Em entrevista ao Erin Molan Show, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu destacou o histórico de amizade entre os dois povos e afirmou que Israel apoia o povo iraniano, e não o regime islâmico que governa o país.
Netanyahu deixou claro que “Israel está pronto para ajudar o povo do Irã”, que vive sob um regime repressivo há quase 50 anos e tem se manifestado nas ruas em busca de liberdade.
Para reforçar a boa relação entre os dois povos, Netanyahu recorreu a figuras bíblicas para destacar a antiga amizade entre judeus e persas.
Ele mencionou o rei Ciro, da Pérsia, citado no livro de Esdras (capítulo 1), que, no século VI a.C., permitiu o retorno dos judeus do exílio na Babilônia e autorizou a reconstrução do Templo em Jerusalém.
“Celebramos um grande rei ... o rei Ciro, que trouxe os judeus de volta do exílio na Babilônia para a Judeia, onde foi construído o Segundo Templo para o povo judeu. Ele foi um grande rei e um grande amigo”, afirmou Netanyahu, defendendo que essa tradição de cooperação deveria prevalecer.
Por outro lado, o primeiro-ministro mencionou Hamã, personagem do livro de Ester, descrito como inimigo mortal dos judeus, comparando-o a Hitler.
Para Netanyahu, o atual regime iraniano segue mais a “tradição de Hamã”, marcada pelo desejo de aniquilação, do que a de Ciro, pautada pela convivência e pelo respeito.
Repressão e expansão do terror
Segundo ele, o governo de Teerã “não está interessado no bem-estar de sua própria população” e desperdiçou recursos bilionários ao financiar grupos terroristas e regimes aliados, em vez de investir em infraestrutura, educação e desenvolvimento econômico.
Netanyahu comparou as realidades econômicas dos dois países para evidenciar o contraste:
“A economia israelense é maior do que a iraniana, apesar de termos apenas cerca de 10 milhões de habitantes, enquanto o Irã se aproxima de 100 milhões”, afirmou.
Para o premiê, isso evidencia como o regime iraniano priorizou a repressão interna e a expansão do terror no exterior, deixando sua população em situação de empobrecimento e sem perspectivas.
Operação Leão Ascendente
Questionado pela entrevistadora sobre a chamada “Guerra de 12 dias” e se Israel teria ido além sem a proposta dos EUA para o cessar-fogo, Netanyahu respondeu que os objetivos militares foram claramente definidos e cumpridos.
O foco, segundo ele, foi atingir instalações nucleares e de produção de mísseis, além de outros alvos estratégicos.
“O colapso do regime não fazia parte da operação Leão Ascendente. Poderia ser um resultado, mas não era o objetivo”, explicou, acrescentando que mudanças profundas precisam partir do próprio povo iraniano.
Mortes e prisões
A entrevista ocorre em meio a protestos populares que já chegam ao 16º dia consecutivo em diversas cidades do Irã.
As manifestações, lideradas principalmente por jovens e mulheres, têm denunciado repressão, crise econômica e falta de liberdades civis.
Os protestos se espalharam por todas as 31 províncias do país, com mais de 500 atos registrados, segundo a Human Rights Activists News Agency.
Além disso, há relatos de mais de 500 mortos e mais de 10 mil prisões, em meio a um apagão de internet imposto pelo regime iraniano para conter a mobilização.
Apesar da resposta dura das forças de segurança, os protestos continuam se espalhando, revelando, segundo Netanyahu, o profundo desgaste do regime e o anseio da população por mudança.
“Eles merecem assumir o controle do próprio destino. São um povo antigo e extraordinário”, concluiu o líder israelense.
Para ele, com o tempo, a postura de amizade e reconstrução – simbolizada por Ciro – acabará prevalecendo sobre a violência e a opressão.
