Cristãos enfrentam surto de Ebola em meio à perseguição no Congo

Enquanto fogem de ataques de grupos armados, famílias cristãs agora enfrentam um surto de Ebola em áreas de conflito.

Fonte: Guiame, com informações de ICC e CBN News Atualizado: terça-feira, 19 de maio de 2026 às 18:28
A OMS declarou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”. (Foto: Reprodução/ICC)
A OMS declarou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”. (Foto: Reprodução/ICC)

No leste da República Democrática do Congo (RDC), comunidades cristãs que já enfrentam anos de perseguição e ataques de grupos armados agora enfrentam um surto de Ebola. 

Enquanto milhares de famílias fogem da violência promovida pelas ADF, a epidemia aumenta ainda mais o sofrimento de pessoas que já perderam casas, familiares e qualquer sensação de segurança. 

Na última quarta-feira (14), as autoridades confirmaram que esta é a 17ª epidemia de Ebola registrada no país desde 1976. O surto foi identificado inicialmente em Mongwalo, na província de Ituri, região nordeste do Congo.

Segundo autoridades de saúde, três zonas sanitárias já foram afetadas: Rwampara, Mongwalu e Bunia. O International Christian Concern (ICC) informou que cerca de 100 pessoas morreram na comunidade, e muitas dessas mortes podem estar relacionadas ao vírus. 

A Agência de Saúde da União Africana identificou que o surto foi causado pela variante Bundibugyo — um tipo específico do vírus Ebola. Essa mesma variante já havia causado um surto no país em 2012. 

“Ao contrário da variante Zaire, mais conhecida, que possui uma vacina aprovada e protocolos de tratamento estabelecidos, a variante Bundibugyo não tem atualmente nenhuma vacina disponível ou opções terapêuticas adequadas”, disse o Ministro da Saúde, Roger Kamba, durante uma coletiva de imprensa. 

“Isso aumenta significativamente o risco de rápida disseminação e complica a resposta médica”, acrescentou.

‘Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional’

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que “a situação é especialmente preocupante” porque muitas áreas afetadas são de difícil acesso por causa da atuação de grupos armados e da violência contínua em Ituri. 

Para os cristãos, a epidemia representa mais um desafio. Há anos, comunidades em Ituri e Kivu do Norte vivem sob ataques das ADF. Muitos perderam parentes, outros tiveram familiares sequestrados, enquanto aldeias inteiras foram abandonadas da noite para o dia. 

Sem um local seguro para ficar, milhares continuam se deslocando. Muitos dormem ao relento, se escondem em florestas e vivem sem acesso regular a alimentação, água potável ou atendimento médico. 

Agora, além da violência, essas comunidades enfrentam uma epidemia mortal. Medidas básicas de prevenção, como lavar as mãos frequentemente, manter isolamento ou buscar tratamento precoce, são quase impossíveis para quem vive fugindo para sobreviver. 

“Elas não têm para onde ir em segurança e nenhuma maneira real de se proteger”, afirmou o ICC.

Em resposta à crise, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”, um dos níveis mais altos de alerta global, devido ao risco de propagação para além das fronteiras e à necessidade urgente de ajuda humanitária. 

Missionário infectado

Em meio ao avanço do surto, uma organização cristã pediu orações após a confirmação de que um médico missionário americano contraiu Ebola enquanto servia na República Democrática do Congo.

O Dr. Peter Stafford e sua família fazem parte da Serge, uma organização missionária médica cristã que atua em áreas vulneráveis ao redor do mundo, incluindo o Congo. Atualmente, ele está na Alemanha, recebendo tratamento especializado.

Outros dois profissionais de saúde — a Dra. Rebekah Stafford e o Dr. Patrick LaRochelle — também foram potencialmente expostos ao vírus, mas permanecem assintomáticos e seguem protocolos de quarentena e monitoramento.

"Nossos corações estão com a família Stafford e com as comunidades congolesas que enfrentam este surto. Peter e Rebekah serviram fielmente as comunidades vulneráveis ​​em Nyankunde com extraordinária compaixão e coragem", disse Matt Allison, Diretor Executivo da Serge. 

E continuou: "A liderança experiente de Serge e sua equipe de campo conhecem bem a região de Ituri e já atuaram em ações de resposta ao Ebola. Estamos orando por cura, proteção e misericórdia para todos os afetados".

No Facebook, a missão compartilhou: “Por favor, continuem orando pelo Dr. Peter Stafford, um missionário médico Serge que agora foi evacuado em segurança para tratamento médico especializado depois de contrair Ebola enquanto servia na República Democrática do Congo. Agradecemos o cuidado coordenado que está sendo prestado, e continuamos orando pelo Peter, sua família, pelas equipes médicas que servem na região e pelas comunidades afetadas pelo surto. Mesmo em momentos assustadores, confiamos que Deus encontra as pessoas com misericórdia e presença em meio ao sofrimento”.

O Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e não se espalha pelo ar ou por contatos casuais. 

Diante do avanço do surto, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiram restrições de viagem para áreas afetadas da África Central, medida que deve permanecer em vigor por pelo menos 30 dias. 

Segundo a CBN News, mais de 500 casos suspeitos e 131 mortes suspeitas já foram registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. 

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