Feminicídio: Mulher é morta com tiro na cabeça durante culto no RJ

Jocilerne Oliveira, de 49 anos, tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro. Ele foi preso em flagrante.

Fonte: Guiame, com informações de O Dia e G1Atualizado: segunda-feira, 28 de setembro de 2026 às 20:00
Jocilerne Oliveira, de 49 anos, morreu no local. (Foto: Reprodução/InterTV).
Jocilerne Oliveira, de 49 anos, morreu no local. (Foto: Reprodução/InterTV).

Uma mulher foi morta com um tiro na cabeça enquanto participava de um culto em uma igreja evangélica na cidade de Cambuci, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (25).

Segundo a Polícia Militar, o ex-companheiro da vítima invadiu o templo da Assembleia de Deus, no bairro Três Irmãos, e atirou contra ela. 

Jocilerne Oliveira, de 49 anos, morreu no local. Ela tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro. O nome do suspeito não foi divulgado.

Os policiais foram até a igreja para atender uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo e encontraram a mulher já sem vida. 

Logo depois, agentes do 36º BPM (Santo Antônio de Pádua) realizaram buscas e localizaram o suspeito na cidade de Aperibé.

O homem estava dirigindo uma motocicleta, foi levado à delegacia e, no local, foi preso em flagrante por feminicídio.

Em nota, a Polícia Civil informou que após a detenção, o caso foi encaminhado à Justiça.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), houve um aumento de 10,2% nas tentativas de feminicídio no estado do Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2026. Neste período, 97 casos foram registrados.

Apesar do aumento nas tentativas, o número de casos consumados de feminicídio caiu em 37% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período no ano passado.

Evangélicas vítimas de violência doméstica

Mais de 42% das mulheres evangélicas já sofreram violência doméstica, segundo um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado neste ano.

O relatório, publicado na revista Le Monde Diplomatique Brasil, reuniu dados de 2025 sobre as diferentes formas de violência contra meninas e mulheres brasileiras.

Apesar do crescimento da violência de gênero, 47,4% das mulheres vítimas de violência grave não denunciaram a agressão sofrida. Porém, 6% das vítimas procuram ajuda na igreja, de acordo com o estudo.

A pesquisa revelou que uma em cada quatro brasileiras sofreu agressão física por parte de parceiro atual ou ex-parceiro.

Entre as entrevistadas, 42,7% das mulheres evangélicas sofreram violência doméstica ao longo da vida e 35% das católicas.

A maioria das vítimas são separadas ou divorciadas, possuem filhos e estão na faixa etária dos 25 a 34 anos.

Além disso, são pretas com ensino fundamental e moram em capitais ou regiões metropolitanas.

Os pesquisadores do relatório apontaram que a atitude passiva de líderes evangélicos pode ser uma barreira para quebrar ciclos de violência doméstica.

“A mulher é desestimulada a fazer a denúncia, a sair do relacionamento, justamente por causa da sacralidade do matrimônio. Ela é aconselhada a outras coisas, como a resignação e a oração para que o agressor mude seu comportamento. São conselhos que apenas fazem com que a mulher siga na situação de violência”, afirmou Isabella Matosinhos, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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