O príncipe herdeiro Reza Pahlavi divulgou, na quarta-feira (14), uma declaração que reacendeu o debate internacional sobre o futuro do Irã e a estabilidade no Oriente Médio.
“Sob o jugo da República Islâmica, o Irã é identificado em suas mentes com terrorismo, extremismo e pobreza. O verdadeiro Irã é um Irã diferente. Um Irã bonito, amante da paz e próspero”, disse.
“É o Irã que existia antes da República Islâmica, e é o Irã que ressurgirá de suas cinzas no dia em que a República Islâmica cair.”
To all of our friends around the world,
— Reza Pahlavi (@PahlaviReza) January 15, 2026
Under the yoke of the Islamic Republic, Iran is identified in your minds with terrorism, extremism, and poverty. The real Iran is a different Iran. A beautiful, peace-loving, and flourishing Iran.
It is the Iran that existed before the… pic.twitter.com/IhK6ZRYDY0
Em tom firme, declarou, em vídeo dirigido ao povo iraniano, que a queda do regime dos aiatolás abriria caminho para a paz regional, com o fim do programa nuclear militar e a interrupção imediata do apoio a grupos terroristas.
Ao abordar temas de segurança e política externa, Pahlavi afirmou que um novo Irã cooperaria com parceiros regionais e globais no combate ao terrorismo, ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao extremismo islâmico.
A proposta também prevê a normalização das relações com os EUA e a restauração da amizade histórica entre os povos iraniano e americano.
“Na diplomacia, as relações com os Estados Unidos serão normalizadas, e nossa amizade com a América e seu povo será restaurada”, declarou.
Entre os pontos mais sensíveis de sua fala está a questão de Israel.
Segundo Pahlavi, um Irã livre reconhecerá imediatamente o Estado de Israel e buscará ampliar os atuais Acordos de Abraão – tratados de normalização entre Israel e países árabes – para algo que ele chamou de “Acordos de Ciro”.
“O Estado de Israel será reconhecido imediatamente. Buscaremos a expansão dos Acordos de Abraão para os Acordos de Ciro, reunindo um Irã livre, Israel e o mundo árabe”.
Rei Ciro na Bíblia
A referência é a Ciro, o Grande, rei persa que, segundo a Bíblia, permitiu o retorno dos judeus do exílio e a reconstrução de Jerusalém, sendo lembrado nas Escrituras como instrumento de Deus para promover liberdade e restauração.
Recentemente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu destacou o histórico de amizade entre os dois povos e afirmou que Israel apoia o povo iraniano, e não o regime islâmico que governa o país.
Em uma entrevista, ele também mencionou o rei Ciro:
“Celebramos um grande rei ... o rei Ciro, que trouxe os judeus de volta do exílio na Babilônia para a Judeia, onde foi construído o Segundo Templo para o povo judeu. Ele foi um grande rei e um grande amigo”, afirmou Netanyahu, defendendo que essa tradição de cooperação deveria prevalecer.
A proposta de um acordo regional feita pelo príncipe herdeiro surge em meio a uma grave crise interna no Irã, marcada por repressão política, sanções internacionais, isolamento diplomático e ondas recorrentes de protestos populares contra o regime dos aiatolás.
A tensão com Israel e o Ocidente, somada ao apoio iraniano a grupos armados na região, tem alimentado conflitos e instabilidade no Oriente Médio.
Príncipe exilado
Filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, Reza vive atualmente no exílio, nos EUA, após a Revolução Islâmica de 1979.
Embora não governe, ele se apresenta como uma liderança de transição democrática, defendendo um Irã livre, plural e em paz com seus vizinhos.
Para muitos iranianos da diáspora – que vivem em diferentes regiões do mundo –, sua voz simboliza uma alternativa ao regime teocrático que há décadas controla o país.
A referência aos “Acordos de Ciro” traz um simbolismo especial, indicando a possibilidade de reconciliação entre povos e o compromisso de líderes e nações com a paz, a justiça e a liberdade.
