Um pastor de uma igreja doméstica não registrada foi libertado pelas autoridades chinesas após enfrentar, por mais de quatro anos, um processo relacionado a sua atuação religiosa em Xi’an, na província de Shaanxi.
O pastor Lian Xuliang, da Igreja da Abundância de Xi’an, voltou para casa em 5 de setembro, segundo a ChinaAid, com base em relato da Weiquanwang, organização que monitora casos de direitos humanos na China.
Apesar da libertação, ainda não está claro se o processo contra o pastor foi encerrado. Também permanece incerta a situação jurídica de seu pai, o pastor Lian Changnian, e da pregadora Fu Juan, que foram acusados juntamente com ele.
Os três enfrentam acusações de “fraude” relacionadas ao ministério da igreja.
Igreja foi proibida
Fundada no início da década de 1990, a Igreja da Abundância funciona de forma independente do sistema religioso controlado pelo regime comunista chinês. Lian Xuliang foi ordenado pastor no segundo semestre de 2021.
Seu pai, Lian Changnian, também é pastor e atua como líder sênior na China Gospel Fellowship, uma rede de igrejas subterrâneas no país.
Em 17 de agosto de 2022, Lian Xuliang, Lian Changnian e Fu Juan foram colocados sob “vigilância residencial em local designado” (RSDL, na sigla em inglês), sob suspeita de “fraude”.
Segundo a ChinaAid, durante esse período os três teriam sofrido diferentes níveis de tortura e maus-tratos.
Dois dias depois, em 19 de agosto, o Departamento de Assuntos Civis de Xi’an anunciou a proibição da Igreja da Abundância.
As autoridades alegaram que a congregação e sua rede não possuíam registro oficial e realizavam atividades como organização social sem autorização. Por isso, foram classificadas pelo governo como uma organização social ilegal.
Prisões se repetem
Em março de 2023, os três líderes cristãos foram formalmente presos após aprovação da Procuradoria.
A situação mudou em 12 de abril de 2025, quando as autoridades alteraram as medidas aplicadas contra eles e permitiram que aguardassem o julgamento fora da prisão.
Em 9 de julho de 2025, um tribunal de Xi’an analisou o caso, mas não anunciou uma sentença.
Meses depois, em 2 de novembro, enquanto ainda aguardavam uma decisão judicial, os três foram novamente detidos.
Lian Changnian, que na época tinha 71 anos e estava recebendo tratamento hospitalar devido à deterioração de sua saúde, foi retirado de casa e levado ao Centro de Detenção do Distrito de Weiyang, em Xi’an.
Com a libertação de Lian Xuliang, permanece incerto se as acusações contra os três continuam em andamento e qual é a situação atual de Lian Changnian e Fu Juan.
Pressão contra igrejas domésticas
Nos últimos anos, autoridades chinesas têm intensificado o controle sobre igrejas domésticas que funcionam sem registro oficial.
Segundo organizações que monitoram a liberdade religiosa no país, acusações de fraude e outros crimes de natureza econômica vêm sendo utilizadas em processos envolvendo pastores de igrejas não registradas e a administração de ofertas religiosas.
Até a divulgação do caso, autoridades de Xi’an e representantes do Judiciário chinês não haviam apresentado uma explicação pública sobre a libertação de Lian Xuliang nem esclarecido a situação do processo.
