A nomeação da nova diretora de Recursos da Câmara tem gerado divergências de opiniões dentro e fora da Casa. Entre os principais pontos criticados, está o fato da nomeada para assumir o setor ser evangélica - assim como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Maria Madalena da Silva é advogada e teóloga de formação. Em depoimento ao Congresso em Foco (UOL), ela negou que a sua indicação por parte de Cunha tenha qualquer motivação religiosa.
Segundo o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), que é católico, a indicação para a Diretoria de Recursos Humanos deve seguir "critérios apartidários".
“A gente precisa analisar. Indicar alguém da Casa, com longo tempo de serviço, tudo bem. Se isso significar até boa experiência para o coletivo, também tudo bem. O que não pode haver é escolha por critérios de simpatia partidária e, muito menos, de identidade religiosa”, declarou.
Já o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) considerou o fato de o Brasil ser um país laico e afirmou que a indicação de alguém para uma função como esta (Diretoria de Recursos Humanos) independe da confissão de fé quem a ocupa.
“A religião de quem ocupa postos importantes não é o que deve doutrinar a ação da função pública, e sim a sua competência, a sua história e os seus compromissos com objetivo de que aquele cargo necessita. Qualquer que seja a religião, em um país que tem a sua separação de estados e o respeito à diversidade religiosa, é algo que tem o nosso respeito”, disse.
“Só vejo problema [na indicação de Madalena] se houver desvio de função ou a utilização do cargo em prol da religião. Aí, sim, é um desvio. Mas qualquer brasileiro tem a sua religião, e sua religião tem que ser respeitada no exercício das funções”, acrescentou.
Arquivo
Recentemente, Cunha comentou as críticas feitas a deputados que se assume evangélicos. Segundo o parlamentar, o fato de um político confessar a fé protestante pode gerar um tratamento diferente com relação aos de outras religiões.
“Ninguém fala sobre deputados católicos ou espíritas, mas falam sempre de ‘evangélicos’”, lamentou.