Uma família cristã busca justiça após sua filha de 16 anos ser sequestrada, convertida à força e possivelmente forçada a se casar com um líder religioso muçulmano no Paquistão.
O caso aconteceu na província de Punjab. Segundo o pai, Faqeer Masih, a jovem Neha Bibi fazia aulas de costura há cerca de seis meses em um centro administrado pelas esposas de Sajid Ibrahim, um líder muçulmano de 45 anos.
No dia 24 de março, Neha saiu para a aula, mas não voltou para casa. Quando a família procurou o local, as responsáveis disseram que ela já tinha ido embora.
“Continuamos a procurá-la, mas quando não conseguimos encontrá-la, fomos à polícia. Mas, eles não deram atenção aos nossos pedidos de ajuda”, disse o pai ao Morning Star News.
De acordo com o pai, as autoridades demoraram a registrar a ocorrência e não deram atenção ao caso no início. Dias depois, a família descobriu que o líder religioso e suas esposas também tinham desaparecido, o que aumentou as suspeitas sobre o envolvimento deles no desaparecimento da menina.
O boletim de ocorrência só foi registrado em 2 de abril, nomeando Ibrahim e suas esposas como suspeitos. No entanto, “as autoridades não fizeram nenhum esforço imediato para localizá-los”.
Casamento forçado
Mais tarde, a polícia informou que a adolescente teria ido a um tribunal e declarado que se converteu ao Islã por vontade própria.
“Ficamos devastados ao saber disso. É possível que ela tenha sido forçada a fazer isso para se casar”, declarou o pai.
Ejaz Alam Augustine, um político cristão da região, informou as autoridades e pediu urgência nas buscas.
“Entrei em contato com o oficial responsável pela investigação e, posteriormente, com autoridades policiais de alto escalão do distrito, instando-os a garantir o resgate da menina”, disse Augustine, acrescentando que as autoridades lhe asseguraram que esforços estavam sendo feitos para localizar os suspeitos e encontrar Neha.
O caso gerou preocupação entre cristãos no país, principalmente porque situações parecidas têm acontecido com meninas de minorias religiosas.
Organizações de direitos humanos alertam que adolescentes cristãs e hindus, especialmente as mais pobres, são as principais vítimas desse tipo de crime.
Recentemente, uma nova lei na província aumentou a idade mínima para o casamento para 18 anos e passou a tratar o matrimônio infantil como crime, com pena de prisão. Mesmo assim, casos como o de Neha continuam chamando atenção sobre a proteção de meninas e a liberdade religiosa no país.
Além disso, autoridades discutem novas leis para punir conversões religiosas forçadas. Segundo o Morning Star News, propostas semelhantes já foram apresentadas antes, mas enfrentaram resistência de grupos religiosos.
O Paquistão ficou novamente em 8º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.
