“A ciência abriu meus olhos para a existência de Deus”, diz cientista ex-ateu

Michael Guillen afirma que foi a própria ciência que o levou a reconhecer Deus e relata como deixou o ateísmo após confrontar os limites científicos.

Fonte: Guiame, com informações do Daily MailAtualizado: quarta-feira, 8 de abril de 2026 às 17:30
Michael Guillen é mestre e doutor pela Universidade Cornell em física, matemática e astronomia. (Foto: Divulgação)
Michael Guillen é mestre e doutor pela Universidade Cornell em física, matemática e astronomia. (Foto: Divulgação)

O cientista Michael Guillen, que foi ateu durante a juventude, testemunhou como sua própria trajetória acadêmica o levou a reconsiderar sua visão sobre Deus.

Durante o doutorado em física, matemática e astronomia na Universidade Cornell, ele vivia totalmente dedicado à ciência.

“Eu passava 20, 21 horas por dia no meu laboratório no porão”, contou ao The Daily Mail.

Ele descreveu o período como “uma criança em uma loja de doces” e reconheceu: “Se você olhar fotos minhas daquela época, eu tinha uma aparência bem desleixada.”

Guillen afirmou que sua dedicação era extrema: “Tornar-se cientista era algo totalmente absorvente. Quem passa de 20 a 21 horas por dia em um laboratório básico, sem janelas, por anos a fio e sem vida social? Eu mal cuidava da minha aparência. Mal me alimentava. Quem faz isso? Era uma obsessão.”

Leitura da Bíblia

Apesar do foco na ciência, ele começou a questionar se ela poderia responder a todas as questões da vida.

Um ponto de virada ocorreu quando uma colega o desafiou a ler a Bíblia com ela. “Ela disse algo que mudou minha vida para sempre. Ela disse: ‘Eu também não li a Bíblia; se você a ler, eu leio com você'’” relatou.

Ele respondeu: “E eu pensei: bem, eu não me importo com a Bíblia, mas me importo com essa garota.”

A partir daí, ele iniciou uma jornada espiritual que culminou em sua fé cristã.

Limites na ciência

Segundo Guillen, essa mudança não aconteceu de forma repentina, mas gradual, à medida que percebia limites na própria ciência.

Ele concluiu que “a ciência moderna postula que a maior parte da realidade não é visível, não é lógica e não é imaginável.”

Esse entendimento também é refletido em seu novo documentário “O Invisível Está em Toda Parte: Acreditar É Ver”, lançado nesta quarta-feira (08).

Ele integra um conjunto crescente de obras em que acadêmicos defendem que ciência e religião não são incompatíveis, mas parceiras na busca por respostas aos grandes mistérios da vida.

O documentário acompanha a trajetória de Guillen – da curiosidade na infância ao ateísmo convicto na juventude e, por fim, à fé cristã.

Para apresentar suas ideias, a produção mescla imagens de arquivo e fotografias de Guillen e de outros cientistas – aprimoradas com o uso de inteligência artificial – a imagens e vídeos gerados por IA.

Em vez de um único momento de “eureka”, ele explica que o processo foi uma descoberta gradual: a percepção de que “a ciência moderna postula que a maior parte da realidade não é visível, não é lógica e não é imaginável”.

Jornada intelectual

Ao aprofundar seus estudos, passou a enxergar a ciência como uma ferramenta que levanta mais perguntas do que respostas:

“Foi exatamente isso que descobri quando era estudante: sim, a ciência responde a perguntas, mas, a cada vez que responde a uma questão, é como coelhos – ela levanta outras mil perguntas.”

Ele também reconheceu um ponto decisivo em sua jornada intelectual:

“Cheguei a um ponto, no final dos meus 20 e início dos 30 anos, em que tive todas essas epifanias, todas essas revelações, que demoliram os lemas da minha infância. Percebi que, se eu fosse depender apenas da ciência para responder às minhas perguntas mais profundas, isso simplesmente não aconteceria”.

Para Guillen, a própria ciência contribuiu para sua mudança de perspectiva:

“O que a ciência fez foi abrir nossos olhos para o mistério do universo. Não é nem um pouco simples, e nós não o compreendemos. E quanto mais a ciência aprende sobre o universo, mais percebe que não compreende a maior parte dele”.

Design inteligente

Hoje, ele defende que há um design inteligente por trás da vida e afirma ter encontrado coerência entre ciência e fé cristã:

“Existe [alguma religião] que se destaque em termos de sua sincronicidade com a ciência? A resposta foi algo óbvio, que não exigiu esforço algum. Foi o Cristianismo”.

Mesmo assim, ele diz não buscar impor sua fé: “Tenho plena consciência do profundo mistério que habitamos – e que nos habita –, portanto, há muito espaço para divergências”.

Refletindo sobre sua trajetória, ele conclui: “Comecei a vida como ateu e, para minha surpresa, a ciência abriu meus olhos para a existência de Deus – eu jamais, nunca em um milhão de anos, esperaria que a minha amada ciência me levasse a essa conclusão.”

E ao lembrar da mulher que o incentivou a ler a Bíblia, afirmou: “Se Laurel não tivesse entrado em minha vida, honestamente, não sei onde eu estaria; mas sei que não estaria aqui conversando com você”.

Ele acrescentou: “Eu provavelmente ainda seria aquele monge científico, trancado no porão de algum laboratório, em algum lugar.”

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições