O texto bíblico citado abaixo é muito conhecido pela grande maioria dos cristãos e talvez seja ainda um pouco conhecido entre os não cristãos. Estamos falando da parábola do filho pródigo. Uma ilustração usada pelo Senhor Jesus para retratar as condições de tratamento e relacionamento no Reino de Deus.
Em geral, quando ouvimos e/ou lemos mensagens, pregações, palestras, a respeito desta parábola, somos levados a refletir sobre a situação de distanciamento que alguém pode estar do Senhor e a necessidade de buscarmos tal pessoa para reintegrá"la. Isto é, o foco quase sempre é o filho pródigo. A personagem da parábola que é o filho mais moço daquela família muito rica, que decide abandonar a casa do pai para viver sozinho, por conta própria. Até que ele se vê numa situação calamitosa e decide voltar para a casa de seu pai. Sendo então, restaurado e reintegrado à família.
Acreditamos que essa parábola tem muito mais para nos ensinar, mas não temos a pretensão de tentar esgotar todo o texto. Apenas queremos direcionar nossos leitores, mantendo o devido respeito que merecem, numa reflexão sobre alguns princípios que aprendemos com tal ilustração, e na aplicação destes na vida familiar. Para facilitar a meditação citaremos a seguir, alguns versículos da parábola conforme necessidade. Porém, o ideal é que o (a) amado (a) leitor (a) releia todo o texto bíblico, no Evangelho segundo Lucas capítulo 15, do verso 11 a 32, analisando os princípios aqui comentados.
Primeiramente, no verso 11 da referida parábola diz que: "Certo homem tinha dois filhos". Precisamos entender que dentro de uma família há diversidade, mentalidades diferentes, em outras palavras, ninguém é igual a ninguém. E quando Deus permite isso, não é para criar confusão, mas sim para nos levar ao aperfeiçoamento, ao crescimento pessoal e familiar; através da regeneração do nosso caráter. É verdade que somos regenerados em/por Cristo, mas é no dia"a"dia, nos nossos relacionamentos, que aplicamos todo aprendizado que recebemos do Senhor. E onde vemos a graça de Deus operando maravilhosamente gerando nossa regeneração e mudança de vida. Em Provérbios 27:17 lê"se: "Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem ao seu amigo". Isto é, precisamos tirar o melhor proveito dos nossos relacionamentos, para o aperfeiçoamento de nosso caráter. Vale lembrar que caráter é: índole; inclinação natural. Sendo assim, devemos nos recordar que naturalmente somos inclinados a toda sugestão da carne, conforme a Bíblia já nos disse. Leia Gálatas 5:16"21; Romanos 3:23; Gênesis 3. Por isso, o Criador nos dá a oportunidade de nos aperfeiçoarmos através da diversidade. Desta forma, nossa maneira de reagir, frente às diversas situações, vai influenciar nossos resultados. Vejamos como o pai, na parábola que Jesus contou, reagiu frente à atitude do filho.
Após ser abordado pelo filho caçula que pediu sua parte na herança, ainda com o pai vivo. Aquele homem reagiu demonstrando ter verdadeiramente um caráter justo, que resultou num coração amável e bondoso. Pois, a Escritura diz: ¹² "... E ele lhes repartiu os haveres." Ele, o pai, não precisava fazer aquilo. Poderia ter dito ao filho para não se preocupar com divisão de bens naquele momento, já que o pai gozava de boa saúde. Ou ter convidado o filho para assumir um cargo na diretoria da empresa da família, ou algo parecido. Porém, por ser justo, aquele homem decidiu dar ao seu filho, a oportunidade que ele buscava. Ainda que isso o causasse sofrimento. Não queremos sugerir aqui, que temos que autorizar as pessoas a fazerem tudo o que querem. Não nos entenda assim. O fato é que precisamos ser justos, para agirmos com amor e bondade, especialmente nas situações em que nossos familiares decidem algo diferente do que esperamos.
Aprendemos ainda, conforme relatado pelo próprio filho, no verso 17, que a humildade daquele pai proporcionou a ele um coração generoso e desprendido. Pois, ao se encontrar numa situação de total miséria, o filho se lembra que na casa de seu pai até os empregados tinham comida com fartura, ou seja, eram bem tratados. Por isso ele decide voltar e procurá"lo. Lembre"se, seus familiares só virão a você para suprirem as necessidades deles, se de fato encontrarem um caráter humilde e um coração generoso à espera deles. Porque pessoas humildes, ainda que tenham uma posição mais privilegiada em relação ao próximo, elas conseguem ser desprendidas e generosas para beneficiar o outro.
No verso 20, encontramos outro princípio que permeia a parábola, é o perdão. Através do seu caráter perdoador, o pai acolheu seu filho em seu coração compassivo e misericordioso. O texto bíblico não nos diz quanto tempo o jovem ficou fora de casa. Provavelmente foi um longo tempo, meses ou até anos, pois ele foi para outro país. Contudo, quando ele retornou, ele foi abraçado e beijado pelo pai. Aquele homem que havia sido rejeitado, humilhado e abandonado pelo filho, agora o recebe com todo o carinho. Tudo isso só foi possível porque ele era naturalmente inclinado para o perdão. Isto nos ensina que as pessoas ao errarem e se arrependerem, correrão direto para os braços daqueles que são misericordiosos e compassivos. Como aquele jovem após todos os seus erros cometidos. Ele voltou para casa de seu pai, porque sabia do caráter perdoador que ele tinha. O filho, nem mesmo almejava mais ser reconhecido como filho. Esperava ser recebido apenas como empregado. Mas, foi totalmente surpreendido por seu pai que mais uma vez demonstrou sua integridade. A partir do momento em que aquele pai tomou conhecimento das necessidades de seu filho, ele assumiu sua responsabilidade paterna e supriu as necessidades do jovem.
No verso 22 está escrito que ele pediu para que seus empregados vestissem o rapaz com a melhor roupa, colocassem um anel no dedo dele e o calçassem com sandálias. Isto é, ele estava devolvendo ao jovem a posição de filho, e não de empregado como o moço esperava. Sendo assim, cada membro de uma família precisa assumir as responsabilidades inerentes a suas respectivas posições dentro do lar, para com isso suprir as necessidades dos outros membros da família. Finalmente, também aprendemos com a parábola que um caráter restaurador gera um coração agradecido. Ou seja, o pai comemorou e se alegrou com a restauração de seu filho. Até mesmo, ensinou ao filho mais velho a celebrar a vitória do irmão. Seja grato e celebre a restauração de sua família.
Jean Carlos é pastor, cursou seminário teológico; professor e interprete da língua Inglesa " graduado em Letras (UFMG); colunista da Revista Cristã. Casado com Katy Bastos com quem tem um casal de filhos.
Contato: jean.carlos@lagoinha.com
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