Condenado a 10 anos de prisão, pastor Yousef Nadarkhani tem pena mantida após apelação

Além de Nadarkhani, outros três pastores estão presos e foram condenados a 80 chicotadas.

Fonte: Guiame, com informações do Portas AbertasAtualizado: quinta-feira, 17 de maio de 2018 às 13:25
Nadarkhani, que é ex-muçulmano, foi condenado por organizar igrejas domésticas. (Foto: Reprodução).
Nadarkhani, que é ex-muçulmano, foi condenado por organizar igrejas domésticas. (Foto: Reprodução).

O pastor Yousef Nadarkhani e outros três líderes cristãos (Mohammadreza Omidi, Yasser Mossayebzadeh e Saheb Fadaie) receberam uma pena de 10 anos de prisão, no dia 6 de julho de 2017. Os quatro são cristãos ex-muçulmanos.

Apesar do advogado de defesa do pastor e dos outros três ter apelado da sentença, a pena foi mantida. No último dia 2 de maio, o advogado que os representa recebeu uma ordem judicial confirmando a sentença dada. O motivo? Organizar igrejas domésticas e promover “cristianismo sionista”.

Além disso, Yousef Nadarkhani e Omidi também foram condenados a dois anos em exílio interno. No caso, o pastor Nadarkhani será direcionado para Nik Shahr e Omidi para Borazjan. Ambos locais são no sul do país, longe de suas famílias, que vivem na cidade de Rasht.

No dia 13 de dezembro de 2017 os quatro líderes que foram acusados e sentenciados passaram por uma audiência de apelação no Tribunal Revolucionário de Teerã. Na ocasião, o advogado de defesa apresentou uma defesa oral e escrita. Apesar de seu esforço, ele não obteve sucesso.

Todos eles, exceto o pastor Nadarkhani, foram detidos no dia 13 de maio de 2016. Os líderes estavam participando de uma ceia do Senhor e foram acusados de consumo de vinho. Já no dia 10 de setembro de 2016, eles foram condenados a 80 chicotadas. O recurso contra esta sentença ainda permanece pendente.

Relembre o caso

Yousef Nadarkhani foi preso pela primeira vez em outubro de 2009, por supostamente protestar contra um dever de casa que exaltava princípios islâmicos, recomendado pela escola de seus filhos e também por tentar registrar formalmente a sua igreja.

Em 2010 ele foi condenado à morte por enforcamento, sob acusação de 'apostasia'. No entanto, o Supremo Tribunal do Irã pediu um novo julgamento do seu caso, em Rasht. Apesar do pedido do tribunal, o pastor aguardou o julgamento na prisão.

Em junho de 2010, as autoridades também prenderam sua esposa para pressionar Yousef a se converter ao islamismo. Nadarkhani e sua esposa também foram ameaçados de que seus filhos seriam tirados do casal e entregues a uma família muçulmana, mas ambos se mantiveram firmes em sua fé cristã.

Durante audiências realizadas em Setembro de 2011, Nadarkhani foi informado pelas autoridades iranianas de que ele teria três oportunidades de se converter ao islamismo e renunciar a sua fé cristã, tendo assim todas as acusações contra ele retiradas. Mas ele novamente recusou a proposta.

Em 2012, Yousef foi absolvido das acusações de apostasia pelo tribunal de Rasht e foi liberto da prisão em setembro de 2013. O tribunal, no entanto, o condenou a permanecer por três anos sem evangelizar muçulmanos.

No dia de Natal 2013, Yousef foi preso novamente sob as ordens de autoridades iranianas e liberto alguns dias depois, em 7 de janeiro de 2014. A prisão do pastor - junto à sua esposa e um membro de sua igreja - no dia 13 de maio de 2016 foi efetuada sem qualquer acusação formal da polícia iraniana.

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