Colombiano, obrigada a você que, mesmo com medo, encontrou coragem para pegar o celular e registrar o que estava acontecendo em sua rua, em seu trabalho, em sua casa, em uma escola, em um hospital ou no alto de um edifício.
Talvez, naquele momento, você nem imaginasse até onde aquelas imagens chegariam. Mas elas chegaram até nós.
As cenas chocam.
Algumas são difíceis de assistir.
Edifícios feitos de concreto desabaram como se fossem frágeis demais para permanecer de pé. Veículos pesados balançaram como brinquedos. Objetos foram lançados ao chão. Estruturas que pareciam sólidas se desfizeram em segundos. E, infelizmente, vimos também vocês sendo sacudidos, correndo, tentando se proteger e proteger aqueles que estavam por perto.
Ouvimos suas vozes.
Ouvimos o choro, os gritos, o desespero.
Mas ouvimos também algo que atravessou as imagens e chegou ao nosso coração: suas orações.
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Em meio ao medo, muitos clamaram a Deus.
E nós choramos juntos. Oramos também.
Cada uma dessas cenas nos fez refletir profundamente sobre aspectos da vida nos quais talvez não pensássemos com tanta intensidade em um dia comum. Porque foi impossível assistir a tudo aquilo sem perceber, mais uma vez, o quanto somos frágeis.
Aquilo que construímos para ser resistente pode cair.
Aquilo que consideramos seguro pode balançar.
Aquilo que parecia estar sob controle pode mudar em poucos segundos.
Entre tantas imagens, vimos um bebê de poucos dias sendo retirado dos escombros. E as lágrimas molharam nossos rostos. Como uma vida tão pequena, tão delicada, conseguiu sobreviver em meio a tamanha destruição?
Diante de cenas assim, somos levados a nos lembrar de Deus, da preciosidade da vida e de que nossa existência tem um propósito que muitas vezes ainda não conseguimos compreender.
Vimos crianças chorando e chamando por seus pais. Naquele instante de medo, elas procuravam aqueles que, aos seus olhos, poderiam protegê-las de qualquer coisa: seus heróis.
E foi exatamente isso que também vimos em muitas cenas emocionantes. Pais e mães envolvendo os filhos com os próprios braços, tentando acalmá-los enquanto tudo ao redor parecia fora de controle.
Talvez haja poucas imagens capazes de representar tão bem o amor: quando não podemos impedir que o chão trema, ainda podemos abraçar alguém enquanto ele treme.
Também vimos pessoas doentes e hospitalizadas enfrentando o terremoto justamente quando já estavam em alguns dos momentos mais vulneráveis de suas vidas. Pessoas que já lutavam contra enfermidades foram, mais uma vez, desafiadas a resistir. Pacientes, familiares e profissionais de saúde precisaram encontrar forças em meio ao inesperado.
Ah... também vimos, graças a vocês, algo maravilhoso: um bebê de apenas seis meses e sua mãe sendo resgatados dos escombros. Que cena emocionante! Um verdadeiro milagre registrado por vocês e compartilhado conosco.
E aprendemos algo com tudo isso: mesmo quando não podemos controlar aquilo que acontece ao nosso redor, ainda é possível resistir. Ainda é possível viver milagres.
Vimos também pessoas abraçadas. Talvez algumas nem se conhecessem antes daquele momento. Em qualquer outro dia, poderiam passar umas pelas outras sem trocar uma palavra. Mas ali estavam juntas, apoiando-se, chorando, orando e tentando permanecer firmes enquanto o chão sob seus pés se movia frenética e descontroladamente.
Por alguns instantes, desapareceram as diferenças. Restaram seres humanos amedrontados, frágeis, necessitando uns dos outros.
Foram segundos. Apenas segundos. Mas suficientes para provocar destruição, mudar histórias, deixar feridos, separar famílias e produzir uma dor que levará muito mais tempo para ser reconstruída do que os prédios que vieram abaixo.
Mas vidas também serão reconstruídas por aqueles que receberam a bênção de permanecer vivos, como uma família inteira que, em meio à destruição, pôde testemunhar esse milagre.
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Quero repetir: suas imagens chegaram até nós. E elas fizeram alguma coisa conosco.
Elas nos fizeram valorizar a vida. Fizeram-nos pensar que acordar, trabalhar, voltar para casa, sentar-se à mesa com a família e terminar um dia sem nenhuma grande notícia pode ser uma bênção extraordinária. Aquilo que tantas vezes chamamos de rotina talvez seja uma das maiores dádivas que recebemos.
A coragem de vocês nos fez perceber isso.
E, por fim, como foi encorajador ver a fé sendo colocada em ação justamente quando seria compreensível pensar apenas em sobreviver. Enquanto paredes rachavam, objetos caíam e pessoas corriam, ouvimos orações. Vimos gente ajoelhada, gente clamando, gente ajudando o próximo e gente pronunciando o nome de Deus em meio ao caos. E, certamente, Ele os ouviu.
Talvez porque, quando nossas estruturas mais sólidas balançam, somos lembrados de que precisamos de algo. Ou melhor, de Alguém – que esteja além delas.
Agora ficamos daqui com essas imagens na memória, lágrimas nos olhos e orações em nossos lábios. Sabemos que, para muitos, quando o chão parou de tremer começou outra batalha: enfrentar o luto, cuidar dos feridos, procurar desaparecidos, reconstruir casas, vencer o medo e aprender novamente a viver sem esperar pelo próximo tremor.
Também ficamos com uma fé fortalecida no coração. E para dizer que, a mesma coragem que vocês demonstraram enquanto tudo desmoronava, será necessária nos dias que virão.
E nossa oração é para que Deus console aqueles que perderam alguém, fortaleça os feridos, sustente os que ficaram sem casa e renove as forças de todos que precisarão reconstruir suas vidas. Ele é capaz!
Obrigada por terem registrado sua dor. Ela também nos alcançou. E também nos ensinou muitas coisas. E nos lembraram de que, enquanto tantas coisas que julgamos inabaláveis podem cair em segundos, a fé ainda pode permanecer de pé.
