Anistia Internacional condena invasão de culto por policiais na China

Organização afirma que detenções de líderes da Early Rain Covenant Church refletem o aumento dos ataques à liberdade religiosa promovidos pelo governo chinês.

Fonte: Guiame, com informações da ChinaAidAtualizado: quinta-feira, 18 de junho de 2026 às 12:41
Após a invasão policial de um culto, líderes, fiéis e crianças são detidos em Sichuan, na China. (Foto: ChinaAid)
Após a invasão policial de um culto, líderes, fiéis e crianças são detidos em Sichuan, na China. (Foto: ChinaAid)

A Anistia Internacional condenou a invasão policial ao culto da Early Rain Covenant Church, em Sichuan, na China, e afirmou que o episódio é mais um sinal do agravamento da repressão à liberdade religiosa no país.

Em comunicado divulgado nesta semana, a organização de direitos humanos classificou as detenções como parte de uma campanha crescente das autoridades chinesas contra pessoas que exercem pacificamente sua fé.

No último domingo (14), cerca de 50 a 60 policiais interromperam um culto da ERCC realizado em uma sala de conferências de um hotel na cidade de Jiangyou, na província de Sichuan.

Líderes da igreja, membros da congregação e até crianças foram levados pelas autoridades para delegacias locais.

A Anistia Internacional destacou que a ação não é um caso isolado, mas reflete uma tendência mais ampla de endurecimento das restrições religiosas na China.

Controle e vigilância

Por meio da vice-diretora regional Sarah Brooks, a Anistia Internacional destacou:

“A detenção de líderes da igreja da Early Rain Covenant Church é o exemplo mais recente dos esforços do governo chinês para reprimir a atividade religiosa independente e reforçar o controle do Estado sobre a crença e o culto.”

E continuou:

“Ao longo do ano passado, as autoridades intensificaram o controle sobre as atividades religiosas por meio de vigilância ilegal, incursões e processos injustos sob disposições anticulto e segurança – resultando em repetidos ataques a indivíduos apenas por exercer pacificamente seu direito à liberdade religiosa.”

A organização afirma que “membros da Early Rain Covenant Church enfrentaram anos de assédio e intimidação – a prisão de 2019 de seu líder Wang Yi marcando o início de um período de intensificação da repressão de grupos cristãos na China.”

Liberdade de religião

A Anistia reiterou que o direito à liberdade de religião e crença é protegido pelo direito internacional e pediu a libertação imediata dos cristãos detidos.

A organização declarou que ninguém deve ser privado da liberdade simplesmente por participar de cultos ou expressar suas convicções religiosas de forma pacífica.

E ainda, que “as autoridades chinesas devem libertar imediatamente os dois líderes detidos, acabar com a repressão a todos os grupos religiosos do país e defender o direito de todos à liberdade de religião. Ninguém deve ser detido simplesmente devido às suas crenças religiosas.”

Segundo a entidade, o governo chinês tem recorrido cada vez mais a acusações vagas relacionadas à segurança do Estado para justificar a perseguição a grupos religiosos independentes, incluindo igrejas domésticas protestantes.

Histórico da Igreja

A Early Rain Covenant Church é uma das igrejas domésticas mais conhecidas da China e tem sido alvo frequente das autoridades desde dezembro de 2018, quando centenas de policiais participaram de uma grande operação contra a congregação.

Em dezembro de 2019, o pastor Wang Yi foi condenado a nove anos de prisão sob as acusações de “incitação à subversão do poder estatal” e “operação ilegal”.

O líder cristão havia criticado publicamente a interferência do Estado na vida religiosa e defendido a independência da igreja em relação ao governo.

Apesar da prisão de seu pastor e das repetidas ações repressivas, os membros da igreja continuaram se reunindo para cultos, oração e evangelismo.

No episódio mais recente, entre os cristãos confirmados como levados pelas autoridades estão os anciãos Yan Hong e Wu Wuqing, além dos membros Liu Yingxu, Nie Bo, Li Benli e A Xin. O paradeiro e a situação jurídica de muitos dos detidos ainda não foram esclarecidos.

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