Muçulmanos incendeiam casa e loja de cristão acusado de ‘blasfêmia’ no Paquistão

Kamran Masih foi acusado de blasfêmia por compartilhar um vídeo e teve seus imóveis incendiados por muçulmanos. Com medo de novos ataques, mais de 35 famílias cristãs deixaram a região.

Fonte: Guiame, com informações de Christian DailyAtualizado: quinta-feira, 15 de outubro de 2026 às 13:40
A propriedade de Masih foi completamente destruída pelas chamas. (Foto: Reprodução/Facebook/SOS Chrétiens d’Orient)
A propriedade de Masih foi completamente destruída pelas chamas. (Foto: Reprodução/Facebook/SOS Chrétiens d’Orient)

Uma multidão de muçulmanos incendiou a casa e a loja de um cristão acusado falsamente de blasfêmia na última semana, no Paquistão. Com medo de novos ataques, mais de 35 famílias cristãs deixaram suas residências na região.

Kamran Masih, de 40 anos, é pai de três filhos e foi preso na última quinta-feira (8), após muçulmanos acusá-lo de compartilhar um vídeo considerado blasfemo em grupos do WhatsApp.

Após a prisão, a polícia levou Masih para um local seguro: “À medida que a notícia da prisão de Masih se espalhava, sua família e outros cristãos começaram a fugir da aldeia, temendo um ataque da multidão”, disse uma fonte ao Morning Star News.

No dia seguinte, dezenas de muçulmanos se reuniram em frente à farmácia e à casa do cristão, que fica ao lado do estabelecimento, e incendiaram os dois imóveis na vila de Gharial Kalan, no distrito de Sheikhupura, em Punjab.

“Felizmente, a multidão não conseguiu danificar outras propriedades cristãs devido à intervenção oportuna da polícia”, contou a fonte.

“Não me é permitido compartilhar mais informações devido à delicadeza da situação. No entanto, posso garantir que a situação está sob controle e que a lei será aplicada a todos os envolvidos na violência”, acrescentou.

A polícia investiga o ataque

Um representante cristão da Assembleia do Punjab, Ejaz Alam Augustine, afirmou que parlamentares cristãos acompanharam a situação junto às autoridades para garantir a segurança dos moradores.

“A ação rápida da polícia ao prender Masih ajudou a conter a situação; caso contrário, as coisas poderiam ter saído do controle”, disse Augustine.

E continuou: “Autoridades policiais de alto escalão me garantiram que o incidente será investigado a fundo. A polícia prendeu mais de 15 manifestantes que incendiaram a loja e a casa de Masih”.

Um parente de Masih afirmou que a violência surpreendeu os moradores, já que cristãos e muçulmanos conviviam pacificamente na vila.

“Temos uma relação muito cordial com nossos vizinhos muçulmanos, e ainda não consigo compreender como esses eventos se desenrolaram. Masih tem uma ótima reputação na aldeia e é um homem sensato. Não temos ideia de como ou por que ele foi acusado de um ato tão grave”, relatou o parente.

A perseguição aos cristãos no Paquistão 

A organização Human Rights Focus Pakistan condenou o incêndio e as ameaças contra os cristãos. O grupo pediu às autoridades proteção para Masih, sua família e os demais moradores, além de assistência às famílias que tiveram de deixar suas casas.

A organização também cobrou defesa jurídica para o cristão, um julgamento justo e a responsabilização dos envolvidos na violência:

“Uma mera acusação não comprova que Masih cometeu um crime. Qualquer determinação de culpa deve ser precedida de uma investigação justa e imparcial e de um processo judicial. Nenhuma alegação autoriza uma multidão a incendiar casas, ameaçar vizinhos ou fazer justiça com as próprias mãos”.

As leis de blasfêmia do Paquistão são criticadas por organizações de direitos humanos e especialistas jurídicos, que alertam para o uso dessas acusações em conflitos pessoais e para os riscos enfrentados pelas minorias religiosas no país.

Embora o país não tenha realizado execuções oficiais por blasfêmia, acusações desse tipo já provocaram ataques de multidões, assassinatos e longos períodos de prisão de suspeitos que aguardam julgamento.

A missão Portas Abertas classificou o Paquistão em 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, que reúne os 50 países onde os cristãos enfrentam os níveis mais severos de perseguição. 

Entre os problemas apontados estão a discriminação, os ataques de multidões, as conversões forçadas, o trabalho escravo e a impunidade dos responsáveis por atos de violência contra cristãos.

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