Há risco de uma terceira guerra mundial? Especialista explica conflito envolvendo o Irã

Ex-paraquedista do Exército de Israel afirma que o ataque ao Irã foi resposta ao avanço nuclear e a décadas de financiamento de grupos armados no Oriente Médio.

Fonte: GuiameAtualizado: sexta-feira, 13 de março de 2026 às 15:55
Imagem de ataque israelense contra Teerã. (Foto: Wikimedia Commons/Mehr News Agency)
Imagem de ataque israelense contra Teerã. (Foto: Wikimedia Commons/Mehr News Agency)

Em meio à escalada da guerra envolvendo Irã e Israel, o pastor Joel Engel entrevistou em live o brasileiro-israelense Gabriel Schorr, especialista em geopolítica do Oriente Médio e ex-paraquedista das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Apesar da gravidade do cenário, Engel destacou: “Quanto pior ficar a situação do mundo, mais próximo está a vinda do Senhor. Para nós, a última resposta não é a guerra. A última mensagem é esta: o Rei dos reis está voltando”.

Gabriel Schorr nasceu em Porto Alegre e se mudou para Israel em 1999, aosk 19 anos. Após se tornar cidadão israelense, entrou no serviço militar e foi selecionado para o corpo de paraquedistas.

Ele serviu entre 2001 e 2004, em meio à Segunda Intifada, e depois seguiu como reservista por muitos anos, atuando principalmente na região da Faixa de Gaza.

“Naquela época, Israel já estava sob ataque do terrorismo fundamentalista islâmico. O mesmo Hamas que ficou muito conhecido nestes anos, para nós já era muito conhecido no ano 2000”, afirmou.

“É uma guerra espiritual”

Na conversa, Joel Engel observou que o conflito não é só militar: “Esta é uma guerra extremamente espiritual”, afirmou o pastor.

Gabriel concordou e disse que experimentou isso no campo de batalha: “No exército existe o capacete, existe o colete à prova de balas, mas existe uma proteção divina que, quanto mais dentro do campo de batalha você entra, mais você a conhece”, disse.

Ao explicar o conflito atual, Schorr disse que o povo iraniano não pode ser confundido com o regime que governa o Irã desde 1979.

Casado com uma judia persa, Schorr disse que a história da Pérsia é marcada por uma relação antiga com Israel. 

“A Pérsia é uma das nações mais antigas da humanidade, uma das mais cultas. Foi a Pérsia, com o rei Ciro, que deu autorização para os judeus retornarem a Sião”, disse.

Como o regime mudou o Irã

Segundo Schorr, a ruptura acontece com a Revolução Islâmica de 1979, quando o regime dos aiatolás assume o poder e transforma radicalmente o país.

“Aquela população livre, rica, abundante e culturalmente aberta passa a ser submetida a uma tirania religiosa”, afirmou.

O regime iraniano se tornou, ao longo das últimas décadas, o grande financiador de movimentos armados e terroristas em várias partes do Oriente Médio.

Segundo ele, o Irã apoia grupos como Hamas, Hezbollah, houthis e outras milícias: “Eles financiam, treinam e dão armas a movimentos terroristas islâmicos dispersos pelo mundo”, afirmou.

Por que Israel atacou

Schorr explicou que o ataque ao Irã foi em resposta a uma ameaça que se tornou insustentável:

“Israel entrou na guerra para eliminar uma ameaça existencial ao Estado de Israel. Ponto”, declarou.

Gabriel afirmou que o avanço do programa nuclear iraniano foi um dos fatores decisivos para a guerra atual. Segundo ele, Israel acredita que o regime estava muito perto de alcançar capacidade de ataque nuclear.

“Se a gente não atacasse, eles atacariam em breve.”

Sob novos ataques, a rotina de quem vive em Israel mudou — Gabriel contou que sua família dorme em um quarto blindado por causa do risco de mísseis. “Nós estamos sem dormir há várias noites.”

Queda do regime não é o foco principal

“Se, como consequência disso, cair o regime iraniano e a população persa for liberada da tirania dos aiatolás, excelente. Mas não é isso que está na mente e na ordem dada a cada piloto e soldado”, disse Gabriel.

Segundo ele, a missão é clara: neutralizar a ameaça nuclear e militar que paira sobre Israel.

“Hoje é uma guerra que vai nos limpar de uma ameaça existencial muito importante e, pelo visto, vai liberar o Irã e possivelmente o Oriente Médio das garras do mal também”, declarou.

Ao ser perguntado sobre o risco de haver uma terceira guerra mundial, Gabriel avaliou

“Se essa guerra tivesse pego todo mundo de surpresa, nós poderíamos estar entrando numa terceira guerra mundial. Mas acredito que a estratégia foi muito calculada. Na verdade, é possível que esta guerra esteja justamente evitando ou empurrando uma terceira guerra mundial para mais adiante.”

E completou: “Estamos diante de um momento que pode trazer uma paz mais firme para o Oriente Médio, porque está enfrentando uma ameaça que há décadas alimenta conflitos na região.”

Confira a live completa:

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