Terroristas matam 17 cristãos em novo ataque no Congo enquanto Ebola avança

Líderes alertam que o avanço dos terroristas pode ampliar a violência e dificultar o controle do surto de Ebola.

Fonte: Guiame, com informações de ICC e g1Atualizado: sexta-feira, 22 de maio de 2026 às 18:41
Muitos casos já foram confirmados no país que gerou preocupação internacional. (Foto: Reprodução/ICC)
Muitos casos já foram confirmados no país que gerou preocupação internacional. (Foto: Reprodução/ICC)

Cerca de 17 cristãos morreram após um ataque das Forças Democráticas Aliadas (ADF) em Mambasa, na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC). O episódio ocorreu em meio ao avanço da violência na região, que também enfrenta um surto de Ebola.

Segundo líderes locais, o ataque começou em 19 de maio, na aldeia de Alima, e se espalhou para comunidades vizinhas. Em Manyama e áreas próximas, casas foram incendiadas durante a ação dos terroristas.

Peresi Mamboro, um dos líderes de Babila Babombi, informou que o acesso às áreas atingidas continua limitado pela insegurança, enquanto dezenas de moradores seguem desaparecidos.

“O número de mortos chegou a 17. Os atacantes passaram por Alima e depois incendiaram vários locais, incluindo Manyama e as áreas próximas. Este número ainda é provisório, pois o inimigo continua a se movimentar livremente na região”, explicou Peresi ao International Christian Concern (ICC). 

À medida que o medo se espalha por várias partes de Mambasa, líderes estão alertando a população a redobrar o cuidado em meio aos ataques de grupos armados.  

“Pedimos à população que se mantenha vigilante e denuncie qualquer atividade suspeita”, declarou Peresi. 

Testemunhas afirmam que integrantes da ADF cruzaram a Rodovia Nacional 44, na região entre Biakato e Mambasa, antes de se dividirem em grupos menores e seguirem por rotas diferentes. 

Avanço da epidemia

O ataque mais recente aumentou o medo da população que vive na região que já vinha sendo marcada pela violência recorrente ligada à ADF.

Além dos ataques, moradores também enfrentam um surto de Ebola em andamento na província de Ituri.

Recomendações de prevenção, como evitar deslocamentos, manter distância e reforçar a higiene, se tornam difíceis de seguir para famílias que fogem da violência e vivem em condições precárias, muitas vezes sem acesso à água potável e atendimento médico

Líderes locais alertam que, sem uma resposta mais efetiva das forças de segurança, a ADF pode ampliar sua atuação nas áreas florestais de Babila Babombi. Segundo eles, o avanço dos terroristas tornaria o surto de Ebola ainda mais difícil de conter. 

Atualização sobre o surto de Ebola no Congo

O novo surto de Ebola foi registrado em 15 de maio na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, e é causado pela espécie Bundibugyo. 

Conforme o g1, em 48 horas, dois casos confirmados sem aparente ligação entre si também foram detectados em Kampala, capital de Uganda, em viajantes vindos do Congo. 

A rápida propagação da doença levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar, no último domingo (17), uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. 

Dois dias depois, a República Democrática do Congo já contabilizava 536 casos suspeitos, 105 prováveis, 34 confirmados e 134 mortes. Em Uganda, autoridades também registraram dois casos confirmados e uma morte. 

A falta de tratamentos específicos para a variante Bundibugyo tem preocupado especialistas. Diferente da cepa Ebola-Zaire — para a qual já existem vacinas aprovadas — ainda não existem vacinas nem tratamentos específicos para essa versão do vírus. 

Há risco de vir para o Brasil?

Após a OMS declarar emergência internacional, o avanço do Ebola também levantou dúvidas entre brasileiros sobre a possibilidade de o vírus chegar ao país.

Segundo Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o risco existe, “mas é improvável no momento”. 

Ela destacou que a preocupação é global, e não apenas brasileira. Apesar do alerta, a OMS ainda considera baixa a chance de uma epidemia ou pandemia. O objetivo da declaração, segundo a especialista, foi incentivar os países a reforçarem a vigilância antes que a situação se agrave. 

Flávia acrescentou que o vírus ainda está concentrado em dois países e destacou que o Ebola não é transmitido pelo ar, o que dificulta uma disseminação mais rápida. 

"É preciso um contato mais íntimo com secreções, sangue, fezes do indivíduo infectado", explicou Flávia.

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