Netanyahu cita rei Ciro e diz que Israel está pronto para ajudar o povo do Irã

Para reforçar a boa relação histórica entre os dois povos, Netanyahu recorreu a figuras bíblicas para destacar a antiga amizade entre judeus e persas.

Fonte: Guiame, com informações do Erin Molan ShowAtualizado: segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 às 15:38
Benjamin Netanyahu: “Israel está pronto para ajudar o povo do Irã”. (Captura de tela/YouTube/Erin Molan)
Benjamin Netanyahu: “Israel está pronto para ajudar o povo do Irã”. (Captura de tela/YouTube/Erin Molan)

Em entrevista ao Erin Molan Show, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu destacou o histórico de amizade entre os dois povos e afirmou que Israel apoia o povo iraniano, e não o regime islâmico que governa o país.

Netanyahu deixou claro que “Israel está pronto para ajudar o povo do Irã”, que vive sob um regime repressivo há quase 50 anos e tem se manifestado nas ruas em busca de liberdade.

Para reforçar a boa relação entre os dois povos, Netanyahu recorreu a figuras bíblicas para destacar a antiga amizade entre judeus e persas.

Ele mencionou o rei Ciro, da Pérsia, citado no livro de Esdras (capítulo 1), que, no século VI a.C., permitiu o retorno dos judeus do exílio na Babilônia e autorizou a reconstrução do Templo em Jerusalém.

“Celebramos um grande rei ... o rei Ciro, que trouxe os judeus de volta do exílio na Babilônia para a Judeia, onde foi construído o Segundo Templo para o povo judeu. Ele foi um grande rei e um grande amigo”, afirmou Netanyahu, defendendo que essa tradição de cooperação deveria prevalecer.

Por outro lado, o primeiro-ministro mencionou Hamã, personagem do livro de Ester, descrito como inimigo mortal dos judeus, comparando-o a Hitler.

Para Netanyahu, o atual regime iraniano segue mais a “tradição de Hamã”, marcada pelo desejo de aniquilação, do que a de Ciro, pautada pela convivência e pelo respeito.

Repressão e expansão do terror

Segundo ele, o governo de Teerã “não está interessado no bem-estar de sua própria população” e desperdiçou recursos bilionários ao financiar grupos terroristas e regimes aliados, em vez de investir em infraestrutura, educação e desenvolvimento econômico.

Netanyahu comparou as realidades econômicas dos dois países para evidenciar o contraste:

“A economia israelense é maior do que a iraniana, apesar de termos apenas cerca de 10 milhões de habitantes, enquanto o Irã se aproxima de 100 milhões”, afirmou.

Para o premiê, isso evidencia como o regime iraniano priorizou a repressão interna e a expansão do terror no exterior, deixando sua população em situação de empobrecimento e sem perspectivas.

Operação Leão Ascendente

Questionado pela entrevistadora sobre a chamada “Guerra de 12 dias” e se Israel teria ido além sem a proposta dos EUA para o cessar-fogo, Netanyahu respondeu que os objetivos militares foram claramente definidos e cumpridos.

O foco, segundo ele, foi atingir instalações nucleares e de produção de mísseis, além de outros alvos estratégicos.

“O colapso do regime não fazia parte da operação Leão Ascendente. Poderia ser um resultado, mas não era o objetivo”, explicou, acrescentando que mudanças profundas precisam partir do próprio povo iraniano.

Mortes e prisões

A entrevista ocorre em meio a protestos populares que já chegam ao 16º dia consecutivo em diversas cidades do Irã.

As manifestações, lideradas principalmente por jovens e mulheres, têm denunciado repressão, crise econômica e falta de liberdades civis.

Os protestos se espalharam por todas as 31 províncias do país, com mais de 500 atos registrados, segundo a Human Rights Activists News Agency.

Além disso, há relatos de mais de 500 mortos e mais de 10 mil prisões, em meio a um apagão de internet imposto pelo regime iraniano para conter a mobilização.

Apesar da resposta dura das forças de segurança, os protestos continuam se espalhando, revelando, segundo Netanyahu, o profundo desgaste do regime e o anseio da população por mudança.

“Eles merecem assumir o controle do próprio destino. São um povo antigo e extraordinário”, concluiu o líder israelense.

Para ele, com o tempo, a postura de amizade e reconstrução – simbolizada por Ciro – acabará prevalecendo sobre a violência e a opressão.

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