Uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), aponta um crescimento de 41,9% no número de adolescentes brasileiros que se declaram sem religião ao longo de pouco mais de dez anos.
De acordo com o levantamento, a proporção de jovens entre 14 e 17 anos sem vínculo religioso passou de 14,3% em 2012 para 20,3% em 2023.
O crescimento é mais acelerado do que o observado na população geral, onde o índice subiu de 9,7% para 11,9% no mesmo período.
Apesar do avanço entre adolescentes, a maioria dos brasileiros ainda mantém ligação com a fé, especialmente entre adultos e idosos.
Entre os mais velhos, os níveis de vínculo religioso permanecem elevados, superando 84%.
Os dados também apontam uma queda na importância atribuída à religião entre os jovens.
Em 2012, 66,2% dos adolescentes consideravam a fé “muito importante”; em 2023, esse número caiu para 58,4%.
Crescimento evangélico
Mudanças no perfil religioso do país também foram registradas. A proporção de católicos caiu de 72,3% para 63,2% entre 2012 e 2023, enquanto o número de protestantes – grupo que inclui os evangélicos – cresceu de 27,7% para 36,7%.
Outro dado relevante mostra diferenças entre homens e mulheres: 89,5% das mulheres afirmam ter religião, contra 85,8% dos homens. Elas também atribuem maior importância à fé no cotidiano.
Para a psiquiatra Clarice Madruga, coordenadora da pesquisa, as novas gerações tendem a manter uma relação mais distante das instituições religiosas.
Segundo ela, esse comportamento ajuda a explicar o crescimento mais acelerado dos “sem religião” entre adolescentes, enquanto os mais velhos preservam altos níveis de fé e prática religiosa.
Mesmo diante dessas transformações, o cenário religioso brasileiro continua marcado por uma forte presença da fé, especialmente fora das grandes mudanças geracionais – indicando que o desafio das igrejas está, sobretudo, na conexão com as novas gerações.
