Um pregador cristão da província de Yunnan, no sudoeste da China, foi advertido pelas autoridades e acusado de organizar atividades religiosas ilegais após liderar reuniões de oração pelo Zoom.
Na última quarta-feira (3), sete representantes do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos e outras autoridades locais foram até a casa de Chang Hao e entregaram um aviso exigindo o fim das reuniões onlines.
Por meio da plataforma Zoom, o pregador ministrava estudos bíblicos e realizava momentos de oração com cristãos.
Segundo as autoridades, as atividades foram consideradas ilegais por “ensinar a doutrina cristã e organizar reuniões de oração em violação dos Regulamentos da China sobre Assuntos Religiosos”.
A organização cristã China Aid informou que o documento apresentado na ocasião determinava a interrupção imediata das reuniões e alertava que o descumprimento poderia resultar em punições administrativas ou até em uma investigação criminal.
Durante a visita, os agentes também apresentaram capturas de tela de uma reunião online organizada por Chang. O encontro fazia parte da iniciativa “17h na China – Reunião de Oração do Reino”, uma rede que reúne cristãos de diferentes regiões do país diariamente para orar por crentes presos ou detidos.
Conforme Chang, cinco viaturas chegaram à sua residência durante a visita. Ele registrou a abordagem com fotos e vídeos, enquanto os agentes também gravavam toda a conversa.
‘Fé não é um crime’
No dia seguinte, a conta do pregador no WeChat também foi restringida. Em resposta, Chang contestou a decisão e declarou:
“Fé não é um crime. Minha fé não viola a Constituição da República Popular da China ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pelo contrário, quaisquer disposições que entrem em conflito com a Constituição e o direito internacional são leis injustas, e os cidadãos têm o direito de se recusar a cumpri-las”.
Conhecido por defender a liberdade religiosa e os direitos de grupos vulneráveis, Chang já enfrentou problemas com as autoridades por causa de sua atuação cristã. Ele possui uma deficiência física e psicológica e já foi alvo de investigações e pressão das autoridades chinesas por causa de sua fé.
Em abril de 2023, ele foi detido após publicar comentários na internet sobre liberdade religiosa e assuntos públicos. Tempos depois, foi condenado e sentenciado a um ano e dois meses de prisão.
Nesse período, sua saúde piorou significativamente. Após ser libertado, em junho de 2024, Chang voltou ao ministério promovendo atividades evangelísticas presenciais e online.
“O recente aviso sobre reuniões de pregação e oração no Zoom sugere que as autoridades continuaram monitorando suas atividades”, informou a China Aid.
Organizações cristãs e grupos de direitos humanos, dentro e fora da China, acompanham o caso e demonstram preocupação com possíveis novas restrições ou ações legais contra participantes da rede de oração.
