Seis cristãos são presos por realizar Escola Bíblica Dominical para crianças na China

Os líderes de uma igreja doméstica foram acusados de "organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública”, na cidade de Kaili.

Fonte: Guiame, com informações de China Aid Atualizado: terça-feira, 19 de maio de 2026 às 20:10
Imagem ilustrativa. (Unsplash/Rainer Bleek).
Imagem ilustrativa. (Unsplash/Rainer Bleek).

Seis cristãos foram presos pela polícia após promoverem uma Escola Bíblica Dominical (EBD) para crianças em uma igreja, na China.

Segundo a ChinaAid, organização que apoia cristãos perseguidos, eles atuam como líderes da igreja doméstica na cidade de Kaili, na província de Guizhou.

Os detidos incluem cinco homens — Wei Yongqiang, He Jinbao, Quan Xiaolong, Long Jian e Cheng Yongbing — e uma mulher, Zhou Guixia.

Eles foram acusados falsamente de "organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” e de “fraude” por realizar aulas de EBD infantil.

Conforme a legislação chinesa, o crime de "organizar menores para se envolverem em atividades que minem a ordem pública" tem sido aplicado a condutas envolvendo lutas, roubo ou outros atos que ameaçam a ordem social.

Liberdade religiosa

Ativistas da liberdade religiosa alertaram que classificar a educação religiosa como crime é ilegal.

"Esta é uma escalada profundamente preocupante da campanha da China contra a liberdade religiosa. Criminalizar a escola dominical e o compartilhamento pacífico da fé com as crianças é um abuso ultrajante da lei e um ataque direto aos direitos fundamentais dos pais e das igrejas”, denunciou afirmou Bob Fu, presidente da ChinaAid.

“Isso mostra até onde o PCC (Partido Comunista Chinês) está disposto a ir para suprimir a crença religiosa independente. A constituição da China diz que protege a crença religiosa, mas na prática o PCC está mirando em cidadãos cumpridores da lei que, por acaso, frequentam a igreja com seus filhos", acrescentou.

Após as detenções, as famílias dos cristãos contrataram um advogado para representá-los no caso.

Porém, a Procuradoria da Cidade de Kaili aprovou as prisões sem ouvir os pareceres jurídicos dos advogados, conforme é exigido por lei. Os seis líderes permanecem na prisão.

Bob Fu pediu oração pelos cristãos encarcerados. "Convocamos a comunidade internacional, governos democráticos e organizações de direitos humanos a monitorarem de perto este caso", afirmou

"Na praça pública, vamos nos manifestar contra um sistema maligno que oprime violentamente pessoas de fé. E lembremos, em oração, de nossos irmãos e irmãs que estão presos, como se estivéssemos com eles”.

Aumento da repressão ao cristianismo

O caso acontece em meio ao aumento da repressão das atividades religiosas pelo governo chinês.

No ano passado, o regime comunista divulgou novos regulamentos, proibindo evangelizar jovens e cristãos e restringindo ainda mais o conteúdo cristão na internet.

As novas regras sobre o uso da web por pastores e igrejas foram divulgadas no site da Administração Nacional de Assuntos Religiosos, em setembro.

O documento proíbe a evangelização de menores de idade pela internet e barra igrejas e ministério de realizarem retiros e treinamentos para crianças e jovens.

"O clero não pode evangelizar usuários menores de idade ou organizar acampamentos ou treinamentos religiosos para jovens", relatou a Bitter Winter.

O regulamento ainda estabelece que os líderes religiosos devem apoiar as ideias socialistas e apoiar o Partido Comunista Chinês, sendo proibidas críticas ao governo.

Aqueles que infringirem a nova legislação podem enfrentar punições administrativas, incluindo suspensão de credenciais religiosas, fechamento de contas online e investigação criminal.

A China ocupa o 17° lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas de países mais difíceis para ser cristão.

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