Após cinco anos de trabalho contínuo, missionários que atuam no Sudeste Asiático celebraram as primeiras conversões ao cristianismo em uma aldeia remota.
Edward e Terri Janklow, do Conselho de Missões Internacionais (IMB), passaram 20 anos evangelizando grupos étnicos não alcançados, conhecidos pela forte resistência ao Evangelho.
A primeira pessoa da aldeia a entregar a vida a Cristo foi Mya, que conheceu os missionários ainda criança. Quando eles chegaram à região, ela tinha 12 anos e nunca havia ouvido falar de Jesus.
Na época, nem mesmo líderes cristãos locais acreditavam que ainda existiam comunidades no país que nunca tivessem sido alcançadas pelo Evangelho.
Então, quando um pastor visitou a região próxima à aldeia de Mya, essa realidade ficou evidente:
“Estávamos sentados conversando com uma mulher e perguntamos a ela: 'Você já ouviu falar de Jesus?'. E ela respondeu: 'Nunca estive nessa aldeia'. Ela pensava que Jesus era o nome de uma comunidade”, disse Edward ao IMB.
Durante os primeiros anos do trabalho evangelístico local, as pessoas ouviam o Evangelho com profundo desinteresse. No entanto, apesar da resistência, Mya demonstrava curiosidade.
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Edward e Terri Janklow. (Foto: Reprodução/IMB)
Ela acompanhava os missionários, ouvia as histórias bíblicas e até ajudava a traduzi-las, embora ainda estivesse determinada a seguir o budismo. Até que, um dia, Mya orou a Deus e pediu uma calça jeans.
“Não é nada parecido com o Evangelho que pregamos, mas sinto que Deus olhou para você e disse: 'Você é a primeira pessoa aqui a falar comigo. Se você precisa de uma calça jeans para saber que eu sou o Deus Vivo, isso é fácil para mim providenciar'”, relatou Edward.
Apesar de ter ido comprar a calça no mesmo dia com o pai, Mya ainda não se rendeu a Jesus.
Anos de trabalho evangelístico no local
Quando os Janklows voltaram aos Estados Unidos para seu primeiro período de férias, ninguém havia se convertido ao cristianismo em quatro anos. Antes de retornarem ao Sudeste Asiático, pediram às suas igrejas que orassem enquanto eles trabalhavam para que o primeiro crente se convertesse.
No ano seguinte, Mya terminou o ensino médio e concordou em estudar em uma escola bíblica para aprender inglês e, durante esse período, ela reconheceu seus pecados e a necessidade de um Salvador.
“Levou cinco anos para que a primeira pessoa se tornasse crente durante nosso tempo em campo. Teria sido tão fácil desistir depois de quatro anos, mas pela graça de Deus não desistimos”, afirmou Terri.
Segundo o casal, eles enfrentaram muitos momentos desafiadores, pois o trabalho era difícil e lento.
Para chegar às aldeias, se não houvesse estradas de carro, eles precisam pegar um trem, descer na estação mais próxima e caminhar o resto do caminho.
Embora algumas pessoas tivessem aceitado Jesus, muitas vezes enfrentavam perseguição e eram forçadas a deixar suas aldeias. Nenhuma igreja foi formada. Nesse período, os missionários lutavam para entender como Deus estava agindo.
Depois de conhecer a história de Mya, o pastor passou a enviar, todos os anos, equipes de sua igreja para compartilhar o Evangelho na região. Após concluir os estudos, Mya se tornou missionária entre o seu próprio povo.
Evangelistas entre o seu próprio povo
Um dos maiores pedidos de oração era pela conversão do pai de Mya, o Sr. Lin, um homem respeitado na comunidade que sempre acompanhava os missionários em suas visitas. Durante anos, ele ouvia o Evangelho, mas respondia apenas: “Talvez um dia”.
Com o passar dos anos, ele começou a ser atraído por Deus e parou de fazer sacrifícios a Buda. Parou de fumar e começou a ouvir louvor. Então, depois de 18 anos, ele se rendeu a Jesus.
“Pouco antes de nos mudarmos para o Sudeste Asiático, descobrimos que estávamos esperando nosso primeiro filho. Criar um filho até a idade adulta e ver o Sr. Lin crer em Deus levou o mesmo tempo”, contou Edward.
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Mya indo pregar ao seu povo. (Foto: Reprodução/IMB)
O Sr. Lin foi batizado enquanto uma equipe da igreja da família Janklow estava no local: “Eles fizeram um vídeo. E quando voltaram e o exibiram no domingo de manhã na igreja e todos aplaudiram porque eles haviam orado tanto conosco pelo Sr. Lin”, afirmou Terri.
Hoje, Mya e seu pai — os primeiros cristãios da aldeia — pregam o Evangelho juntos em sua própria comunidade.
Para os missionários, a história é uma prova do tempo e da fidelidade de Deus. “O que teria acontecido se tivéssemos desistido depois de quatro ou quinze anos? Não desistimos, e valeu a pena”, concluíram.
*Alguns nomes foram alterados por motivos de segurança.
