceitou o convite para integrar o conselho, informou o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, em entrevista à rádio estatal no domingo.

“Cada Estado-Membro deve cumprir um prazo não superior a três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito à renovação pelo Presidente”, mostra o documento, relatado pela primeira vez pela Bloomberg News.

Tony Blair e Jared Kushner

Um ponto de destaque, e de controvérsia, é o modelo de participação: países que desejarem cadeiras permanentes no conselho teriam de contribuir com ao menos US$ 1 bilhão em recursos financeiros; sem isso, teriam mandatos limitados a três anos.

“O prazo de três anos de adesão não se aplica aos Estados-Membros que contribuam com mais de US$ 1.000.000 em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano da entrada em vigor da Carta.”

Segundo a Reuters, esse esquema, que visa financiar projetos de reconstrução em Gaza, gerou debates sobre a influência e legitimidade do novo órgão no sistema internacional.

A composição esperada do corpo executivo surge com nomes como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o conselheiro sênior Steve Witkoff, o genro de Trump e arquiteto dos Acordos de Abraão, Jared Kushner, além de outros políticos e líderes empresariais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado, mas ainda não confirmou participação.

Reação de Israel

Apesar de aliado próximo dos EUA, o governo de Israel reagiu com fortes críticas à iniciativa, informa o site israelense i24News.

Em comunicado oficial, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a composição anunciada do Conselho da Paz foi feita “sem coordenação com Israel e contraria sua política”.

A principal objeção israelense se refere especialmente à inclusão de representantes da Turquia e do Catar no conselho executivo, países que têm relações complicadas com Jerusalém e vínculos políticos com grupos palestinos.

A discordância vai além de simples reservas diplomáticas: ministros de direita no governo israelense chegaram a desautorizar a iniciativa, defendendo posições mais duras sobre a Faixa de Gaza e rejeitando o papel de organizações multilaterais que não garantam as prioridades estratégicas de Israel.

Concorrência com a ONU

Uma das maiores questões colocadas pela proposta de Trump é a possibilidade de o Conselho da Paz atuar como uma entidade paralela ou alternativa à ONU.

Especialistas e diplomatas ouvidos por agências internacionais observam que a estrutura proposta, com regras próprias de adesão e financiamento e com Trump no comando, poderia desafiar o papel tradicional da ONU no gerenciamento de crises internacionais – particularmente porque a ONU tem sido criticada por sua lentidão e limitações em conflitos como o de Gaza.

Embora autoridades americanas neguem que a intenção seja substituir a ONU, há sinais de que o conselho poderia ter um mandato mais amplo no futuro, incluindo abordagens a outras zonas de conflito como Ucrânia e Venezuela, segundo discussões internas relatadas por diplomatas.

Diversos países europeus já manifestaram relutância em participar, expressando preocupação de que o novo órgão possa enfraquecer o papel do Conselho de Segurança da ONU e criar estruturas de tomada de decisão paralelas àquelas previstas no direito internacional.

Fórum Econômico Mundial

A expectativa é que o Conselho da Paz seja oficialmente lançado e seus membros anunciados durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que começa nesta segunda-feira (19).

A iniciativa também expõe tensões na diplomacia global sobre quem deve liderar os processos de reconstrução e estabilidade em zonas de conflito, e até que ponto atores como os EUA podem reimaginar mecanismos de governança internacional fora dos moldes tradicionais da ONU.

Segundo a AP, os integrantes do conselho serão responsáveis por supervisionar os próximos passos em Gaza, à medida que o cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro, avança para sua segunda fase, considerada desafiadora. 

Essa etapa inclui a criação de um novo comitê palestino na região, o envio de uma força internacional de segurança, o desarmamento do Hamas e a reconstrução do território devastado pela guerra.

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